Quem é
Pórcia é a esposa de Bruto e a filha de Catão, e é assim que se apresenta quando exige saber o segredo do marido: mulher, mas mulher de linhagem e de provas dadas. Fala em duas cenas, na madrugada dos Idos e na manhã em que espera notícias do Capitólio, e depois é a morte que Bruto conta a Cássio na tenda.
Trajetória
Na cena 1 do Ato II, sai da cama atrás de Bruto, no pomar, depois que os conspiradores se foram, e lembra que ele se levantou do jantar na véspera, deu olhares ásperos, não respondeu e a mandou embora com um gesto. Pergunta qual é a doença que ele esconde e ajoelha-se: pelo voto que os fez um, ela quer saber quem são os homens que o visitaram de rosto escondido. Pergunta se, no casamento, está excluída dos segredos, e diz que, se for só isso, é a meretriz de Bruto, não a esposa. Quando ele responde que ela é a esposa honrada, retruca que, se fosse, saberia o segredo. Afirma que é mulher, mas mulher de Bruto, e filha de Catão, e prova a constância com uma ferida que deu a si mesma na coxa. Bruto pede aos deuses que o façam digno dessa mulher, promete contar tudo e manda que ela entre.
Na cena 4 do Ato II, na manhã dos Idos, manda Lúcio ao Senado ver como está Bruto, mas quase deixa escapar o motivo da aflição. Diz, em aparte, que tem a mente de um homem, mas a força de uma mulher, e que é difícil a mulheres guardar segredo:
I have a man’s mind, but a woman’s might, tenho a mente de um homem, mas a força de uma mulher (II.4)
Interroga o Adivinho, que quer avisar César e teme ser esmagado pela multidão, e reza pelo êxito do marido. Sozinha, sente-se desfalecer e manda Lúcio de volta, com a ordem de trazer notícias.
Na cena 3 do Ato IV, Bruto diz a Cássio que ela morreu: impaciente com a ausência dele e aflita com a notícia de que Otávio e Antônio tinham ficado fortes, enlouqueceu e, sem ninguém por perto, engoliu fogo. Cássio se espanta e Bruto pede que não se fale mais dela. Pouco depois, ao ouvir de Messala a confirmação, aceita a perda como um romano.
Temas que encarna
Pórcia exige o que o casamento lhe dá: ser tratada como a metade de Bruto, e não como quem vive nos arredores do bem-querer dele. Apoia o pedido na linhagem de Catão e na ferida na coxa. Na cena 4 do Ato II, a firmeza que mostrou diante do marido não suporta o suspense, e ela mesma o confessa.
Pórcia e Calpúrnia fazem o mesmo gesto a dois maridos que decidem por si: ajoelham-se e pedem em nome do casamento, uma que o marido não saia, a outra que ele conte o que esconde. Bruto promete contar e a peça não o mostra cumprindo. A morte dela é contada por Bruto a Cássio como notícia de uma perda, e depois Bruto ouve de Messala a confirmação, com a mesma calma, como se não soubesse; a peça não explica a diferença. Pórcia e os conspiradores pedem confiança na mesma moeda: a Honra e reputação de quem diz que sabe guardar um segredo.
Relações
- Bruto: o marido, de quem exige o segredo e por quem espera, e cuja ausência a leva à loucura, segundo ele.
- Calpúrnia: a esposa do outro lado, que pede a César o contrário, e é desfeita pela lisonja de Décio.
- Cássio: ouve de Bruto a notícia da morte dela e pergunta como escapou com vida depois de contrariá-lo.