Clavis Libri

Tema em Romeu e Julieta

Destino e livre-arbítrio

O quanto a vida de alguém já está decidida, pelos deuses, pela fortuna, pela providência ou pelo acaso, e o quanto depende da escolha dele. Entram profecia, oráculo, sorte, predestinação e a pergunta sobre quem responde pelo que acontece.

O tema na obra

O prólogo do Ato I apresenta os amantes como nascidos sob estrela contrária e antecipa a morte deles. Na cena 4 do Ato I, antes do baile, Romeu pressente alguma consequência ainda pendurada nas estrelas, mas segue o grupo.

Na cena 1 do Ato III, depois que Mercúcio morre em seu lugar, Romeu atribui a fraqueza ao amor por Julieta e passa a se dizer joguete do destino. A sequência das cenas sugere: o duelo que ele recusa o alcança de qualquer modo, e a vingança que ele toma o expulsa de Verona.

Na cena 1 do Ato V, ao ouvir que Julieta morreu, Romeu desafia as estrelas e decide voltar a Verona naquela noite, com o que sabe. Na cena 2 do Ato V, a razão de não haver carta é Frei João, trancado numa casa suspeita de peste. Na cena 3 do Ato V, o Príncipe lê o conjunto como flagelo sobre o ódio das famílias.

A peça deixa as estrelas falarem no começo e no fim, mas o que as cenas mostram em volta são escolhas e intervalos: um duelo aceito, uma carta retida, minutos de atraso. Destino e livre-arbítrio não competem aqui, se alternam: cada personagem age com o que sabe, e o conjunto parece destino a quem vê de fora.

Onde aparece

Passagens

O Coro, no Prólogo do Ato I:

A pair of star-cross’d lovers take their life;, um par de amantes nascidos sob estrela contrária ganha a vida; (Prólogo)
Ato I: A rixa e o baile

Romeu, a caminho do baile:

my mind misgives / Some consequence yet hanging in the stars, meu espírito pressente alguma consequência ainda pendurada nas estrelas (I.4)
Ato I: A rixa e o baile

Romeu, ao saber da morte de Julieta:

Is it even so? Then I defy you, stars!, é assim mesmo? Então eu vos desafio, estrelas! (V.1)
Ato V: A tumba e a reconciliação