Em São Petersburgo, nos bairros em volta da praça Siénnaia, num julho de calor sufocante da década de 1860, Rodion Românovitch Raskólnikov, ex-estudante pobre, vive num cubículo de sótão e carrega uma teoria: a de que certos homens têm o direito de transpor a lei para fazer avançar uma ideia. A história é movida por essa teoria e pelo assassinato da velha penhorista Aliena Ivánovna, que ele comete para pôr a ideia à prova e que o persegue depois em cada conversa e em cada rua. O arco vai do ensaio na casa da penhorista ao duplo crime, passa pelo cerco do juiz de instrução Porfiri e pelo encontro com Sônia, e termina na confissão e nos trabalhos forçados na Sibéria.
Primeira Parte: o crime
Num começo de julho, Raskólnikov foge da senhoria a quem deve e vai à casa da penhorista ensaiar o plano que rumina há um mês: empenha o relógio do pai, grava onde ficam as chaves e pergunta pela irmã dela, para saber se a velha fica só (capítulo I). Numa taberna, com sede de gente, ouve Marmieládov contar a miséria da família e a vida de Sônia sob o bilhete amarelo e, movido pelo que viu, deixa as moedas na janela deles (capítulo II). No dia seguinte a carta da mãe anuncia o noivado de Dúnia com o homem de negócios Lújin, e ele a lê como a venda da irmã para sustentá-lo (capítulo III). Jura impedir o casamento e, no bulevar, tenta proteger uma moça bêbada de um janota, mas desiste quando ela se levanta e sai andando, com o janota atrás (capítulo IV). Adormece na ilha Petróvski, sonha com uma égua espancada até a morte e acorda disposto a renunciar; na Siénnaia, porém, ouve que Lisavieta, irmã da velha, estará fora às sete do dia seguinte, e entende que a velha ficará só (capítulo V). Recorda a conversa de taberna em que um estudante propunha matar a velha, prepara a alça e um falso penhor para ganhar tempo e, falhando a cozinha da senhoria, acha um machado sob o banco do zelador (capítulo VI). Pouco depois das sete golpeia a velha por trás para tomar as chaves e o dinheiro, mata Lisavieta, que chegou de surpresa, para não ser visto, e escapa dos visitantes que sobem, escondendo-se num apartamento em obras (capítulo VII).
Segunda Parte: o inquérito
Raskólnikov acorda no sofá, procura sangue na roupa, esconde o roubo no papel de parede e, convocado à delegacia, descobre que a intimação é por dívida com a senhoria; aliviado, fala demais e desmaia ao ouvir o inspetor supor que o assassino estava dentro do prédio (capítulo I). Leva as joias para jogá-las no canal, desiste por causa do movimento e as enterra sob uma pedra num pátio cego; procura Razumíkhin atrás de ajuda, aceita o trabalho que ele oferece e devolve tudo em seguida, por não suportar ninguém (capítulo II). Delira por dias, é cuidado e vestido por Razumíkhin com o dinheiro da mãe e finge fraqueza para ouvir o que a polícia sabe (capítulo III). Ouve do amigo e do médico Zóssimov a história do pintor Nikolai, preso com os brincos da velha, e se levanta ao saber onde ele os achou (capítulo IV). Lújin entra e expõe a doutrina do interesse pessoal; Raskólnikov o confronta com o que a carta da mãe contava e o expulsa (capítulo V). Sai decidido a acabar com tudo naquele dia, provoca Zamiótov insinuando ser ele o assassino, volta ao prédio da velha, toca a campainha e se oferece para ir à delegacia, até ser posto na rua (capítulo VI). Uma carruagem atropela Marmieládov; Raskólnikov o leva para casa, dá a Catierina o dinheiro que tem para o enterro e, ao subir ao quarto, encontra a mãe e a irmã e desmaia (capítulo VII).
