Resumo da parte
Seis capítulos, três movimentos. O primeiro é a família: Razumíkhin assume a mãe e a irmã de Rodion Românovitch Raskólnikov na noite do reencontro, e no dia seguinte o próprio Raskólnikov as recebe contido, incapaz de sustentar o afeto que finge, enquanto Dúnia desobedece ao mesmo tempo à carta de Lújin e à ordem do irmão. O segundo é o cerco: a entrada de Sônia no quarto, o pretexto do penhor que leva Raskólnikov ao gabinete de Porfiri, Svidrigáilov seguindo Sônia até a porta ao lado da dela. O terceiro é o centro do livro: na casa de Porfiri, provocado por Razumíkhin e pelo próprio investigador, Raskólnikov expõe a teoria do artigo, é pressionado por perguntas cada vez mais pontudas e sai para a rua, onde um desconhecido o chama de assassino. A parte fecha com o pesadelo da velha que ri sob os golpes e com a chegada de Svidrigáilov.
Capítulo I: A noite do reencontro
Resumo do capítulo
Rodion Românovitch Raskólnikov volta a si no sofá depois de desmaiar ao ver Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova e Avdótia Românovna Raskólnikova em seu quarto, olha uma e outra em silêncio por dois minutos, tão fixo que a mãe se assusta, e manda as duas para casa até o dia seguinte; repele o agradecimento da mãe a Dmitri Prokófitch Razumíkhin, que decidiu ficar ao lado dele. Antes que saiam, conta que expulsou Piotr Pietróvitch Lújin e exige que Dúnia lhe recuse a mão por uma carta, porque está convencido de que ela se casa por causa dele; ela, ofendida, pergunta com que direito, e ele não responde. Quando já saem, grita atrás delas que o casamento é uma canalhice.
Razumíkhin, bêbado, assume a situação: na escada impede que a mãe passe a noite no quarto do filho e propõe levá-las ao alojamento e voltar com notícias e com Zóssimov. No caminho, exaltado, defende o direito de errar por conta própria, ajoelha-se na calçada diante das duas e xinga Lújin por tê-las instalado numa pensão ruim. Dúnia o acalma e confia nele. Razumíkhin volta para dizer que o doente dorme, depois com Zóssimov, que vê no rapaz um pensamento fixo próximo da monomania, mas diz que a presença dos parentes ajuda se forem evitados novos abalos.
Análise
Ты выходишь за Лужина для меня. А я жертвы не принимаю.
, Você se casa com Lújin por mim. E eu não aceito sacrifício.
Raskólnikov tira de Dúnia a escolha e a põe na própria conta: se ela se casa por ele, ele pode proibir. A frase também o livra de uma dívida, porque recusar o sacrifício é recusar ficar devendo a uma venda. O texto sustenta duas leituras: generosidade de quem não quer ser o preço da irmã, ou defesa de quem não suporta dever o próprio futuro a esse casamento.
Assinatura
A análise completa de cada parte de Crime e Castigo está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo II: A manhã de vergonha e a carta de Lújin
Resumo do capítulo
Dmitri Prokófitch Razumíkhin acorda às oito com a vergonha da véspera: embriagado, xingou diante de Dúnia o noivo dela. Escova o único traje e, por teimosia, resolve não fazer a barba. Zóssimov, que dormiu na casa da senhoria, ouve de Razumíkhin que o doente dorme e manda não acordá-lo, diz que não há ideia fixa nenhuma, pois foi o próprio Razumíkhin que descreveu o amigo como monomaníaco, e conta a Razumíkhin que Zamiótov falou de tudo também a Porfiri. Às nove, Razumíkhin chega ao alojamento, onde as duas esperam desde as sete, e responde às perguntas de Pulkhéria sobre o último ano de Rodion, omitindo a cena da delegacia.
A mãe conta que o filho quis casar com a filha da senhoria, doente e sem dote, que morreu pouco depois, e teme que ele passe por cima de qualquer obstáculo. Mostra então o bilhete de Lújin: ele virá às oito da noite e se retirará se Rodion estiver presente; e insinua que Rodion deu vinte e cinco rublos a uma moça de conduta notória sob pretexto do funeral. Dúnia decide que o irmão deve estar na reunião, apesar da carta. Ao subirem a escada, a porta da senhoria de Raskólnikov se entreabre, dois olhos pretos as examinam e a porta se fecha com estrondo.
Análise
Capítulo III: O confronto com a mãe e a irmã
Resumo do capítulo
Quando Dmitri Prokófitch Razumíkhin chega com as duas, Rodion Românovitch Raskólnikov está vestido, lavado e penteado, quase saudável, mas pálido e sombrio, como quem aguenta uma dor física. Beija a mãe e a irmã, estende a mão a Avdótia Românovna Raskólnikova com um sorriso verdadeiro, e a reconciliação se faz sem palavras. Explica o sangue na roupa: na véspera ajudou a carregar um funcionário atropelado, que morreu, e entregou à viúva todo o dinheiro da mãe para o enterro; pede perdão por isso e diz que, para ajudar, é preciso ter o direito. A mãe conta a morte repentina de Marfa Pietróvna, mulher de Svidrigáilov, e Raskólnikov pergunta às duas se têm medo dele; Dúnia diz que sim.
