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Crime e Castigo · Sexta Parte

A entrega

Resumo da parte

A Sexta Parte fecha os três fios que a Quinta Parte: A confissão deixou abertos: o cerco de Porfiri Pietróvitch, a ameaça de Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov sobre Dúnia e a confissão a Sônia. Os oito capítulos avançam em três blocos, o último encontro com Porfiri (I-II), o arco final de Svidrigáilov até o suicídio (III-VI) e a entrega de Raskólnikov (VII-VIII), que termina na confissão na delegacia, ponte direta para o Epílogo: A ressurreição. Rodion Românovitch Raskólnikov chega à delegacia sem acreditar na teoria que o levou ao crime nem no sofrimento que Porfiri e Sônia lhe propõem, e o romance deixa em aberto se o que o leva é orgulho, vergonha ou cansaço.

Análise

Em 4 de abril de 1866, enquanto o romance saía em folhetim, Dmítri Karakózov atirou no tsar Alexandre II.

Capítulo I: A deriva

Resumo do capítulo

Depois da morte de Catierina Ivánovna Marmieládova, Rodion Românovitch Raskólnikov vive dias de névoa, em que a consciência falha e o pânico se alterna com a apatia. O que o prende é Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov: depois das palavras dele na casa de Sônia, no momento em que Catierina Ivánovna morria, Raskólnikov sabe que precisa acertar contas com ele e não consegue se decidir a procurá-lo. Svidrigáilov cuida do enterro e já colocou os três órfãos em instituições, com o dinheiro que reservou para eles; ao cruzar com Raskólnikov na escada, diz que todo homem precisa de ar. Raskólnikov assiste à missa de réquiem na casa de Sófia Semeónovna Marmieládova, que lhe segura as duas mãos e apoia a cabeça no ombro dele, sem nenhuma repulsa; ele lê no gesto um rebaixamento sem fim dela mesma. Depois foge da solidão sem aguentar companhia: vai de taberna em taberna, escuta cantoria numa delas até um remorso sem objeto o fazer sair correndo, e pensa que preferiria uma briga a essa névoa:

Análise

Нет, уж лучше бы какая борьба! Лучше бы опять Порфирий… или Свидригайлов… Поскорей бы опять какой-нибудь вызов, чье-нибудь нападение… Да! да!, Não, melhor uma luta qualquer! Melhor Porfiri outra vez... ou Svidrigáilov... Que viesse logo outro desafio, o ataque de alguém... Sim! sim!

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Capítulo II: A explicação de Porfiri

Resumo do capítulo

Porfiri Pietróvitch fuma, queixa-se do vício e anuncia que veio explicar-se: a última cena foi indigna de cavalheiros, e o aparecimento do pintor Nikolai, apelidado Mikolka, os livrou de ir mais longe. Reconstrói sem esconder nada a armadilha psicológica: os boatos e acasos que o levaram a Rodion Românovitch Raskólnikov, a cena no escritório da polícia, o artigo, a fala de Raskólnikov a Zamiótov na taberna, o deslize de Dmitri Prokófitch Razumíkhin que ele próprio provocou, a pedra, os sinos no apartamento vazio, e admite que revistou o quarto enquanto o outro estava doente. Diz que toda essa psicologia corta para os dois lados e descarta Nikolai, rapaz impressionável que quer padecer. Descreve o verdadeiro autor sem o nomear e, quando Raskólnikov pergunta quem matou, responde que foi ele. Raskólnikov murmura que não foi, como criança apanhada em falta. Porfiri diz que não há testemunhas e propõe a apresentação voluntária, com a pena abatida. Raskólnikov recusa o abatimento. Porfiri lhe pede que não despreze a vida, que busque Deus e aceite o sofrimento, e dá a ele um dia e meio ou dois, certo de que não fugirá, porque Raskólnikov já não crê na própria teoria. Raskólnikov declara que nada confessou. Porfiri se despede e pede que, se pensar em se matar, deixe duas linhas sobre a pedra.

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Capítulo III: O encontro na taberna

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov corre ao encontro de Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov sem saber o que espera dele, sabendo apenas que o homem tem poder sobre ele. Teme sobretudo que Svidrigáilov use o segredo contra Avdótia Românovna Raskólnikova: teria de contar tudo a ela. Cansado de um mês inteiro, resolve que, se isso acontecer, o matará. Parado na rua, vê Svidrigáilov na janela de uma taberna, que faz menção de se esconder, gargalha e o chama. Raskólnikov diz que o procurava, e Svidrigáilov responde que fora ele quem lhe indicara o lugar. Raskólnikov avisa que, se ele mantém o propósito sobre a irmã, o mata antes de ser preso. Svidrigáilov diz que o procurou por curiosidade e por ser irmão de Dúnia. Quando Raskólnikov pergunta se ele poderia se matar, confessa que tem medo da morte e é um pouco místico. Raskólnikov se levanta para sair, e Svidrigáilov o retém, oferecendo contar como uma mulher tentou salvá-lo: a irmã dele.