Terceira Parte: a teoria
De volta a si, Raskólnikov manda a mãe e a irmã embora e exige que Dúnia rompa com Lújin, por achar que ela se casa por causa dele; Razumíkhin, bêbado e encantado com Dúnia, leva as duas ao alojamento e promete trazer o médico (capítulo I). Na manhã seguinte, envergonhado, Razumíkhin fala com Zóssimov e descreve o amigo à mãe, e Dúnia decide que o irmão estará na reunião das oito com Lújin, apesar do bilhete em que o noivo o exclui (capítulo II). Raskólnikov as recebe composto, conta que deu todo o dinheiro à viúva de Marmieládov, repete o ultimato e ouve de Dúnia que ela se casa por escolha própria; examina o bilhete de Lújin e promete ir à reunião (capítulo III). Sônia vem convidá-lo para o enterro, e ele a apresenta à mãe e à irmã, para responder à calúnia de Lújin; em seguida leva Razumíkhin a Porfiri, com o pretexto de recuperar os penhores, para descobrir o que o juiz sabe, enquanto um desconhecido segue Sônia até a casa dela e se diz seu vizinho (capítulo IV). Diante de Porfiri e de Zamiótov, Raskólnikov declara os penhores e, a pedido do juiz, que leu o artigo dele, expõe a teoria dos homens ordinários e extraordinários; recusa dizer se ele mesmo transporia o obstáculo e escapa da pergunta sobre os pintores do dia do crime, dizendo que não os viu, para não se trair (capítulo V). Na volta explica a Razumíkhin como um culpado se defenderia e, inquieto, revista o esconderijo na parede; na rua um pequeno-burguês lhe diz que ele é o assassino e some; febril, Raskólnikov repete a si mesmo que matou um princípio e não uma pessoa, dorme, sonha que a velha ri dos golpes e acorda com um desconhecido junto ao sofá, que se apresenta como Svidrigáilov (capítulo VI).
Quarta Parte: o cerco
Svidrigáilov se defende do que fez a Dúnia na casa dele, fala das visitas da mulher morta, Marfa Pietróvna, oferece dez mil rublos para desfazer o noivado com Lújin e anuncia os três mil que Marfa deixou a Dúnia em testamento; Raskólnikov recusa levar a proposta (capítulo I). Raskólnikov corre com Razumíkhin ao alojamento para chegar antes de Lújin; na reunião, Dúnia exige que Lújin e o irmão se entendam para poder escolher, Raskólnikov defende Sônia contra a carta de Lújin e Dúnia, ao ouvir as ameaças do noivo, manda-o sair (capítulo II). Lújin remói na escada o que perdeu; Raskólnikov conta a conversa com Svidrigáilov, Razumíkhin propõe uma sociedade editorial com o dinheiro de Dúnia e oferece um apartamento na casa dele, e Raskólnikov, para poupá-las, anuncia que quer ficar só e pede a Razumíkhin que fique no lugar dele (capítulo III). Raskólnikov vai à casa de Sônia, aperta-a sobre a esperança em Deus, beija-lhe o pé em nome do sofrimento humano, pede a leitura da ressurreição de Lázaro, diz que estão amaldiçoados juntos e promete dizer no dia seguinte quem matou Lisavieta, enquanto Svidrigáilov ouve do quarto vizinho (capítulo IV). Na delegacia, Raskólnikov provoca Porfiri, que descreve o método de cercar o suspeito como a mariposa em volta da vela; Raskólnikov perde a calma e exige ser acusado ou liberado, e Porfiri fala de uma surpresa guardada atrás do tabique (capítulo V). O pintor Nikolai irrompe e se declara assassino; Porfiri percebe as palavras ensaiadas e despacha Raskólnikov, que, ao sair de casa, encontra o pequeno-burguês da rua, agora a pedir perdão e a explicar que o denunciou por ofensa, e volta animado (capítulo VI).
