Quem é
Capuleto é o chefe da casa dos Capuleto, pai de Julieta e tio de Teobaldo. É o patriarca que protege a vontade da filha numa cena e a ameaça noutra, e a peça o mostra mandando a filha calar na hora em que ela pede para falar.
Trajetória
Na cena 1 do Ato I, chega à briga pedindo a espada comprida, e a mulher lhe diz que o que ele precisa é uma muleta. O Príncipe Escalo o ameaça de morte, e a Montéquio também, se voltarem a perturbar a paz.
Na cena 2 do Ato I, diz a Páris que Julieta, sem catorze anos, ainda é nova, e que ele deve primeiro conquistar o coração dela.
woo her, gentle Paris, get her heart, / My will to her consent is but a part, conquiste-a, gentil Páris, ganhe o coração dela: a minha vontade é só uma parte do consentimento dela (I.2)
Convida Páris para o baile daquela noite. Na cena 5 do Ato I, recebe os convidados e, quando Teobaldo quer matar Romeu ali, contém-no: diz que Verona se orgulha do rapaz, que o tem por virtuoso e bem governado, e pergunta a Teobaldo quem é o dono da casa.
Na cena 4 do Ato III, tarde da noite, diz a Páris que não houve tempo de falar com a filha, enlutada por Teobaldo, mas que se sente seguro de que ela o obedecerá, e fixa o casamento para a quinta-feira, em festa pequena, por respeito ao morto.
Na cena 5 do Ato III, quando a mulher lhe diz que Julieta recusa, explode: manda que a filha vá à igreja na quinta ou nunca mais lhe olhe o rosto, manda a Ama calar a boca e diz que, se ela não for dele, que mendigue, passe fome e morra na rua. Na cena 2 do Ato IV, quando Julieta, de joelhos, pede perdão, adianta o casamento para a manhã seguinte e passa a noite cuidando da festa, com o coração leve por ter a filha emendada.
Na cena 5 do Ato IV, acha a filha fria e diz que a morte é o seu genro.
Death is my son-in-law, death is my heir, a morte é meu genro, a morte é meu herdeiro. (IV.5)
Na cena 3 do Ato V, chega à tumba, vê a filha morta com a adaga e diz que a adaga se enganou: a bainha dela está vazia nas costas de Montéquio. Estende a mão a Montéquio, e os dois prometem estátuas de ouro, de Julieta e de Romeu.
Temas que encarna
O mesmo homem que diz que a vontade dele é só uma parte do consentimento da filha ameaça-a de rua e de fome quando o consentimento não vem. Na cena 5 do Ato I, protege Romeu; na cena 3 do Ato V, só estende a mão a Montéquio diante dos mortos.
Capuleto mostra a Família como autoridade que muda de tamanho segundo a conveniência, e no baile protege Romeu também para a festa não se desfazer. O pai de Julieta nunca age por maldade declarada: apressa o casamento para consolar a filha e a ameaça por achar ingrata. É essa mistura de cuidado e mando que a poção explora, porque ele acredita no que quer ver, a filha reconciliada, e só vem a saber do que se passava por trás quando o frei conta tudo, diante dele, na tumba.
Relações
- Julieta: a filha única, de quem ele diz primeiro querer o consentimento e depois exige a obediência.
- Páris: o genro que ele escolhe e a quem apressa o casamento.
- Teobaldo: o sobrinho que ele repreende no baile e cuja morte usa para justificar a festa pequena.
- A Ama: a criada que ele manda calar quando ela defende Julieta.