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Crime e Castigo · Segunda Parte

O inquérito

Resumo da parte

A Primeira Parte fecha com o crime feito; esta cobre os dias em que o corpo trai Raskólnikov antes que a mente decida alguma coisa. O cerco se fecha por acaso e não por método: o pintor Nikolai é detido com os brincos da velha e diz que os achou na calçada, e Lújin, o noivo da irmã dele, expõe em voz alta a doutrina do interesse pessoal, parente da teoria que sustentou o crime. A parte termina em duas direções ao mesmo tempo: Raskólnikov dá tudo o que tem a uma família quase desconhecida e sente que a vida voltou, e ao chegar em casa encontra a mãe e a irmã, que não esperava.

Capítulo I: O corpo que já sabe antes da consciência

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov acorda no sofá, de chapéu e roupa, e lembra tudo de uma vez. Examina a roupa atrás de sangue, corta com o canivete a franja da calça onde o sangue secou, enfia a bolsa e as joias da velha no buraco do papel de parede e vê no mesmo instante que aquilo não é esconder; acha sangue no forro do bolso e na meia, e o que mais o apavora é a suspeita de que a memória e o juízo o abandonam. Nastácia e o zelador trazem uma intimação da delegacia; certo de que vêm prendê-lo, só depois de ler a folha entende que é uma convocação comum.

Na delegacia, descobre que a intimação é por uma nota promissória de cento e quinze rublos, que a senhoria passou a um conselheiro, e sente um alívio enorme: responde com atrevimento ao tenente Iliá Pietróvitch, que o recebe aos gritos, e despeja ao inspetor Nikodim Fomitch a história da senhoria e da filha dela, que morreu de tifo. O tenente o corta, e o humor dele vira de uma vez para uma solidão sombria. Assina o termo em que promete pagar e não sair da cidade; sente o impulso de contar tudo ao inspetor, mas, ouvindo-o explicar que Kokh e Piestriakov, o rapaz que subira com ele, serão soltos porque o assassino estava dentro e escapou, vai para a porta e desmaia. Interrogado em seguida, diz que saiu pouco depois das sete, é dispensado e, na rua, corre para casa certo de que haverá uma busca.

Análise

Все это условно, все относительно, все это одни только формы, tudo isso é convenção, tudo é relativo, tudo isso não passa de formas.

Raskólnikov tira a meia com nojo e terror, lembra que não tem outra e a calça de novo, e o riso que lhe vem chama o gesto de convenção. O pensamento dura um canto de mente, enquanto o corpo todo treme, e o riso logo cede ao desespero. Duas leituras: ironia de quem se vê numa situação absurda, ou a mesma desvalorização das regras com que sustentou o crime, usada agora para suportar uma meia.

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Capítulo II: Esconder debaixo da pedra

Resumo do capítulo

Em casa não houve busca nenhuma; ninguém mexeu em nada. Mesmo assim tira as coisas do buraco, enche os bolsos e sai, certo de que em meia hora pode haver ordem de segui-lo. Decide jogá-las no canal, como resolvera na febre, mas anda meia hora pela margem do canal Ekaterininski e não consegue: lavadeiras sobre as balsas, barcos, gente por toda parte, e os estojos podiam boiar. Só depois de muito andar percebe que o Neva seria mais razoável, e no caminho pensa em enterrar tudo nas Ilhas. É então que vê a entrada de um pátio cego, com entulho, um cocho e uma pedra tosca de uns vinte e cinco quilos junto ao muro. Levanta a pedra, joga tudo na cova com a bolsa por cima e a recoloca. Uma alegria forte e quase insuportável o invade e ele ri um riso miúdo e silencioso ao atravessar a praça.

Análise

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Capítulo III: A febre que Razumíkhin cuida

Resumo do capítulo

Na doença, o delírio vem em visões: gente que o quer levar embora, outros que o espiam pela porta e riem, e a angústia de ter esquecido algo que não se pode esquecer. Acorda numa manhã e vê Nastácia e um rapaz que veio entregar-lhe trinta e cinco rublos a pedido de Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova, a mãe dele. Razumíkhin entra, diz que ele está há quatro dias sem quase comer nem beber e que o médico Zóssimov já o examinou duas vezes. Raskólnikov se recusa a assinar o recibo, sem explicar por quê, e acaba assinando sozinho.

Razumíkhin o alimenta na colher; ele tem forças de sobra, mas finge fraqueza para ouvir e descobrir o que se passa. Razumíkhin conta como o procurou, que conheceu o inspetor, o escriturário Zamiótov e a senhoria, e que ficou como fiador: pagou dez rublos ao conselheiro que tinha a nota e a rasgou. Raskólnikov corrige: mentiu à senhoria sobre a mãe para que o alimentassem. Pergunta o que disse no delírio e ouve uma lista: brincos, correntes, e a meia e a franja da calça, que pediu aos prantos. Quando fica só, pula da cama, revista o buraco e as cinzas do fogão, certo de que todos já sabem e fingem, e dorme mais de seis horas. Ao anoitecer, Razumíkhin o veste com roupa nova, e Zóssimov entra.

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Capítulo IV: O pintor Nikolai e a lógica dos fatos

Resumo do capítulo

Zóssimov é um homem alto e gordo, de lentidão estudada; examina Raskólnikov (pulso bom, nenhum remédio). Razumíkhin convida os dois para a festa de mudança dessa noite e cita o escriturário Zamiótov e Porfiri Pietróvitch, encarregado das investigações e parente distante dele. Fala do caso do pintor Nikolai, que a polícia prendeu como suspeito, ainda irritado com ela. Nastácia solta que também mataram Lisavieta Ivánovna, a que costurava camisas para Raskólnikov, e ele vira o rosto para a parede e se prende a uma flor do papel.

