Cena I: Os tribunos dispersam o povo
Resumo da seção
Os tribunos Flávio e Marulo expulsam das ruas de Roma os artesãos que festejam o triunfo de César, e os acusam de esquecer Pompeu, a quem aclamavam antes. Dispersada a multidão, os dois vão tirar das estátuas os enfeites de César, apesar do aviso de que é a festa das Lupercais. Flávio explica o motivo: cortar as penas de César para que ele não voe alto demais e mantenha todos em servidão.
Análise
These growing feathers pluck’d from Caesar’s wing / Will make him fly an ordinary pitch
, estas penas que crescem, arrancadas da asa de César, o farão voar numa altura comum (I.1)
Cena II: Cássio trabalha Bruto
Resumo da seção
Na procissão das Lupercais, Júlio César manda Calpúrnia ficar no caminho de Marco Antônio, e um adivinho o previne contra os Idos de Março. Sozinho com Bruto, Cássio diz que Roma se curva a um homem fraco, e Bruto, embora ame César, teme que o povo o faça rei. Casca conta que Antônio ofereceu três vezes uma coroa e César a recusou. Cássio decide forjar cartas para empurrar Bruto.
Análise
Men at some time are masters of their fates: / The fault, dear Brutus, is not in our stars, / But in ourselves, that we are underlings
, os homens são às vezes donos do próprio destino: a culpa, caro Bruto, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos, que somos subalternos (I.2)
Para discutir Bruto diz amar César e, ao mesmo tempo, teme que o povo o faça rei. O que a conversa com Cássio faz com esse temor?
Cena III: A noite de tempestade
Resumo da seção
Numa noite de tempestade e prodígios, Casca corre assustado ao encontro de Cícero, que desconfia de leituras apressadas dos sinais e se retira. Cássio chega de peito aberto aos raios e diz que o céu avisa contra um homem que cresceu demais. Ao saber que o Senado quer coroar César no dia seguinte, jura se matar antes de aceitar a servidão, e Casca adere. Cina leva cartas para plantar onde Bruto as ache, e os dois decidem procurá-lo antes do amanhecer.
Análise
Cassius from bondage will deliver Cassius
, Cássio livrará Cássio da servidão (I.3)
Para discutir Casca e Cícero veem a mesma noite de prodígios e tiram conclusões diferentes. O que cada um faz com os sinais?
Tema central
Análise
Cássio trabalha Bruto por reflexo. Bruto diz que o olho só se vê por reflexo, e Cássio se oferece como o espelho que mostrará a Bruto o que ele ainda não sabe de si. Além de argumentar contra César, a sedução trabalha com uma imagem de Bruto: o nome dele pesa tanto quanto o de César, e houve um Bruto antigo que não toleraria um rei em Roma. Bruto não promete nada, pede tempo para pensar, e mesmo assim o ato termina com Cássio dizendo que três partes dele já são suas.
César, ao ver Cássio passar, o chama de magro e faminto, diz que ele pensa demais e não se alegra com música nem com jogos, e que por isso é perigoso. Logo depois recua, diz que não o teme e que fala do que se deve temer, pois sempre é César. O retrato que César faz de Cássio é o do ressentido diante de alguém maior. Ele fala de si pelo próprio nome, porque sempre é César.
Quem fala do próprio nome como de uma força já se pensa mais que um homem.
O acontecimento mais grave do dia, a coroa oferecida e recusada, chega ao leitor pela voz de Casca, que desmonta o ritual: a recusa lhe parece teatro, a multidão aplaude como a plateia de atores, Cícero fala grego e Casca não entende. Casca acha que César a queria, mas admite que não prestou atenção. O ponto decisivo fica sem resposta: ninguém sabe se César quer a coroa, e quem conta a cena já tem o desprezo pronto.
Destino e escolha aparecem lado a lado. Na cena II, Cássio diz que a culpa não está nas estrelas, mas em nós. Na cena III, ele mesmo lê a tempestade como aviso do céu contra César, enquanto Cícero lembra que os homens interpretam os fatos a seu modo. Cássio usa os sinais quando lhe servem, e a peça deixa ver essa conveniência sem comentá-la.