Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Otelo
um carneiro preto, velho / Está cobrindo a sua ovelha branca.
"Preto" e "branca" são postos frente a frente na mesma imagem. A oposição de cores faz da diferença racial o centro do insulto, sem que Iago precise dizê-lo com todas as letras.
Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado, Iago
Não o mal pelo mal, mas pelo mal sanar.
O verso opõe "mal pelo mal" a "mal sanar": de um lado o mal que se devolve, do outro o mal que se cura. A oposição resume a ética de Desdêmona, que prefere curar a ofensa a imitá-la.
Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro, Desdêmona
Poderei restaurar. Mas morta a tua luz, [...] Nunca mais poderei fazê-la irromper.
"Poderei restaurar" e "Nunca mais poderei" estão frente a frente: de um lado o que se recupera, do outro o que se perde para sempre. O contraste mostra que Otelo conhece a diferença e mesmo assim age.
Ato V: A emboscada, o assassinato e a revelação, Otelo
Eu te beijei, depois te matei: só o que deixo, / Matar a mim mesmo e morrer com um beijo.
O beijo e a morte aparecem lado a lado nas duas metades do verso: "te beijei, depois te matei" e "morrer com um beijo". O contraste junta amor e violência numa mesma imagem, sem separá-los.