Clavis Libri

Crime e Castigo

Discussões

Perguntas abertas que o livro deixa, para levar à aula, ao grupo de leitura ou para pensar sozinho.

Primeira Parte: O crime

Raskólnikov dá à primeira visita o nome de ensaio e, ao sair, diz a si mesmo que o que pensou é um absurdo. O que o nome de ensaio permite a ele guardar intacto?

Marmieládov pede que o crucifiquem e não que tenham pena dele, e a taberna ri; Raskólnikov, ao sair, dá as moedas e se arrepende. O que cada um dos dois, o bêbado e o ouvinte, espera de quem tem pena?

Raskólnikov intervém pela moça do bulevar, depois manda o guarda deixá-la e se arrepende dos vinte copeques. O que decide, em cada momento, o lado do gesto?

O livro faz Raskólnikov ouvir a hora de Lisavieta logo depois de ele renunciar ao plano. Se a informação lhe chegasse por outro caminho, a renúncia teria durado mais?

O estudante dá a conta e recua quando o oficial pergunta se ele mesmo mataria a velha. O que a conversa dá a Raskólnikov, que escuta a mesma ideia já presente em sua cabeça?

No sonho, o menino que Raskólnikov foi chora pela égua morta e, ao acordar, ele jura que não suportará o crime. No dia seguinte ao sonho, golpeia a velha quase sem esforço. O que o livro mostra com a distância entre o que ele sente e o que ele faz?

Raskólnikov decide sem hesitar que o casamento de Dúnia não se fará, mas nunca decide matar com a mesma clareza. Onde o livro põe a responsabilidade dele pelo crime: no que decide, ou no que faz sem decidir?

A teoria ouvida de um estranho na taberna (uma morte por cem vidas) e o motivo íntimo (livrar Dúnia de Lújin) apontam para lados diferentes, um frio e abstrato, outro pessoal. Por que o livro dá a Raskólnikov os dois ao mesmo tempo?

Segunda Parte: O inquérito

Raskólnikov vai à delegacia disposto a contar tudo se lhe perguntarem, descobre que a intimação é por dívida, fala demais e logo desmaia. O que ele quer da polícia ao entrar, e o que quer ao sair?

Raskólnikov procura Razumíkhin para pedir ajuda, aceita o trabalho e as moedas, e as devolve em seguida. O que ele precisava dizer a Razumíkhin, e o que o faz calar?

Razumíkhin cuida de Raskólnikov, paga a dívida com a senhoria e o veste de novo sem lhe pedir nada. Por que cada gesto de cuidado é recebido por Raskólnikov com recusa, aversão ou silêncio?

Razumíkhin diz que fatos não bastam e que é preciso saber lidar com eles, e admite que o estojo da velha estava na mão do pintor no mesmo dia. O que deve pesar mais como prova: o objeto achado, ou o estado de espírito de quem o achou?

Lújin expõe a doutrina do cafetã inteiro numa sala de desconhecidos, e Raskólnikov responde que dela se tira o direito de matar. De onde ele tira essa consequência tão depressa, e por que reage a Lújin com uma violência que não dedicou a mais ninguém na sala?

No Palácio de Cristal Raskólnikov descreve a Zamiótov como esconderia o butim de um roubo e, em seguida, pergunta se não foi ele quem matou. Por que descreve o esconderijo antes da pergunta, e o que espera que Zamiótov faça com ela?

Marmieládov tenta falar com Catierina Ivánovna, que o manda calar sabendo o que ele quer dizer, e pede perdão a Sônia. O que cada uma das duas mulheres faz com o pedido de perdão?

Raskólnikov joga na água os vinte copeques que recebeu de esmola e, dias depois, entrega vinte rublos a Catierina Ivánovna. O que o livro mostra na diferença entre os dois gestos?

Terceira Parte: A teoria

Raskólnikov exige que Dúnia rompa com Lújin e, na mesma fala, chama o casamento de canalhice e a si mesmo de canalha. O que a exigência ganha com essa autoacusação?

