Clavis Libri

Júlio César · Ato V

Filipos e a morte de Bruto

Cena I: Parlamento e despedida

Resumo da seção

Nas planícies de Filipos, Otávio e Marco Antônio discutem a posição de cada um, e Otávio impõe a sua. Os generais dos dois lados parlamentam, trocam insultos e ameaças, e voltam à batalha. Cássio, no dia do próprio aniversário, confessa a Messala que passou a dar crédito aos presságios: as águias do exército foram trocadas por corvos. Pergunta a Bruto o que fará se perderem, e os dois se despedem.

Análise

But this same day / Must end that work the Ides of March begun;, mas este mesmo dia há de terminar a obra que os Idos de Março começaram (V.1)

Para discutir Bruto diz achar covarde matar-se por medo do que pode vir, mas recusa ser levado preso a Roma. Como as duas coisas que ele diz se conciliam, ou não se conciliam?

Cena II: A ordem de Bruto

Resumo da seção

No campo de batalha, Bruto manda Messala levar ordens às legiões do outro lado: quer atacar de uma vez, pois vê frieza na ala de Otávio.

Cena III: A morte de Cássio e de Titínio

Resumo da seção

Cássio vê os soldados fugirem, e Titínio explica que Bruto atacou cedo demais, enquanto Antônio cercou o resto. Cássio manda Titínio verificar se as tropas distantes são amigas, e Píndaro, do alto de um monte, relata que ele foi capturado. Julgando o amigo perdido, Cássio ordena que Píndaro o mate com a espada que matou César. Titínio volta com Messala e boas notícias, vê o corpo e se mata. Bruto chega e lamenta os dois.

Análise

O Julius Caesar, thou art mighty yet! / Thy spirit walks abroad, and turns our swords / In our own proper entrails., ó Júlio César, tu és poderoso ainda! O teu espírito anda por aí e vira nossas espadas contra as nossas próprias entranhas (V.3)

Para discutir Por que Titínio se mata em vez de apenas lamentar Cássio?

Cena IV: Catão e o falso Bruto

Resumo da seção

Na confusão da batalha, Bruto anima os seus, e o jovem Catão grita o próprio nome e morre combatendo. Lucílio se faz passar por Bruto para ser preso no lugar dele e é levado a Marco Antônio, a quem afirma que nenhum inimigo jamais prenderá Bruto vivo. Antônio reconhece o engano, mas manda tratar o prisioneiro com gentileza.

Análise

When you do find him, or alive or dead, / He will be found like Brutus, like himself., quando o encontrarem, vivo ou morto, será achado como Bruto, igual a si mesmo (V.4)

Cena V: A morte de Bruto

Resumo da seção

Cercado e exausto, Bruto pede a Clito, a Dardânio e a Volúmnio que o matem, e os três se recusam. Diz a Volúmnio que o espectro de César lhe apareceu duas vezes e que sua hora chegou. Estratão segura a espada, e Bruto se lança sobre ela, dizendo a César que já pode descansar. Otávio e Marco Antônio chegam, Antônio elogia o morto, e Otávio manda dar-lhe honras fúnebres.

Análise

This was the noblest Roman of them all. / All the conspirators save only he, / Did that they did in envy of great Caesar;, este foi o mais nobre dos romanos. Todos os conspiradores, menos ele, fizeram o que fizeram por inveja do grande César (V.5)

Para discutir Antônio diz que Bruto foi o único conspirador movido pelo bem comum. Com o que a peça mostrou, você concorda?

Tema central

Análise

O ato devolve aos conspiradores a espada do assassinato. Cássio morre com a espada que atravessou César, e Bruto, em seu último verso, diz a César que o matou com menos vontade do que agora se mata. O espectro prometeu Filipos, e Bruto diz que sua hora chegou, com a batalha já perdida.

Duas mortes nascem de erro de percepção. Cássio, de longe, confia em Píndaro, que descreve a prisão de Titínio como certa, e Titínio, ao ver o corpo, entende que Cássio se enganou. Messala dá nome ao mecanismo: o Erro, filho da melancolia, mostra aos homens o que não existe e mata quem o gerou.

Bruto condena em V.1 a morte de Catão como covardia diante do que pode acontecer, e no fim dá a si mesmo a mesma morte. A peça não comenta a mudança. O texto deixa ver duas razões: não ser levado preso a Roma, o que ele diz com todas as letras, e a convicção de que o espectro já marcou o seu fim. Leio nisso uma filosofia que cede onde a honra e o presságio se juntam.

A última palavra sobre Bruto é de Antônio, o inimigo, que reconhece no morto o único dos conspiradores movido pelo bem comum. Otávio, que fecha a peça mandando recolher o campo, encerra o ato com a vitória do outro lado e honras militares para o derrotado. O elogio faz de Bruto o centro moral da tragédia, e a ordem de Otávio dá ao poder o último gesto.