Palavra, frase ou imagem que volta várias vezes ao longo da obra, ligada a um personagem ou a uma ideia, e ganha sentido a cada retorno.
Em Otelo
O lenço!
O lenço volta várias vezes ao longo da peça: presente, lenda, prova e, no fim, pano achado no chão. Esta exclamação é um desses retornos, em que o objeto já vale como teste de fidelidade.
Ato III: A tentação e o lenço, Otelo
Um homem com chifres é um monstro, é uma besta.
"Monstro" e "besta" retomam a imagem do ciúme como monstro de olho verde e as figuras de bicho que Iago usou desde o Ato I. A palavra volta agora aplicada ao próprio Otelo, e muda de sentido a cada retorno.
Ato IV: A humilhação e o canto do salgueiro, Otelo
Eu o achei por acaso e dei ao meu marido,
O "o" da frase é o lenço, objeto que atravessa a peça como lenda, presente e prova. Aqui ele volta à origem humilde de pano achado "por acaso" e desfaz a falsa prova que Otelo sustentava.