Clavis Libri

Romeu e Julieta · Ato II

O jardim e o casamento

Prólogo

Resumo da seção

O Coro anuncia que o antigo desejo de Romeu por Rosalina morreu e que ele e Julieta agora se amam. Ele, porém, é tido como inimigo e não pode jurar amor a ela, que tem ainda menos meios de encontrá-lo. A paixão lhes dá força, e o tempo lhes dá ocasião de se verem.

Análise

Now old desire doth in his deathbed lie, / And young affection gapes to be his heir, o velho desejo agoniza em seu leito de morte, e a afeição jovem boceja à espera de ser a herdeira (Prólogo II)

Cena I: Romeu salta o muro do pomar

Resumo da seção

Depois do baile, Romeu não consegue ir embora e pula o muro do pomar dos Capuleto. Benvólio e Mercúcio o procuram pela rua, e Mercúcio o convoca com zombarias grosseiras sobre Rosalina, sem saber que a paixão por ela já acabou. Sem resposta, os dois desistem e vão embora.

Cena II: Declaração no jardim dos Capuleto

Resumo da seção

No jardim, Romeu vê Julieta à janela e a ouve lamentar que ele tenha o nome de um Montéquio. Ele se revela, e os dois trocam juras, ela receosa de que tudo seja rápido demais. Julieta combina que, se ele pensa em casamento, responda no dia seguinte, pelo mensageiro que ela enviará às nove, com o lugar e a hora. A despedida se arrasta até quase o amanhecer.

Análise

What’s in a name? That which we call a rose / By any other name would smell as sweet, o que há num nome? Aquilo a que chamamos rosa, com qualquer outro nome teria o mesmo perfume (II.2)

Para discutir Julieta acha que o nome de Romeu não é parte dele: o que o nome de uma família significa para quem nasce nela?

Cena III: Romeu pede casamento ao frei

Resumo da seção

Ao amanhecer, Frei Lourenço colhe ervas e medita sobre o veneno e o remédio que cada planta guarda. Romeu chega, sem ter dormido, e pede que ele o case com Julieta ainda naquele dia. O frei estranha a mudança tão rápida depois de Rosalina, mas aceita, esperando que a união reconcilie as duas casas, e adverte o rapaz a ir devagar.

Análise

Wisely and slow; they stumble that run fast., com sabedoria e devagar; tropeçam os que correm depressa (II.3)

Para discutir Frei Lourenço aceita casar os jovens pela esperança de pôr fim à rixa das famílias: é razão suficiente para um casamento feito às pressas?

Cena IV: Mercúcio, Romeu e a Ama na rua

Resumo da seção

Na rua, Mercúcio e Benvólio sabem que Teobaldo mandou um desafio à casa de Romeu. Quando Romeu chega, os três trocam trocadilhos. A Ama aparece com o criado Pedro em busca de Romeu e é humilhada por Mercúcio. Romeu manda dizer a Julieta que esteja à tarde na cela de Frei Lourenço para casar e promete uma escada de cordas para a noite.

Cena V: Julieta espera o recado da Ama

Resumo da seção

Julieta espera, impaciente, a volta de A Ama, que levou três horas para voltar. A Ama chega cansada e dolorida e enrola antes de responder, entre elogios a Romeu e queixas das costas. Quando por fim fala, manda Julieta à cela de Frei Lourenço, onde um marido a espera, e vai buscar a escada.

Análise

Love’s heralds should be thoughts, / Which ten times faster glides than the sun’s beams, os mensageiros do amor deviam ser pensamentos, que deslizam dez vezes mais rápido que os raios do sol (II.5)

Cena VI: O encontro na cela do frei

Resumo da seção

Na cela, Frei Lourenço pede ao céu que o ato não traga tristeza depois, e Romeu responde que nenhuma dor anula a alegria de um minuto com ela. O frei aconselha moderação no amor. Julieta chega, e os dois dizem que a alegria deles não cabe em palavras. Frei Lourenço os leva para a igreja a fim de casá-los.

Análise

These violent delights have violent ends, / And in their triumph die, estes prazeres violentos têm fins violentos, e morrem no próprio triunfo (II.6)

Para discutir Na hora de casar os dois, o frei fala de prazeres violentos que acabam em violência: Romeu e Julieta parecem ouvi-lo?

Tema central

Análise

O ato é feito de velocidades diferentes. Julieta, no jardim, chama o pacto daquela noite de rápido demais, como o relâmpago que some antes de alguém dizer "relampeja"; o frei pede que Romeu vá devagar; a Ama, em compensação, demora três horas e faz Julieta esperar. No meio disso, o casamento é combinado em menos de um dia: pedido ao amanhecer, resposta ao meio-dia, cerimônia à tarde.

Os nomes pesam no ato inteiro. Julieta pede que Romeu deixe de ser Montéquio, e ele aceita ser rebatizado "amor", mas é o nome que os esconde, que obriga o recado a passar pela Ama, o encontro a ser na cela e a união a depender de um frei. A rixa das famílias não aparece nas cenas de amor como cenário: ela dita as regras de cada gesto.

Frei Lourenço diz que a mesma planta guarda veneno e remédio e que a virtude vira vício quando mal aplicada, e essa fala serve também ao plano dele: casar os dois para acabar com o ódio é uma boa razão, mas fica ligada a uma pressa que ele mesmo critica. Ao lado dele, a linguagem de Mercúcio e da Ama, cheia de trocadilhos e grosserias, lembra que o amor de Romeu e Julieta acontece num mundo de gente que ri dele. O contraste entre o verso alto do jardim e a prosa da rua dá ao ato sua textura.