Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.
Em Romeu e Julieta
um par de amantes nascidos sob estrela contrária ganha a vida
A "estrela contrária" faz do destino um astro hostil que acompanha os amantes desde o nascimento. A imagem transforma a má sorte em algo fixado no céu, fora do alcance dos dois.
Ato I: A rixa e o baile, o Coro
meu espírito pressente alguma consequência ainda pendurada nas estrelas
A consequência está "pendurada nas estrelas", como um objeto suspenso sobre ele. A imagem faz do futuro algo já pronto e fora do seu controle, à espera de cair.
Ato I: A rixa e o baile, Romeu
o velho desejo agoniza em seu leito de morte, e a afeição jovem boceja à espera de ser a herdeira
O Coro apresenta o desejo antigo como um moribundo no leito e a afeição nova como a herdeira que espera a sua vez. A imagem mostra um sentimento ocupando o lugar do outro como numa sucessão de família.
Ato II: O jardim e o casamento, o Coro
Oh! coração de serpente, oculto debaixo de um semblante de flores
Julieta chama Romeu de "coração de serpente", imagem que lhe empresta a traição e o veneno do animal. Com ela, o marido que amava aparece, por um instante, como um bicho perigoso.
Ato III: Mercúcio, Teobaldo e o banimento, Julieta
vede que flagelo foi lançado sobre o vosso ódio, já que o céu encontra meio de matar as vossas alegrias com o amor!
O Príncipe chama de "flagelo" o que atingiu o ódio das famílias, imagem de castigo violento. A palavra transforma a morte dos filhos em punição lançada de fora.