Razumíkhin defende errar à própria maneira e, na mesma noite, jura a Pulkhéria Alieksándrovna que o filho dela corre risco. O que ele sabe, e o que apenas teme, sobre o estado de Raskólnikov?

Razumíkhin descreve um Raskólnikov que alterna frieza e afeto, e Pulkhéria Alieksándrovna teme um filho capaz de passar por cima de tudo. O que cada um dos dois sabe do mesmo homem que o outro não sabe?

Dúnia decide, sem dar razões, que o irmão estará na reunião das oito apesar da carta de Lújin. O que a decisão dela tira do poder do noivo?

Dúnia diz que se casa por si e não por sacrifício, e o irmão responde que isso é mentira. O que cada um dos dois ganha em ter razão sobre os motivos dela?

Dúnia diz que ainda não matou ninguém e Raskólnikov empalidece. Que outras explicações o capítulo dá para a palidez, e quais deixa abertas?

Raskólnikov apresenta Sônia à mãe e à irmã com firmeza, depois de ter dito que a vira pela primeira vez no dia anterior. O que ele responde, com esse gesto, à carta de Lújin, e o que arrisca?

Raskólnikov escolhe ir a Porfiri antes de ser chamado e leva Razumíkhin consigo. O que ele ganha com a companhia do amigo, e o que arrisca?

Raskólnikov expõe a teoria por inteiro diante de Porfiri, mas, quando a pergunta passa a ser sobre ele mesmo, só responde que não diria. O que muda para ele entre uma pergunta e outra?

Razumíkhin formula a objeção mais grave da cena, o sangue autorizado em nome da consciência, sem saber do crime. O que isso mostra sobre a diferença entre discutir uma ideia e viver com ela?

Raskólnikov diz sozinho que matou um princípio e não uma pessoa. O que essa frase tenta salvar da teoria, e o que ela deixa de fora?

Raskólnikov explica a Razumíkhin como um culpado se sairia melhor e o faz com gosto. O que a explicação mostra dele que o argumento em si não mostra?

Um desconhecido o chama de assassino na rua e, horas depois, ele sonha que a velha ri dos golpes. Que relação o capítulo cria entre ser acusado por fora e ser desmentido por dentro?

Quarta Parte: O cerco

Raskólnikov diz a Svidrigáilov que sempre achou que algo assim lhe acontecia, e logo se espanta de ter dito. O que o leva a falar, e por que ele se assusta com a própria frase?

Dúnia exige que Lújin se reconcilie com Raskólnikov na frente de todos e põe a escolha em termos de um ou outro. O que ela quer apurar com essa exigência, e o que Lújin entende que ela quer?

Raskólnikov rompe com a família no instante em que Razumíkhin lhe oferece a chance de ficarem todos juntos, e pede ao amigo que fique no lugar dele. O que o afastamento protege, e a quem?

Raskólnikov pede a Sônia que leia justamente a ressurreição de Lázaro, e não outro trecho, e nunca explica a escolha. Por que esse texto, e o que ele espera ouvir?

Svidrigáilov, com os fantasmas e a eternidade como um quarto de aranhas, e Raskólnikov, com a hipótese de que talvez Deus não exista, levantam a mesma dúvida sobre o que sobra da vida além dela mesma. O livro trata isso como a mesma pergunta em duas bocas, ou como duas descrenças de natureza diferente?

Porfiri diz que quem mente bem é traído pela natureza, que o faz empalidecer ou desmaiar na hora mais interessante. Na cena, o que Raskólnikov faz que corresponde a isso, e o que ele faz que Porfiri não consegue usar?

Porfiri descreve o próprio método como esperar que a natureza do culpado o traia, e acaba de ouvir do pintor Nikolai a confissão do crime, dita com palavras que ele diz não serem dele. O que a cena mostra sobre o alcance e o limite desse método?

Quinta Parte: A confissão

Lújin pede que Liebeziátnikov fique na sala, quer saber se Raskólnikov está nas exéquias e dá dez rublos em segredo, pedindo que seu nome não apareça. O que cada um desses cuidados prepara?

