O tema na obra
Na cena 2 do Ato I, Cássio diz a Bruto que os homens são às vezes donos do próprio destino e que a culpa não está nas estrelas, mas neles mesmos. Na cena 3 do Ato I, ele mesmo lê a tempestade como aviso do céu contra César, enquanto Cícero lembra que os homens interpretam os fatos a seu modo.
Na cena 2 do Ato II, Calpúrnia, os augúrios e o sonho tentam deter César, que responde que o fim marcado pelos deuses não se evita e que só os covardes morrem muitas vezes. Décio inverte o sonho, e César sai.
Na cena 3 do Ato IV, Bruto convence Cássio a marchar logo a Filipos com o argumento da maré que se perde se não for tomada, e, à noite, o espectro de César promete reencontrá-lo lá. Na cena 1 do Ato V, Cássio, que seguia Epicuro, confessa que passou a dar crédito aos presságios, e Bruto diz que aquele dia há de terminar a obra que os Idos começaram.
Na cena 3 do Ato V, diante dos corpos de Cássio e de Titínio, Bruto exclama que o espírito de César ainda é poderoso e vira as espadas dos romanos contra eles mesmos. Na cena 5 do Ato V, Bruto diz a Volúmnio que o espectro lhe apareceu duas vezes e que sua hora chegou, com a batalha já perdida.
A peça não escolhe entre destino e liberdade: dá a frase mais livre a Cássio, que logo lê o céu quando lhe convém, e faz Bruto decidir marchar por argumento próprio e depois tratar a morte como hora marcada. Cada um usa o destino na hora em que lhe serve, e o texto mostra a conveniência sem comentá-la.
Onde aparece
- Cena 2 do Ato I: a culpa não está nas estrelas, mas em nós.
- Cena 3 do Ato I: a tempestade lida como aviso do céu por Cássio e como acaso por Cícero.
- Cena 2 do Ato II: os augúrios, o sonho de Calpúrnia e a resposta de César.
- Cena 3 do Ato IV: a maré dos assuntos dos homens e o espectro de César.
- Cena 1 do Ato V: Cássio passa a dar crédito aos presságios.
- Cena 3 do Ato V: o espírito de César vira as espadas.
- Cena 5 do Ato V: Bruto diz que sua hora chegou.
Passagens
Cássio, a Bruto, sobre as estrelas:
Men at some time are masters of their fates: / The fault, dear Brutus, is not in our stars, / But in ourselves, that we are underlings, os homens são às vezes donos do próprio destino: a culpa, caro Bruto, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos, que somos subalternos (I.2)
César, diante dos augúrios:
Cowards die many times before their deaths; / The valiant never taste of death but once, os covardes morrem muitas vezes antes de morrer; o valente só prova a morte uma vez (II.2)
Bruto, ao decidir marchar a Filipos:
There is a tide in the affairs of men, / Which, taken at the flood, leads on to fortune;, há uma maré nos assuntos dos homens que, tomada na cheia, leva à fortuna (IV.3)
Bruto, diante dos corpos de Cássio e de Titínio:
O Julius Caesar, thou art mighty yet! / Thy spirit walks abroad, and turns our swords / In our own proper entrails., ó Júlio César, tu és poderoso ainda! O teu espírito anda por aí e vira nossas espadas contra as nossas próprias entranhas (V.3)