Clavis Libri

Crime e Castigo · Primeira Parte

O crime

Resumo da parte

O fio que atravessa esta parte não é o crime em si, mas a distância entre a ideia pensada e o corpo que a executa. Rodion Românovitch Raskólnikov chega à página um já com a "coisa" ruminada na cabeça há um mês; os sete capítulos mostram essa ideia sendo empurrada para fora dele por três forças que se cruzam sem que ele as controle: a carta da mãe que lhe dá um motivo moral (salvar Dúnia do próprio sacrifício), a conversa de taberna que lhe dá uma teoria (a aritmética do bem maior) e uma cadeia de coincidências (o horário de Lisavieta, o machado sob o banco) que lhe dá a oportunidade. O capítulo do sonho do cavalo é a dobradiça: ali ele chora de compaixão pela égua e jura não aguentar, minutos antes de a "coincidência" fechar a armadilha. A Primeira Parte termina sem que Raskólnikov tenha, em nenhum momento, decidido matar com a mesma vontade com que executa o gesto.

Capítulo I: O ensaio

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov, estudante que abandonou a universidade por falta de dinheiro, sai de seu cubículo de sótão no começo de julho, sob um calor sufocante, e desce a escada às pressas para não cruzar com a senhoria a quem deve: o que o faz fugir dela não é medo da cobrança, é a repulsa de ter de parar, ouvir, desculpar-se e mentir. Está a caminho da casa da penhorista Aliena Ivánovna, onde esteve uma vez, porque quer fazer uma prova do que há um mês rumina como fantasia. Conta os passos da própria porta até o portão da velha (setecentos e trinta) e se irrita com o chapéu alto e roto, que qualquer testemunha lembraria depois: o que o ocupa é que um detalhe tolo pode estragar o plano inteiro.

Análise

Ainda na rua, falando sozinho, ele mede o projeto contra o medo que a escada lhe deu:

На какое дело хочу покуситься и в то же время каких пустяков боюсь!, Que empreitada eu quero ousar e, ao mesmo tempo, de que ninharias eu tenho medo!

Desbloquear com a assinatura

Assinatura

A análise completa de cada parte de Crime e Castigo está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.

Ver os planosJá assina? Entrar

Capítulo II: Marmieládov

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov, que passou um mês fugindo de todos, sente de repente sede de gente e prefere ficar na taberna de porão, apesar da sujeira. Um funcionário bêbado de mais de cinquenta anos, de fala rebuscada, dirige-se a ele: é Semion Zakhárovitch Marmieládov, conselheiro titular, que o escolhe por julgá-lo homem instruído e sensível, quando os fregueses só riem dele. Conta que a mulher, Catierina Ivánovna Marmieládova, viúva de oficial, com três filhos, tísica e altiva, casou com ele chorando e torcendo as mãos, porque nenhum parente a acolhia, e que ele perdeu o emprego duas vezes.

A filha do primeiro casamento, Sófia Semeónovna Marmieládova, saiu uma tarde, depois de a madrasta lhe dizer com ironia que fosse, e voltou com trinta rublos; hoje vive com o bilhete amarelo, em casa do alfaiate Kapiernaúmov, e ajuda a família às escondidas. Marmieládov recuperou o emprego há cinco semanas e, no dia seguinte ao primeiro salário, roubou a chave do baú da mulher e bebeu cinco noites a fio. Hoje pediu a Sônia dinheiro para a ressaca, e ela deu os últimos trinta copeques.

Quando o dono da taberna pergunta de que adianta ter pena dele, Marmieládov pede que o crucifiquem, não que o lastimem. A taberna ri. Raskólnikov o leva para casa; Catierina Ivánovna o arrasta pelos cabelos enquanto ele grita que isso lhe dá prazer. Raskólnikov deixa na janela, sem ser visto, as moedas de cobre que lhe restam e, na escada, se arrepende. Na rua conclui que o homem se acostuma a tudo.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo III: A carta da mãe

Resumo do capítulo

No dia seguinte, Raskólnikov acorda tarde, irritado, no quarto minúsculo que mais parece um armário. A criada Nastácia lhe traz chá requentado e, falando sem parar, avisa que a senhoria vai queixar-se dele à polícia porque ele não paga nem sai. Quando ela pergunta o que faz o dia inteiro estirado, ele responde que trabalha, pensando, e que quer um capital inteiro de uma vez, pois aulas pagas em cobre não resolvem nada. Ela lembra que chegou uma carta na véspera, e ele a manda embora, beija o envelope e o abre: é da mãe, Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova.

