O tema na obra
A paixão é velocidade. Na cena 5 do Ato I, o amor nasce num baile, de um olhar. Na cena 2 do Ato II, Julieta compara o pacto da noite ao relâmpago, que some antes de alguém dizer "relampeja", e teme a pressa. Na cena 3 do Ato II, Frei Lourenço estranha a mudança tão rápida depois de Rosalina e adverte Romeu de que tropeçam os que correm depressa.
Na cena 5 do Ato II, Julieta espera três horas o recado da Ama e diz que os mensageiros do amor deviam ser pensamentos. Na cena 6 do Ato II, o frei avisa que os prazeres violentos têm fins violentos, e nem Romeu nem Julieta parecem ouvi-lo.
Depois das mortes, a mesma energia vira desespero. Na cena 2 do Ato III, Julieta amaldiçoa o marido e se arrepende na hora, e conclui que a palavra banido pesa mais que a morte do primo. Na cena 3 do Ato III, Romeu cai no chão e saca a espada contra si, e o frei o repreende e lista o que ainda lhe resta.
A paixão em Romeu e Julieta não é defeito de caráter, é o ritmo que a peça dá aos dois: tudo o que fazem cabe em dias, e o que o frei chama de pressa é também o que os aproxima. O mesmo impulso que os casa num dia é o que, no Ato III, os faz tratar o banimento como morte.
Onde aparece
- Cena 5 do Ato I: o amor nascido num baile.
- Cena 2 do Ato II: o pacto da noite como relâmpago.
- Cena 3 do Ato II: o frei adverte contra a pressa.
- Cena 5 do Ato II: a espera pelo recado.
- Cena 6 do Ato II: prazeres violentos, fins violentos.
- Cena 2 do Ato III: Julieta amaldiçoa Romeu e se arrepende.
- Cena 3 do Ato III: Romeu saca a espada contra si.
Passagens
Frei Lourenço, ao receber o pedido de casamento:
Wisely and slow; they stumble that run fast., com sabedoria e devagar; tropeçam os que correm depressa (II.3)
O frei, na hora de casá-los:
These violent delights have violent ends, / And in their triumph die, estes prazeres violentos têm fins violentos, e morrem no próprio triunfo (II.6)
Julieta, ao medir o banimento:
That ‘banished,’ that one word ‘banished,’ / Hath slain ten thousand Tybalts, aquele ‘banido’, aquela palavra só, ‘banido’, matou dez mil Teobaldos (III.2)