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Personagem

Frei Lourenço

Quem é

Frei Lourenço é um frade franciscano de Verona, confessor de Romeu (que o chama de pai espiritual) e de Julieta. Colhe ervas ao amanhecer e sabe que a mesma planta pode dar veneno e remédio. É quem casa os dois, quem arma o plano da poção e quem chega tarde demais à tumba.

Trajetória

Na cena 3 do Ato II, medita sobre os poderes e os perigos das ervas quando Romeu aparece, sem ter dormido. Estranha que ele tenha esquecido Rosalina tão depressa e lembra que o amor dos moços mora nos olhos e não no coração, mas aceita casá-los, na esperança de que a união reconcilie as duas casas, e o manda ir devagar.

Wisely and slow; they stumble that run fast., com sabedoria e devagar; tropeçam os que correm depressa (II.3)
Ato II: O jardim e o casamento

Na cena 6 do Ato II, antes da cerimônia, pede ao céu que o ato não traga tristeza depois e avisa que os prazeres violentos têm fins violentos, e que o mel mais doce enjoa pelo próprio sabor. Aconselha moderação e leva os dois à igreja.

These violent delights have violent ends, / And in their triumph die, estes prazeres violentos têm fins violentos, e morrem no próprio triunfo (II.6)
Ato II: O jardim e o casamento

Na cena 3 do Ato III, conta a Romeu que o Príncipe o poupou da morte e o baniu, e chama o banimento de misericórdia; Romeu o chama de tortura e rejeita a filosofia que o frade oferece. Quando Romeu saca a espada, o frei o repreende (diz que ele tem lágrimas de mulher e fúria de fera) e lista o que lhe resta: Julieta vive, Teobaldo o teria matado e foi morto, a lei que ameaçava de morte o fez exilado. Arma o plano: passar a noite com Julieta, partir antes de a ronda ser posta e ir a Mântua até poder anunciar o casamento e reconciliar as famílias.

Na cena 1 do Ato IV, ouve Páris falar do casamento marcado para quinta-feira e diz, à parte, que gostaria de não saber por que o casamento deveria ser adiado. Julieta ameaça se matar, e ele propõe a poção que a fará parecer morta por quarenta e duas horas, com uma carta para avisar Romeu.

Na cena 5 do Ato IV, quando a casa descobre a noiva morta, consola os pais com palavras sobre o céu e diz que está melhor casada a que morre casada jovem; manda secar as lágrimas e organiza o cortejo, sabendo que ela vive.

Na cena 2 do Ato V, sabe por Frei João que a carta não chegou: o outro frade foi trancado numa casa suspeita de peste. Vê o perigo, pede uma alavanca e vai sozinho à tumba, onde Julieta acordará em poucas horas; pretende escrever de novo a Romeu e escondê-la na cela.

Na cena 3 do Ato V, chega tarde: Romeu e Páris estão mortos. Julieta acorda, e o frei, ouvindo a guarda, a chama para sair, promete entregá-la a um convento de freiras e foge sem ela. A guarda o prende com a alavanca e a pá, trêmulo e a chorar. Diante do Príncipe, conta tudo desde o casamento, diz que a Ama sabe dele e se oferece à lei: o Príncipe responde que sempre o teve por homem santo.

Temas que encarna

O frei encarna uma virtude que o próprio texto diz que pode virar vício. Na cena 3 do Ato II, antes da chegada de Romeu, diz que a virtude vira vício quando mal aplicada; na cena 6 do Ato II, que os prazeres violentos têm fins violentos.

O plano dele nasce de uma boa razão, reconciliar as casas, e depende de uma pressa que ele critica nos outros. Ele pede paciência a Romeu, aos pais de Julieta e a ela mesma, mas o plano dele não dá tempo: o casamento sai no mesmo dia, a poção depende de uma carta que um frade não consegue entregar, e na tumba ele chega tarde e foge. O que fica da cena 3 do Ato V é um frei que, diante do Príncipe, se apresenta como o mais suspeito e o que menos podia fazer, e que oferece a própria vida à lei.

Relações

  • Romeu: o pupilo que ele repreende por ter amado Rosalina por doidice, casa no mesmo dia e impede de se matar, antes de o mandar a Mântua.
  • Julieta: a confessada que o procura com uma faca na mão e que bebe a poção que ele preparou.
  • A Ama: a única outra pessoa que sabe do casamento, segundo o frei diz ao Príncipe.
  • Capuleto: o pai que o louva quando Julieta volta da confissão e a quem ele consola, na manhã das bodas, com palavras sobre o céu.
  • Páris: o noivo que ele recebe na cela e que encontra morto na tumba.