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Recurso literário

Repetição

Voltar à mesma palavra, à mesma frase ou à mesma construção, no começo de versos ou de frases seguidas (anáfora) ou ao longo do texto, para dar ritmo, ênfase ou insistência.

Em Otelo

Reputação, reputação, reputação! Perdi toda a reputação!

"Reputação" é dita três vezes seguidas e mais uma na exclamação final. A insistência mostra um homem que só consegue pronunciar a palavra da sua perda, como se nada mais coubesse na dor.

Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio, Cássio

Honesto, senhor? [...] Honesto. Sim, honesto.

A palavra "honesto" passa da pergunta à resposta e volta: "Honesto, senhor?" e "Honesto. Sim, honesto." Sem afirmar nada novo, o eco faz a dúvida crescer, porque repetir a palavra basta para fazê-la soar suspeita.

Ato III: A tentação e o lenço, Iago e, em seguida, Otelo

Sua esposa, senhor, sua esposa casta e leal.

"Sua esposa, senhor, sua esposa" repete a mesma expressão, como quem insiste numa verdade simples. Desdêmona não argumenta, só diz quem é, e a insistência em "esposa" mostra a única identidade que ela reivindica.

Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro, Desdêmona

Não o mal pelo mal, mas pelo mal sanar.

A palavra "mal" volta três vezes num só verso, em "mal pelo mal" e em "mal sanar". A insistência dá ao pedido o tom de máxima curta e firme, de quem repete a mesma palavra para recusar um uso dela e abraçar outro.

Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro, Desdêmona