Quem é
Otávio é o jovem que Júlio César mandou chamar a Roma e que Marco Antônio trata como aliado a quem avisa o que fazer. Só entra em cena no Ato IV, e em Filipos é ele quem fecha a peça: impõe a sua posição ao companheiro, jura que a espada não volta à bainha antes que as feridas de César sejam vingadas e é quem manda dar honras fúnebres ao vencido. Vive pouco em cena e diz pouco, mas o que diz mostra o rumo do poder.
Trajetória
Na cena 1 do Ato III, ainda fora de cena, é lembrado por Antônio, que diz que César havia escrito para ele vir a Roma e manda o criado de Otávio voltar e avisá-lo de que Roma ainda não é segura. Na cena 2 do Ato III, depois do funeral, já está em Roma, em casa de César, com Lépido, e Antônio vai encontrá-lo.
Na cena 1 do Ato IV, ao lado de Antônio e Lépido, risca os nomes dos que devem morrer. É ele quem pergunta a Lépido se consente na morte do próprio irmão. Quando Antônio chama Lépido de homem insignificante, lembra que Antônio o achou bom o bastante para decidir com ele quem morreria e que ele é um soldado provado. Concorda em fortalecer a aliança, dizendo que estão cercados de inimigos e que alguns que sorriem trazem milhões de males no coração.
Na cena 1 do Ato V, nas planícies de Filipos, quando Antônio manda que ele conduza a ala esquerda, responde que fica à direita, e diz, ao ser repreendido, que não o contraria, mas que o fará. No parlamento, manda Antônio esperar o sinal e responde a Bruto que não é por amar as palavras mais do que ele. Diz que, se discutir faz suar, a prova virará gotas vermelhas, e saca a espada contra os conspiradores. Promete que ela não volta à bainha até que as trinta e três feridas de César sejam vingadas, ou até que outro César tenha acrescentado a matança à espada dos traidores. Responde a Bruto que não nasceu para morrer pela espada dele, e Cássio o chama de colegial birrento.
Na cena 5 do Ato V, chega ao corpo de Bruto com Antônio e Messala e ouve de Estratão, que responde a Messala, que Bruto venceu a si mesmo. Diz que aceita ao serviço dele todos os que serviram Bruto e convida Estratão. Depois do elogio de Antônio, diz que o tratem segundo a virtude dele, com os ritos de funeral, que os ossos fiquem aquela noite na tenda do próprio Otávio e que o campo seja posto em repouso. Fecha a peça.
Temas que encarna
Otávio mostra, em poucas falas, o poder de quem já sabe que vai mandar. Não argumenta, impõe: a ala direita, o sinal de ataque, a ordem de recolher o campo. Em Filipos, quando Antônio, o mais velho, tenta guiá-lo, ele responde que não o contraria, mas que o fará.
A peça termina com a ordem dele, e não com a morte de Bruto nem com o elogio de Antônio. O que os conspiradores queriam era livrar Roma de um homem só no poder, e o que a peça deixa no fim é um jovem que ela mesma chama de César e que não aceita ser contrariado. O Poder que o texto deixa em cena, depois do tiranicídio, é o dele. A Política da peça fecha com a continuidade do nome: Antônio o chama de César, e a peça lhe dá a última ordem.
Relações
- Augusto: o futuro primeiro imperador de Roma, que a história conhece como Otaviano na época de Filipos. O que se descreve aqui é o personagem da peça, o jovem que aparece junto a Antônio, e não o político histórico.
- Marco Antônio: o aliado mais velho, com quem disputa a posição na batalha e de quem não aceita ordens.
- Júlio César: aquele a quem Antônio diz que escreveu para que viesse a Roma, e cujas feridas Otávio jura vingar.
- Bruto: o inimigo que lhe diz que ele não morreria à espada dele, e a quem concede honras fúnebres.
- Cássio: o general que o chama de colegial birrento diante da batalha.