Depois, seco, exige de novo que Dúnia escolha entre ele e Lújin; ela responde que não se sacrifica por ninguém, casa por si e só se casa se ele a valorizar; ele a acusa de vender-se, e ela, perdendo o sangue-frio, diz que ainda não matou ninguém. Raskólnikov empalidece e quase desmaia. Recomposto, lê o bilhete de Lújin, chama o estilo de forense e desmonta a calúnia do funeral: deu o dinheiro à viúva, não à filha, que viu pela primeira vez no dia anterior. Aceita o que as duas decidirem, e Dúnia pede que ele venha às oito.
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Capítulo IV: Sônia, o penhor e o desconhecido
Resumo do capítulo
Sófia Semeónovna Marmieládova, filha de Semion Zakhárovitch Marmieládov, entra no quarto com a timidez de uma menina, vestida com humildade, e quase volta atrás ao ver a sala cheia. Rodion Românovitch Raskólnikov a reconhece com demora, sente pena e a apresenta à mãe e à irmã, em tom firme, como a filha do funcionário que morreu esmagado diante dos olhos dele. Sônia transmite o convite de Catierina Ivánovna para o enterro e, ao olhar o quarto, diz que ele lhes deu tudo na véspera. Dúnia lhe faz uma reverência completa; Raskólnikov volta a Sônia, de rosto claro, para dizer que os mortos descansam e os vivos ainda têm de viver.
No quarto, leva Razumíkhin à janela e pergunta por Porfiri, que conduz o caso do assassinato: diz ter dois objetos empenhados com a velha e quer declará-los a Porfiri para recuperá-los sem alarmar a mãe; Razumíkhin propõe ir juntos. Ao se despedir de Sônia na rua, diz que irá visitá-la hoje. Um desconhecido de uns cinquenta anos, que ouviu o nome dele, a segue até a casa e toca à porta ao lado da dela. A caminho de Porfiri, Raskólnikov provoca Razumíkhin e entra rindo.
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Capítulo V: O artigo, na casa de Porfiri
Resumo do capítulo
Rodion Românovitch Raskólnikov entra tentando conter o riso, e a cena toda ganha o ar de uma alegria verdadeira, que serve a seu propósito. Porfiri Pietróvitch, de roupão, é um homem baixo e gordo, de olhar aguado, e Zamiótov está num canto. Raskólnikov expõe o caso do penhor, e Porfiri diz que basta uma declaração à polícia. Pergunta então como terminou a discussão da véspera sobre existir ou não o crime, e Razumíkhin resume a doutrina socialista de que o crime é protesto contra a organização social defeituosa e se exalta contra ela.
Porfiri passa ao artigo de Raskólnikov sobre o crime, escrito seis meses antes, e resume a ideia do fim do texto: as pessoas se dividem em ordinários, que devem obedecer, e extraordinários, que têm o direito de transgredir a lei. Raskólnikov corrige: não é direito oficial, mas o do homem extraordinário de permitir à sua consciência transpor obstáculos, se a execução de sua ideia o exigir. Cita Kepler, Newton e os legisladores da história, Licurgo, Sólon, Maomé, Napoleão, como exemplos de extraordinários: os ordinários são senhores do presente, os extraordinários, do futuro. Razumíkhin conclui que ele permite o sangue segundo a consciência, e Porfiri confirma: é mais terrível.
Porfiri pergunta se ele não se imaginou extraordinário, e ele responde que, se tivesse transposto o obstáculo, não diria. Zamiótov insinua que algum futuro Napoleão matou a velha. Porfiri o convida à delegacia no dia seguinte e pergunta se, ao subir a escada naquela hora, ele viu os pintores no apartamento aberto do segundo andar. Raskólnikov, percebendo a armadilha, diz que não e lembra um funcionário que se mudava no quarto andar; Razumíkhin lembra que os pintores trabalharam no dia do crime. Porfiri pede desculpas, e os dois saem sombrios.
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Capítulo VI: O homem que sai do chão
Resumo do capítulo
Na volta, Dmitri Prokófitch Razumíkhin tenta desfazer as suspeitas de Rodion Românovitch Raskólnikov, que responde que os dois não têm fato nenhum, só uma ideia solta, e por isso tentam abalá-lo. Razumíkhin pergunta se, tendo feito aquilo, ele diria que viu os pintores, e Raskólnikov explica como um culpado experiente se defende. Corre para casa e revista o buraco no papel de parede, sem achar nada. Ao sair, o zelador lhe aponta um homem de aspecto de pequeno burguês, que perguntara por ele; Raskólnikov o segue em silêncio até o homem dizer que ele é o assassino.
Em casa, no sofá, febril, diz sozinho que não matou uma pessoa, matou um princípio, e que é mesmo um piolho; imagina o profeta de sabre que manda obedecer; odeia a mãe e a irmã e pensa em Lisavieta e Sônia. Adormece e sonha que o homem o leva escada acima até uma sala vazia, onde golpeia a velha duas vezes e ela ri em silêncio. Acorda e vê um estranho sentado junto ao sofá, que espera dez minutos; quando Raskólnikov pergunta o que querem, o homem se apresenta: Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov.
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