Quinta Parte: a confissão
Lújin, humilhado pela ruptura e culpando Raskólnikov, recebe Sônia no quarto que divide com Liebeziátnikov, entrega-lhe dez rublos para os Marmieládov e, sem dizer o plano, prepara o que fará em seguida (capítulo I). Catierina gasta o dinheiro do enterro numa recepção de exéquias para provar a posição da família, os convidados de peso não vêm e ela acaba brigando com a senhoria Amália Ivánovna quando Lújin aparece (capítulo II). Lújin acusa Sônia de ter levado uma nota de cem rublos; Catierina vira os bolsos da enteada e a nota cai; Liebeziátnikov diz ter visto Lújin pô-la ali, Raskólnikov explica a vingança dele e Lújin sai; Amália expulsa Catierina, que corre atrás de justiça (capítulo III). Raskólnikov vai ao quarto de Sônia, ainda excitado com a vitória, testa nela a ideia do piolho, confessa em terceira pessoa e depois abertamente o assassinato, dá razões que ele mesmo desmente, pede que ela não o deixe e recusa o que ela manda, curvar-se e dizer em voz alta que matou (capítulo IV). Liebeziátnikov traz a notícia de que Catierina enlouqueceu; Dúnia visita Raskólnikov e ele se despede dela; Catierina, na rua com os filhos, cai com sangue no peito, recusa o padre e morre, e Svidrigáilov paga tudo e revela que mora do outro lado da parede (capítulo V).
Sexta Parte: a entrega
Raskólnikov passa dias em névoa, sem suportar a solidão nem a companhia, e prefere uma luta; Razumíkhin vem saber se ele é louco e ouve que Raskólnikov lhe entrega a mãe e a irmã, e Porfiri chega à porta (capítulo I). Porfiri explica que o pintor é inocente, descreve o autor do crime e lhe diz que foi ele; propõe que se entregue por vontade própria, com abatimento da pena, e Raskólnikov recusa o abatimento (capítulo II). Raskólnikov corre a Svidrigáilov, para impedir que use o segredo contra Dúnia, e pensa em matá-lo se for preciso; encontra-o numa taberna (capítulo III). Svidrigáilov conta como Dúnia tentou salvá-lo e como ele a perseguiu e fala da noiva de quase dezesseis anos, e Raskólnikov o segue ao sair, por desconfiar de que ele ainda pense em Dúnia (capítulo IV). Svidrigáilov leva Dúnia ao apartamento, repete-lhe a confissão que ouviu e tranca a porta; ela atira, joga fora o revólver, e ele a deixa ir (capítulo V). Na última noite, Svidrigáilov dá a Sônia o dinheiro para os órfãos e para Raskólnikov, deixa quinze mil rublos à noiva, dorme mal num hotel e, de madrugada, se mata diante de um sentinela (capítulo VI). Raskólnikov visita a mãe, pede que ela continue a amá-lo e lhe beija os pés; diz a Dúnia que pensou em se matar e, quando ela afirma que quem vai ao sofrimento lava metade do crime, nega que haja crime a lavar, mas segue (capítulo VII). Em casa de Sônia, aceita a cruz de cipreste; na praça, por lembrar a ordem dela, beija a terra e vê Sônia atrás de uma barraca; na delegacia, ouve de Iliá Pietróvitch a notícia da morte de Svidrigáilov e confessa o crime (capítulo VIII).
Epílogo: a ressurreição
Pela confissão, pela doença e pelo passado, Raskólnikov recebe oito anos de trabalhos forçados de segunda categoria; a mãe, enganada pela família sobre o paradeiro dele, adoece e morre, Dúnia casa com Razumíkhin e Sônia segue o comboio e escreve cartas todo mês (capítulo I). Na prisão siberiana, Raskólnikov adoece de orgulho ferido, sem se arrepender do crime, é evitado pelos presos, que amam Sônia, e sonha com uma peste de ideias (capítulo II). Ao sair do hospital, cai chorando aos pés de Sônia junto ao rio, e os dois decidem esperar os sete anos que faltam. Nessa noite pega o Evangelho que pediu a Sônia e que guarda sob o travesseiro, mas não o abre; o narrador diz que ali começa outra história, a da renovação gradual dele, que este livro não conta (capítulo II).