O falante se dirige a alguém ausente ou morto, a uma coisa, a um lugar ou a uma ideia, como se pudessem ouvir.
Em Romeu e Julieta
ó amor briguento! ó ódio amoroso!
Com o "ó" repetido, Romeu se dirige ao amor e ao ódio como se pudessem ouvi-lo. A exclamação dá ao desabafo um tom de declamação, de quem fala a conceitos em vez de falar a uma pessoa.
Ato I: A rixa e o baile, Romeu
Oh! coração de serpente, oculto debaixo de um semblante de flores
O "Oh!" inicial dirige a fala diretamente a Romeu, que está ausente. Julieta o acusa como se ele a ouvisse, e a exclamação deixa à mostra a dor e a raiva do momento.
Ato III: Mercúcio, Teobaldo e o banimento, Julieta
Romeu, Romeu, Romeu, aqui está a bebida! Bebo a ti.
Julieta chama "Romeu" como se ele estivesse diante dela e brinda a ele, "bebo a ti". Na ausência do marido, a fala torna a bebida um gesto dirigido a ele.
Ato IV: A poção da morte aparente, Julieta
é assim mesmo? Então eu vos desafio, estrelas!
Romeu fala diretamente às estrelas, "eu vos desafio", como se elas pudessem ouvir e responder. O tom de desafio faz do destino um adversário a quem ele se dirige em voz alta.