Razumíkhin conta que prenderam Kokh e Piestriakov só porque a porta estava trancada e depois aberta. No terceiro dia depois do crime, Dúchkin, dono de um botequim em frente ao prédio, levou à polícia um estojo de brincos de ouro que o pintor Nikolai lhe empenhara, dizendo tê-los achado na calçada; Nikolai foi apanhado depois de tentar se enforcar e disse que os achou atrás da porta do apartamento onde pintava, e Raskólnikov se levanta ao ouvir isso. Razumíkhin conclui que Nikolai disse a verdade: dez testemunhas viram os dois pintores rolando no portão, rindo como crianças, quando os corpos ainda estavam quentes. Zóssimov acha a explicação engenhosa demais, e entra um desconhecido.

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Capítulo V: O noivo da irmã e o cafetã inteiro

Resumo do capítulo

Entra Piotr Pietróvitch Lújin, de uns quarenta e cinco anos, empertigado, vestido de novo da cabeça aos pés, com as luvas lilás na mão e um ar de quem espera ser visto como noivo. Pergunta por Raskólnikov com ênfase de cerimônia, ouve de Razumíkhin que ele está ali no sofá e, quando se apresenta supondo que o nome seja conhecido, só recebe um olhar vago. Ao mencionar a carta da mãe, ouve o doente cortá-lo com impaciência: "Sei, sei! É você, o noivo? Chega!". Fica ofendido, mas segue. Conta que já tem quartos reservados para a mãe e a irmã numa pensão do prédio de Bakaléiev, que Razumíkhin descreve como imunda e de má fama, e que mora provisoriamente com um jovem amigo, Liebeziátnikov.

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Capítulo VI: A pergunta na cara de Zamiótov

Resumo do capítulo

Sozinho, Raskólnikov passa o gancho, veste a roupa nova, põe no bolso os vinte e cinco rublos e sai, com uma calma estranha e a ideia fixa de que tudo precisa acabar naquele dia, de um modo ou de outro. Na Siénnaia dá cinco copeques a uma moça que canta ao som de um realejo, pergunta a um rapaz de camisa vermelha pelo comerciante e pela mulher que conversaram com Lisavieta na praça, sem achá-los, e num beco de botequins dá três moedas de cinco copeques a uma moça de rua. Lembra de ter lido sobre um condenado à morte que preferiria viver para sempre num palmo de rocha a morrer. Na taberna Palácio de Cristal procura nos jornais velhos as notícias do crime.

Zamiótov, que bebia champanhe com colegas, senta-se à mesa dele, e Raskólnikov o provoca: ri na cara dele, chama-o de pardalzinho, diz que a notícia da velha lhe interessa. Quando Zamiótov comenta os falsificadores de bilhetes presos em Moscou, diz que trocaria os bilhetes sem tremer e descreve em sussurro como esconderia o butim: um terreno vazio, uma pedra junto ao muro, uma cova embaixo, tudo sob ela. Zamiótov diz que ele é louco, e Raskólnikov pergunta o que seria se fosse ele quem matou a velha e Lisavieta. Zamiótov empalidece e nega. Raskólnikov paga com sobra e, na porta, dá de frente com Razumíkhin, que o convida para a festa; ele não aceita. Na ponte, vê uma mulher pular no canal e um policial salvá-la.

Vai à casa do crime, sobe ao quarto andar, onde operários renovam o apartamento, e puxa a campainha três vezes. Pergunta pelo sangue, propõe ir à delegacia dizer quem é, e o zelador o põe na rua. Parado no cruzamento, avista uma multidão em torno de uma carruagem e vai para lá.

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Capítulo VII: A morte de Marmieládov

Resumo do capítulo

O tumulto é uma carruagem que atropelou um homem. Raskólnikov, ao ver o rosto à luz de um lampião, o reconhece: Semion Zakhárovitch Marmieládov. Oferece pagar o médico e consegue que o levem para casa, a trinta passos. Catierina Ivánovna Marmieládova corre ao marido ensanguentado; os inquilinos lotam o quarto; chega o médico, que diz que ele morre em cinco ou dez minutos, e o padre. Mandada por Catierina, Sófia Semeónovna Marmieládova aparece à porta vestida como as moças de rua; Marmieládov a vê, pede perdão e morre nos braços dela. Catierina pergunta com que vai enterrá-lo; Raskólnikov entrega à viúva os vinte rublos que tem e sai.

Na escada dá com Nikodim Fomitch e diz que está todo coberto de sangue. Desce com uma sensação nova de vida que volta. Pólienka, a filha mais velha de Catierina, o alcança, mandada por Sônia, pergunta seu nome e onde mora, e ele pede que reze pelo servo Rodion; ela promete rezar a vida inteira. Na ponte, diz a si mesmo que há vida e que ela não morreu com a velha. Vai à casa Potchinkov, onde Razumíkhin dá a festa, avisa que não entra e, na rua, Razumíkhin, meio bêbado, conta que Zóssimov o crê meio louco, que a suspeita de que ele fosse o assassino rondou todos até a prisão do pintor e que Porfiri quer conhecê-lo. Chegando ao quarto, veem luz: a mãe e a irmã o esperam havia uma hora e meia. Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova e Avdótia Românovna Raskólnikova se jogam sobre ele, que, sem forças, desmaia.

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