Quem é
A Ama é quem amamentou e criou Julieta: conta na cena 3 do Ato I que a desmamou no dia do terremoto, onze anos antes, e chama a menina de cordeirinha e de joaninha. É a confidente do casamento secreto e a mensageira entre os amantes.
A fala dela, cheia de digressões, graça e grosseria, é, em boa parte da peça, a prosa que contrasta com o verso dos amantes.
Trajetória
Na cena 3 do Ato I, perde-se em lembranças da infância de Julieta enquanto a mãe tenta falar de casamento, e elogia Páris quando ele é apresentado.
Na cena 5 do Ato I, interrompe o beijo dos amantes para dizer a Julieta que a mãe a chama, e conta a Romeu que a mãe dela é a senhora da casa: é por ela que ele descobre que Julieta é uma Capuleto. Depois, a pedido de Julieta, vai saber o nome do desconhecido e volta com a notícia: Romeu, um Montéquio, filho único do grande inimigo.
Na cena 4 do Ato II, humilhada por Mercúcio na rua, cumpre mesmo assim o recado: avisa Romeu que levar Julieta a um paraíso de tolos seria um comportamento grosseiro, recebe dele a mensagem de que ela esteja à tarde na cela de Frei Lourenço e a ordem de esperar atrás do muro da abadia, onde o criado dele trará as cordas. Na saída, diz que Páris quer Julieta, mas que ela preferiria ver um sapo.
Na cena 5 do Ato II, faz Julieta esperar três horas e enrola antes de dar a resposta, entre queixas das costas e elogios a Romeu, mas por fim a manda à cela de Frei Lourenço, onde a espera um marido, e vai buscar a escada.
Na cena 2 do Ato III, chega com as cordas e, desnorteada, deixa Julieta crer que Romeu morreu. Só depois conta que foi Teobaldo, "o melhor amigo que tive", e que Romeu foi banido. Na cena 3 do Ato III, acha Romeu caído no chão e o manda levantar por Julieta, e entrega o anel.
Na cena 5 do Ato III, avisa os amantes ao amanhecer de que a mãe vem ao quarto. Quando Capuleto ataca a filha, defende Julieta diante dele e ouve do patrão que se cale. Mas, quando Julieta pede consolo, aconselha casar com Páris: Romeu está banido, Páris é mais bonito, Romeu é um pano de prato perto dele. Julieta jura que dali em diante a Ama e o coração dela serão dois.
Na cena 3 do Ato IV, é dispensada para a noite; na cena 5 do Ato IV, é a primeira a encontrar Julieta imóvel na cama, depois de tentar acordá-la com brincadeiras. Sai depois do lamento e não volta à peça: só é citada pelo frei, que diz ao Príncipe que ela sabe do casamento.
Temas que encarna
A mesma pessoa que leva o recado do casamento, que defende Julieta diante do pai e que chora Teobaldo é quem, na hora em que Julieta mais precisa, diz que o segundo marido vale mais que o primeiro. Na cena 4 do Ato II, ela já tinha dito a Romeu que a moça preferiria ver um sapo a Páris.
A Ama pensa o casamento como acomodação prática, e é por isso que o afeto dela é real e não ajuda. Para Julieta, que já tinha se casado, ouvi-la repetir o que dizem a mãe e o pai é perder a última confidente, e o que a magoa é dito sozinha, depois de a Ama sair: o pecado maior da Ama é falar mal de Romeu com a mesma língua com que tantas vezes o elogiou.
Relações
- Julieta: a menina que ela criou, e que a deixa de lado ao fim da cena 5 do Ato III.
- Romeu: o rapaz de quem ela desconfia no começo e a quem serve de mensageira.
- Mercúcio: o rapaz que a humilha na rua.
- Teobaldo: o que ela chora como o melhor amigo que teve.
- Frei Lourenço: o frade de quem ela admira o conselho e que depois a cita como cúmplice.
- Capuleto: o patrão a quem ela responde, e que a manda calar.
- Páris: o pretendente que ela elogia a Julieta, embora saiba que a moça o recusa.