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Júlio César

Enredo

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Júlio César, o general mais poderoso de Roma, volta vitorioso e é festejado pelo povo, enquanto alguns romanos temem que ele aceite a coroa e acabe com a República. A peça conta, em cinco atos, como a conspiração nasce, mata César e é destruída pelo que ela mesma desencadeou.

Ato I

Os tribunos Flávio e Marulo expulsam das ruas os artesãos que festejam o triunfo de César e vão tirar os enfeites das estátuas (cena 1). Na procissão das Lupercais, um adivinho previne César contra os Idos de Março, e Cássio, a sós com Bruto, diz que Roma se curva a um homem fraco. Bruto, que ama César, admite temer que o povo o faça rei. Casca conta que Antônio ofereceu três vezes uma coroa a César e que ele a recusou, e Cássio decide forjar cartas para empurrar Bruto (cena 2). Numa noite de tempestade e prodígios, Casca, assustado, encontra Cícero; Cássio, que anda de peito aberto sob os raios, ganha Casca para a conspiração ao saber que o Senado quer coroar César no dia seguinte, e Cina leva as cartas que Bruto vai achar (cena 3).

Ato II

Na madrugada dos Idos, Bruto, insone no pomar, conclui que César deve morrer pelo que poderá vir a ser, e Lúcio lhe entrega uma carta anônima que o chama a agir. Cássio chega com os conspiradores encapuzados; Bruto recusa o juramento, exclui Cícero e impede que Antônio seja morto, e combinam que Décio levará César ao Capitólio. Pórcia exige saber o segredo do marido e invoca uma ferida que se fez na coxa, e Bruto promete contar e recruta Ligário (cena 1). Na casa de César, Calpúrnia, que gritou em sonho que o matavam, e os augúrios, que não acharam coração no animal sacrificado, tentam impedi-lo de sair. Ele cede ao pedido da mulher, mas Décio reinterpreta o sonho e diz que o Senado vai lhe dar uma coroa naquele dia, e César sai com os conspiradores que vieram buscá-lo (cena 2). Artemidoro escreve uma carta que denuncia os conspiradores e decide esperar César na rua para entregá-la (cena 3). Pórcia, aflita, manda Lúcio ao Senado ver como está Bruto e quase deixa escapar o motivo da sua angústia (cena 4).

Ato III

No dia dos Idos, o Adivinho e Artemidoro tentam avisar César, que os ignora e entra no Senado. Os conspiradores o cercam sob o pretexto de um pedido de Metelo Címber, Casca dá o primeiro golpe e Bruto o último, e César cai. Antônio se aproxima, aparenta aliança e obtém licença de Bruto para falar no funeral, contra o conselho de Cássio; sozinho, jura vingança e manda avisar Otávio (cena 1). No Fórum, Bruto justifica o crime em prosa: amou César, mas amou mais Roma, e é aclamado. Antônio fala depois, em verso, elogia Bruto e repete que ele é honrado até a frase virar acusação, mostra o manto rasgado e lê o testamento, que deixa dinheiro a cada cidadão. A multidão sai para queimar as casas dos conspiradores, e Antônio sabe que Otávio já chegou a Roma (cena 2). O poeta Cina, tomado pelo conspirador de mesmo nome, é morto pela turba (cena 3).

Ato IV

Em Roma, Antônio, Otávio e Lépido marcam quem deve morrer, e Antônio trata Lépido como um burro que carrega ouro até onde o dono quer (cena 1). Perto de Sardes, Bruto estranha a frieza de Cássio, e os dois entram na tenda para não brigar à vista dos soldados (cena 2). Lá dentro Bruto acusa Cássio de vender cargos por ouro, a briga chega à ameaça, e os dois se reconciliam. Bruto revela que Pórcia morreu, chegam notícias das proscrições, e ele convence Cássio a marchar logo a Filipos. À noite, com os criados adormecidos, vê o espectro de César, que promete reencontrá-lo em Filipos (cena 3).

Ato V

Em Filipos, os generais dos dois lados trocam insultos, e Cássio, que seguia Epicuro, confessa que passou a dar crédito aos presságios; ele e Bruto se despedem sem saber se voltarão a se ver (cena 1). Bruto manda atacar de uma vez (cena 2). Cássio, vendo os soldados fugirem, manda Titínio verificar se as tropas distantes são amigas e, julgando-o capturado pelo relato de Píndaro, ordena que Píndaro o mate com a espada que matou César. Titínio volta com boas notícias, vê o corpo e se mata, e Bruto lamenta os dois (cena 3). Na confusão da batalha, o jovem Catão morre combatendo, e Lucílio se faz passar por Bruto para ser preso no lugar dele (cena 4). Cercado, Bruto pede a três companheiros que o matem, e eles se recusam; diz que o espectro de César lhe apareceu duas vezes e se lança sobre a espada que Estratão segura. Antônio elogia o morto como o mais nobre dos romanos, e Otávio manda dar-lhe honras fúnebres (cena 5).

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