Clavis Libri

Júlio César · Ato III

O assassinato e o Fórum

Cena I: O assassinato de César no Capitólio

Resumo da seção

No dia dos Idos de março, o Adivinho e Artemidoro tentam avisar Júlio César, que os ignora e entra no Senado. Os conspiradores o cercam sob o pretexto do pedido de Metelo Címber, e Casca dá o primeiro golpe e Bruto o último. Marco Antônio se aproxima, aparenta aliança e obtém licença para falar no funeral, apesar do receio de Cássio. Sozinho, jura vingança e manda avisar Otávio.

Análise

Cry havoc and let slip the dogs of war, grite devastação e solte os cães da guerra (III.1)

Para discutir Bruto concede a Antônio a palavra no funeral, contra o conselho de Cássio. O que ele parece esperar dessa concessão?

Cena II: Os discursos de Bruto e Antônio

Resumo da seção

No Fórum, Bruto divide a multidão com Cássio e justifica o crime em prosa: amou César, mas amou mais Roma. É aclamado e deixa a tribuna a Marco Antônio, que elogia Bruto, repete que ele é honrado até a frase virar acusação, mostra o manto rasgado e revela o testamento, com setenta e cinco dracmas para cada cidadão. A multidão sai para queimar as casas dos conspiradores, e Antônio sabe que Otávio já chegou a Roma.

Análise

Friends, Romans, countrymen, lend me your ears; / I come to bury Caesar, not to praise him., amigos, romanos, compatriotas, emprestem-me os ouvidos; venho enterrar César, não elogiá-lo. (III.2)

Para discutir Bruto e Antônio falam à mesma multidão em poucos minutos e obtêm reações opostas. O que cada um pede ao povo que faça com o que ouve?

Cena III: A morte de Cina, o poeta

Resumo da seção

Cina, o poeta, sai de casa por causa de um sonho ruim e é cercado por cidadãos exaltados que saem do Fórum. Ele responde com brincadeiras e diz o nome, e a turba o toma pelo conspirador Cina. Mesmo quando ele grita que é o poeta, o grupo o ataca pelo nome e pelos maus versos, e parte para as casas dos conspiradores.

Análise

It is no matter, his name’s Cinna, não importa, o nome dele é Cina (III.3)

Tema central

Análise

O ato mostra o assassinato como cerimônia na cabeça de quem o comete. Bruto manda os conspiradores lavarem as mãos no sangue de César até os cotovelos e sair gritando "paz, liberdade" pelas ruas, e Cássio imagina a cena sendo encenada de novo por séculos, em línguas ainda desconhecidas. Eles falam do ato como obra já pronta, com sentido fixado de antemão.

O que a cena seguinte provoca é justamente o contrário: o sentido do crime depende de quem o conta depois.

Bruto e Antônio usam a linguagem de modos opostos. Bruto fala em prosa, pede que acreditem nele pela honra e oferece um argumento para ser julgado: amou César, mas amou Roma mais. Antônio fala em verso, diz que não é orador, repete "Bruto é um homem honrado" até a fórmula virar ironia, e troca o argumento por coisas que o povo pode ver e ganhar, o manto furado, as feridas, o testamento. Diante da mesma multidão, o primeiro obtém aplauso, e o segundo, ação.

O erro de Bruto é de julgamento sobre os outros. Ele poupa Antônio porque o considera sem malícia, e deixa que ele fale por acreditar que a razão exposta basta para convencer. Cássio enxerga o risco e o diz duas vezes, mas Bruto o vence nas duas. A cena do Cina fecha o ato com o outro lado da liberdade proclamada: uma turba que já não distingue o poeta do conspirador e mata um homem por causa do nome.