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Recurso literário

Dístico rimado

No teatro em verso, dois versos seguidos que rimam entre si, em geral no fim de uma cena ou de uma fala, como um fecho que se grava na memória.

Em Otelo

E é isso! Está engendrado! A noite e o inferno fundo / Trarão essa nascença monstra à luz do mundo.

Os dois versos terminam em "fundo" e "mundo", e a rima fecha o ato como uma sentença que se grava na memória. A promessa sombria de Iago ganha, assim, o acabamento de uma fórmula de feitiço.

Ato I: Veneza, a denúncia noturna e o juízo do senado, Iago

Se ela é bela e sábia, saber e belezura / Um é bom pra o uso, o outro para a usura.

Os dois versos rimam em "belezura" e "usura" e fecham o gracejo de Iago com um arremate fácil de repetir, como cantiga de taberna. A rima dá ar de brincadeira a uma ideia que reduz a mulher a coisa de que se tira proveito.

Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio, Iago