Catierina gasta o dinheiro do enterro numa recepção para pessoas que a desprezam e, quando elas faltam, vira-se contra Amália. A quem ela fala, em cada momento do jantar?

Lújin é desmascarado diante de todos e sai da casa meia hora depois, sem castigo à vista, enquanto Sônia, inocente, tem uma crise de choro e foge. O que o livro pede ao leitor ao fazer a vitória de Sônia terminar assim?

Em poucos minutos Raskólnikov diz a Sônia que matou para roubar, para ajudar a mãe, para se tornar Napoleão, para matar um piolho e para si mesmo, e desmente cada razão logo depois. Isso mostra um homem que mente, ou um que ainda não sabe por que matou?

Sônia manda Raskólnikov beijar a terra num cruzamento e dizer em voz alta que matou; no mesmo dia, Catierina leva os filhos à rua para mostrar ao mundo que são órfãos de nobre. O que os dois gestos públicos têm em comum, e o que os separa?

Svidrigáilov usa as palavras que Raskólnikov disse a Sônia para justificar o dinheiro que dá a Catierina morta. O que a frase quer dizer na boca de Raskólnikov e o que quer dizer na dele?

Sexta Parte: A entrega

Depois de dias sem conseguir ficar só nem acompanhado, Raskólnikov reage à visita de Razumíkhin dizendo a si mesmo que a luta voltou e que isso é uma saída. O que ele chama de saída, e por que um adversário lhe serve mais do que a névoa?

Porfiri diz que não prende Raskólnikov porque só tem psicologia, e mesmo assim lhe oferece a entrega voluntária com abatimento. O que ele ganha com a entrega que a prisão não lhe daria?

Raskólnikov decide matar Svidrigáilov se ele usar o segredo contra Dúnia e, mesmo assim, o procura sem saber o que espera dele. O que o texto sugere que ele procura nesse homem?

Svidrigáilov descreve Dúnia como alguém que quer padecer por outro e diz que foi a pena por ele que a aproximou. A descrição se confirma no que Dúnia diz e faz a partir do capítulo V?

Dúnia atira duas vezes e, no instante em que podia atirar de novo, joga o revólver fora. O que ela entende naquele momento para deixar de atirar?

Svidrigáilov devolve a chave e manda Dúnia embora depois que ela diz nunca, e de madrugada se mata. Que ligação o romance faz entre os dois gestos, a chave e o tiro?

A frase de Dúnia pressupõe um crime a lavar, e a reação dele nega o crime. Por que a negação não o faz recuar da entrega?

Raskólnikov beija a terra na praça por lembrar a instrução de Sônia, e a multidão ri e não ouve nada. Que sentido tem esse gesto se ninguém o recebe como confissão?

Epílogo: A ressurreição

Pulkhéria constrói a sua versão da partida do filho e quase nunca pergunta onde ele está, e Dúnia e Razumíkhin evitam o assunto diante dela. O que cada um dos três protege ao não dizer?

No tribunal Raskólnikov diz que se entregou por arrependimento franco, e na prisão o narrador afirma que ele não se arrependia do crime. O que cada afirmação conta como arrependimento?

No sonho da peste, cada contaminado julga ter sozinho a verdade, e, depois da doença, Raskólnikov se lança aos pés de Sônia. Que relação o livro estabelece entre uma coisa e outra?

A última frase diz que a história da renovação de Raskólnikov poderia ser tema de um novo relato e que o relato presente está concluído. O que o romance ganha e o que perde ao não narrar essa renovação?

A obra inteira

Raskólnikov diz ter matado para provar que não era um piolho, e não para ajudar a mãe: as duas razões se excluem, ou o livro precisa das duas?

Porfiri não tem prova nenhuma e mesmo assim vence: o que o livro diz sobre a relação entre a verdade e a prova?

Svidrigáilov e Sônia são as duas saídas que a Sexta Parte põe diante de Raskólnikov. O que cada um deles sabe sobre ele que ele mesmo não sabe?

O epílogo anuncia uma renovação que já seria outra história. O romance a prepara, ou ela chega de fora?