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Crime e Castigo · Epílogo

A ressurreição

Resumo da parte

O que muda de figura para figura: o processo trata Raskólnikov como um caso clínico a explicar (loucura momentânea, miséria, boas ações do passado), enquanto ele próprio, por dentro, nunca aceita essa explicação e segue sem se arrepender do crime, só envergonhado de ter "não aguentado". A virada, quando vem, não nasce de raciocínio: vem do amor por Sófia Semeónovna Marmieládova, num só instante, e o narrador a anuncia como o começo de outra história que ele se recusa a escrever.

Capítulo I: O processo, a família, as cartas

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov cumpre há nove meses a pena de trabalhos forçados numa fortaleza siberiana, quase um ano e meio depois do crime. No processo mantém o depoimento com exatidão, sem atenuar nada. Os juízes estranham que não soubesse quanto havia na bolsa, e psicólogos concluem por um acesso de mania de matar. Ele atribui o crime à miséria e diz que se entregou por arrependimento franco. A sentença sai branda: pesam o estado doentio, o roubo não aproveitado, a confissão e as provas de generosidade que Dmitri Prokófitch Razumíkhin reúne. A pena é de oito anos de segunda categoria. A mãe, Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova, adoece, e Dúnia e Razumíkhin a levam a uma cidade próxima. Dúnia casa com Razumíkhin, e Pulkhéria morre em duas semanas, delirando. Sófia Semeónovna Marmieládova escreve todo mês a Razumíkhin: ele é sombrio e indiferente, e a última carta diz que está no hospital da prisão.

Análise

Dostoiévski cumpriu quatro anos de trabalhos forçados na prisão de Omsk, às margens do rio Irtich, e a fortaleza do Epílogo vem dessa experiência; o texto do romance não nomeia a cidade.

No processo ele mantém o depoimento com firmeza e exatidão, sem atenuar nada a seu favor: conta o assassinato até o último detalhe, descreve as chaves, o baú e o penhor de madeira com a tira de metal, repete o que ouviu quando o visitante e o estudante bateram à porta e aponta a pedra do pátio onde escondeu a bolsa e os objetos. Os juízes estranham que tenha escondido o roubo sem se servir dele e, mais ainda, que não soubesse quanto havia na bolsa (trezentos e dezessete rublos em prata e três moedas de vinte copeques) e até errasse a conta dos objetos. Como confessa todo o resto com franqueza, só esse ponto parece mentira.

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Capítulo II: Por dentro do presídio

Resumo do capítulo

Não são o trabalho, a comida nem a cabeça raspada que adoecem Rodion Românovitch Raskólnikov, mas o orgulho ferido: tem vergonha, até diante de Sófia Semeónovna Marmieládova, a quem trata com rudeza. Não se arrepende do crime. Entre os presos é evitado e depois odiado sem saber por quê; chamam-no de senhor, e numa briga na igreja, de ateu que é preciso matar, e ele espera calado. Todos, ao contrário, amam Sônia, e os presos a chamam de mãe. No hospital, sonha uma peste em que cada contaminado acha que só ele tem a verdade. Convalescente, espera Sônia inquieto quando ela adoece e não vem. Numa manhã, à beira do rio, ela se senta a seu lado e ele se joga a seus pés e chora; ela compreende que ele a ama. Decidem esperar os sete anos que faltam. Debaixo do travesseiro está o Evangelho dela. O narrador diz que começa uma nova história, mas que este relato está encerrado.

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