Sinal, dito ou imagem que antecipa, às vezes só para quem relê, algo que vai acontecer mais adiante na obra.
Em Otelo
Se a morte viesse agora, / Seria a máxima alegria, pois eu temo
Otelo diz que a morte seria "a máxima alegria" e teme que nenhuma felicidade futura se iguale a esta. A peça cumpre a fala: ele morrerá no Ato V, por mão própria, ao lado de Desdêmona, e a alegria de agora mede o que se perde.
Ato II: Chipre, a tempestade e a queda de Cássio, Otelo
Rica criatura! Que eu caia em perdição, Mas eu te amo! E quando eu deixar de te amar, Vai ser o Caos novamente.
Otelo diz que, se deixar de amar, "vai ser o Caos novamente". Antes de qualquer insinuação ele já descreve a própria ruína, e a peça cumpre a fala: quando a dúvida chega, é o mundo dele que desmorona.
Ato III: A tentação e o lenço, Otelo
Não, não use veneno; melhor é estrangulá-la
A escolha de "estrangulá-la" já anuncia a morte de Desdêmona no Ato V, em que Otelo a sufoca na cama. Dita agora em tom prático, a frase deixa o leitor saber como a tragédia vai terminar.