Clavis Libri

Tema em Romeu e Julieta

Amor

O amor como vínculo que move a obra: amor romântico, amor cortês, amor de pai e de filho, amor a Deus.

O tema na obra

O amor entra na peça já colado ao ódio. Na cena 1 do Ato I, Romeu responde à briga recém-apagada com paradoxos, e o que sente por Rosalina é linguagem de poeta, fórmula pronta para uma mulher que ninguém vê. Na cena 5 do Ato I, ao ver Julieta, ele esquece Rosalina; os dois falam em versos de peregrino e santa e se beijam, até a Ama revelar que cada um é da casa inimiga.

No jardim, na cena 2 do Ato II, os dois trocam juras, e Julieta receia que tudo seja rápido demais; o nome de Romeu é o obstáculo. Na cena 5 do Ato II, a espera pelo recado mostra Julieta impaciente, e na cena 6 do Ato II a alegria deles, na cela de Frei Lourenço, não cabe em palavras, enquanto o frei pede moderação.

Depois do banimento, o amor é o que sustenta cada um contra a casa e a lei. Na cena 5 do Ato III, os dois se despedem ao amanhecer e Julieta recusa o casamento com Páris. Na cena 3 do Ato IV, ela bebe a poção em brinde a Romeu, e na cena 3 do Ato V os dois morrem: Romeu bebe o veneno depois de beijar Julieta, e ela se mata com a adaga dele. O Príncipe lê o conjunto como o céu matando as alegrias das famílias com o amor.

O amor de Romeu e Julieta nunca aparece fora da pressão das duas casas: cada cena de ternura é também uma cena de esconderijo, recado ou despedida. A peça mostra o que esse amor custa num mundo que não o deixa existir à luz do dia.

Onde aparece

Passagens

O amor nasce do ódio, e Julieta diz isso ao descobrir quem ele é:

My only love sprung from my only hate!, meu único amor nasceu do meu único ódio! (I.5)
Ato I: A rixa e o baile

O amor tem pressa, e Julieta quer mensageiros mais rápidos que a luz:

Love’s heralds should be thoughts, / Which ten times faster glides than the sun’s beams, os mensageiros do amor deviam ser pensamentos, que deslizam dez vezes mais rápido que os raios do sol (II.5)
Ato II: O jardim e o casamento

Antes de beber, Julieta brinda a Romeu:

Romeo, Romeo, Romeo, here’s drink! I drink to thee., Romeu, Romeu, Romeu, aqui está a bebida! Bebo a ti. (IV.3)
Ato IV: A poção da morte aparente