Ela conta que a irmã, Avdótia Românovna Raskólnikova, foi governanta na casa de Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov, tomou cem rublos adiantados, para enviar a ele sessenta, e sofreu o assédio do patrão, que lhe propôs fugirem juntos. A mulher dele, Marfa Pietróvna, surpreendeu os dois no jardim, bateu em Dúnia e a mandou de volta numa carroça de camponês; a cidade desprezou as duas por um mês, até Svidrigáilov se arrepender e a esposa ler em voz alta a carta em que Dúnia o repelira. Então Piotr Pietróvitch Lújin, conselheiro da corte de quarenta e cinco anos, pediu Dúnia em casamento, e ela aceitou depois de uma noite sem dormir. Raskólnikov lê chorando, termina pálido, com um sorriso amargo, e sai pela cidade falando sozinho.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo IV: O cálculo de Dúnia

Resumo do capítulo

Com a carta ainda na cabeça, Rodion Românovitch Raskólnikov decide que o casamento de Avdótia Românovna Raskólnikova com Piotr Pietróvitch Lújin não se fará enquanto ele viver. Em monólogo, desmonta a carta: o noivo que deixa a mulher e a sogra viajarem de terceira classe, a mãe que se resigna a morar longe da filha. Conclui que Dúnia aceita Lújin não por interesse, mas para ajudar o irmão e a mãe, como Sófia Semeónovna Marmieládova se vendeu pela família, e que o preço, para ele, é estudar e virar sócio do noivo.

No bulevar, vê uma moça bêbada, de vestido rasgado, e um janota que a segue. Enfurecido, grita ao homem o nome de Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov como insulto; chama um guarda, explica que a moça foi embebedada e enganada e lhe dá vinte copeques. Quando a moça sai andando, com o janota atrás, manda o guarda deixar, que o homem se divirta, e se arrepende dos vinte copeques. No banco, pensa na palavra percentual e em Dúnia. Então se pergunta para onde ia: a Dmitri Prokófitch Razumíkhin, antigo colega, rapaz alegre e pobre que se sustenta sozinho, a quem evitou até na rua.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo V: O sonho do cavalo

Resumo do capítulo

A ideia de procurar o amigo, que ele adia mentalmente para depois daquilo, o assusta: percebe o que disse a si mesmo, pergunta-se se aquilo vai mesmo acontecer e foge do banco. Não quer voltar ao quarto, onde o plano amadureceu, e vaga pelas ilhas do Neva, olhando flores, carruagens e casas de veraneio, até beber um cálice de vodca, comer uma torta e, tonto, cair no mato da ilha Petróvski, onde dorme e tem um sonho. No sonho, é um menino de sete anos num dia de festa, passeando com o pai rumo ao cemitério, onde estão a avó e um irmãozinho morto; na porta de uma taberna, Mikolka, camponês forte e bêbado, atrela uma égua magra a uma carroça pesada e chama todos para subir, porque a fará correr; como ela não consegue, bate nela com o chicote, depois com a vara da carroça e, por fim, com uma barra de ferro, até matá-la, enquanto o menino corre entre os adultos, chora, tenta protegê-la e é puxado pelo pai (é coisa de bêbados, não é da nossa conta). O fecho da cena é o gesto do menino diante do animal já morto:

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo VI: A teoria e o preparo

Resumo do capítulo

O narrador conta o que Raskólnikov soube depois: o casal de comerciantes que ele ouviu na praça Siénnaia convidou Lisavieta para vender roupas de uma família empobrecida, e ele, supersticioso, via nisso um sinal, como no que ouvira seis semanas antes, ao sair da casa da velha onde deixara o anel de ouro da irmã. Numa tabernazinha, um estudante dissera a um oficial que a penhorista, rica e impiedosa, maltratava a irmã, que vive grávida, e a deserdara em favor de um mosteiro, e que ele a mataria sem remorso, pois uma morte pagaria cem vidas; mas, quando o oficial perguntou se ele mesmo a mataria, respondeu que não.

No dia do crime, Raskólnikov acorda tarde, mal come e sonha com um oásis africano; ao toque de um relógio, salta: é quase hora. Costura no casaco uma alça para pendurar o machado, prepara o falso penhor, uma tábua e uma lâmina de ferro embrulhadas, e desce os treze degraus. Contava pegar o machado na cozinha da senhoria, mas Nastácia está lá; então vê um machado debaixo do banco da portaria, onde o zelador está ausente, e o prende na alça. Passadas as sete e dez, chega ao prédio por outro lado, sobe sem encontrar ninguém e toca a campainha três vezes, até ouvir o trinco ser levantado.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Capítulo VII: O crime

Resumo do capítulo

A porta se abre uma fresta, e Raskólnikov entra na sala sem convite. Diz à velha que trouxe o penhor e, quando ela se vira para a janela a fim de desatar o laço do embrulho, solta o machado da alça e golpeia a cabeça dela com o lado cego; dois outros golpes a matam. Tira do bolso dela o molho de chaves, corta do pescoço o cordão com duas cruzes, abre o baú sob a cama e enche os bolsos de joias. Ouve um som no outro cômodo: Lisavieta, que voltou antes da hora, está parada diante da irmã morta. Recua sem gritar, ergue o braço como quem o afasta, e ele a mata com o gume do machado.

Lava as mãos e o machado e percebe que a porta da escada ficou aberta desde sempre. Tranca-a; ouve passos subindo: um visitante corpulento, Kokh, e um rapaz notam que a porta está presa por dentro, e o rapaz desce para buscar o zelador. Raskólnikov destranca, sai, esconde-se no apartamento vazio do segundo andar, onde pintores deixaram a porta aberta, até os passos passarem; depois devolve o machado ao banco do zelador, sobe ao quarto e se atira no sofá, sem dormir.

Análise

Desbloquear com a assinatura

Leitura da parte

Análise

Desbloquear com a assinatura