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Capítulo IV: A história de Svidrigáilov

Resumo do capítulo

Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov conta o contrato verbal que Marfa Pietróvna lhe impôs depois de pagar as dívidas que o levaram à prisão: não a deixar nunca, não ter amante fixa, avisá-la se uma paixão séria o visitasse. Quando Avdótia Românovna Raskólnikova chegou como governanta, Marfa Pietróvna lhe contou tudo sobre o marido; Dúnia, com pena do homem perdido, quis salvá-lo, e ele fingiu-se comovido e a adulou. O fogo nos olhos dele a assustou e afastou; furioso, propôs-lhe fugir para Petersburgo com trinta mil rublos, disposto a fazer qualquer coisa que ela pedisse, até matar Marfa Pietróvna. Rodion Românovitch Raskólnikov pergunta pelos boatos, a criança de que Piotr Pietróvitch Lújin o acusou e o criado que lhe enchia o cachimbo depois de morto, e ele os afasta. Raskólnikov diz que ele veio a Petersburgo por causa de Dúnia; Svidrigáilov se trai e anuncia que vai se casar com uma filha de família pobre que a dona da casa, Resslich, lhe apresentou e que fará dezesseis anos em um mês. Conta ainda que quis pagar a educação de uma menina de treze anos, humilhada num baile. Raskólnikov o chama de homem vil; Svidrigáilov gargalha, sai, e Raskólnikov decide segui-lo.

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Capítulo V: A chave

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov não larga Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov, porque concluiu que ele não abandonou o propósito sobre a irmã. Svidrigáilov o leva até a casa onde mora, vizinha do quarto de Sófia Semeónovna Marmieládova, e responde que, se acha indigno escutar atrás de portas mas não matar velhas a machado, o melhor é fugir para a América ou se matar. Raskólnikov volta sem ver que Svidrigáilov despede a carruagem poucos passos adiante.

Na ponte, Avdótia Românovna Raskólnikova vê o irmão passar sem notá-la e vê Svidrigáilov, que lhe faz sinais para que o siga. Ela vai, com o segredo do irmão nas mãos dele. Svidrigáilov a leva por duas salas vazias, mostra a porta trancada e a cadeira de onde ouviu Raskólnikov contar tudo a Sônia e lhe repete a confissão. Dúnia protesta que é mentira. Ele expõe a teoria do rapaz e promete tirá-lo do país; diz que tudo depende dela e que a ama. Quando ela exige a chave, responde que a perdeu e fala em violência. Dúnia saca o revólver de Marfa Pietróvna. A primeira bala lhe roça a têmpora; a segunda falha. Ela joga a arma fora, e ele pergunta se não pode amá-lo; ela responde que nunca. Ele põe a chave sobre a mesa e manda que ela saia depressa. Dúnia foge. Svidrigáilov, à janela, limpa o sangue do rosto, recolhe o revólver e sai.

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Capítulo VI: A última noite

Resumo do capítulo

Svidrigáilov passa a noite em tabernas e num jardim de diversões, sem beber nada; às dez, sob a tempestade, volta para casa, pega o dinheiro e sai. Vai à casa de Sófia Semeónovna Marmieládova, diz que talvez parta para a América e lhe entrega os recibos dos três órfãos e três títulos que somam três mil rublos, para que os guarde só para si e esconda de todos, e sugere que depois os confie a Dmitri Prokófitch Razumíkhin. Justifica o dinheiro com o destino que prevê a Rodion Românovitch Raskólnikov: ou uma bala na testa, ou a Vladímirka. Às onze e vinte, na casa dos pais da noiva, deixa para ela quinze mil rublos e a beija. Aluga um quarto sob a escada no hotel Adrianopol e, febril, lembra com pena o rosto de Avdótia Românovna Raskólnikova depois do primeiro tiro. Sonha com o caixão de uma menina de quatorze anos, afogada por uma ofensa, e depois encontra no corredor uma menina de cinco anos, encharcada, que se escondera de uma mãe que bate; leva-a ao quarto e a agasalha, e o rosto dela lhe parece de repente desperto e obsceno; grita e acorda. Às cinco confere o revólver e sai. Na névoa, junto a uma torre de bombeiros, diz ao sentinela que vai para a América e atira na própria têmpora.

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Capítulo VII: A despedida

Resumo do capítulo

À noitinha, Rodion Românovitch Raskólnikov, sujo e encharcado da noite, chega à casa de Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova. Ela o recebe em lágrimas de alegria, sem lhe pedir contas. Ele pergunta se ela continuará a amá-lo, aconteça o que acontecer, diz que viaja para longe, ajoelha-se e lhe beija os pés. Ela o abençoa e não pergunta. Em seu quarto, encontra Avdótia Românovna Raskólnikova, que passou o dia com Sófia Semeónovna Marmieládova e já sabe de tudo. Ele conta que andou de noite perto do Neva pensando em se matar e se chama de homem vil; Dúnia responde que ele é vil, mas disposto ao sofrimento. Ele diz que vai agora, mas ao ouvir que quem sofre lava metade do crime explode: matou um piolho nocivo, isso não é crime, e não pensa em lavá-lo. Vendo o sofrimento da irmã, pede perdão e que ela fique com a mãe. Saem; Dúnia, depois de cinquenta passos, se vira, e ele responde com um gesto impaciente, do qual logo se envergonha.

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Capítulo VIII: A praça

Resumo do capítulo

Ao entardecer, Rodion Românovitch Raskólnikov chega à casa de Sófia Semeónovna Marmieládova, que passou o dia esperando-o com Avdótia Românovna Raskólnikova, temendo que ele se matasse. Entra em tom forçado, diz que veio pelas cruzes dela e que irá à delegacia, a Iliá Pietróvitch, não a Porfiri. Sônia põe no peito dele a cruz de cipreste e fica com a de cobre, que trocou com Lisavieta Ivánovna. Ele sai sem se despedir, e na rua entende que a visita não teve outro objeto: precisava das lágrimas dela. Na praça, lembra a instrução de Sônia, ajoelha-se e beija a terra suja. A multidão ri e o toma por bêbado, e as palavras que talvez estivessem para sair congelam nele. Na delegacia, Iliá Pietróvitch o recebe com loquacidade e fala de suicídios, até mencionar o cavalheiro que se matou naquela manhã: Svidrigáilov. Raskólnikov sai, cruza com Sônia pálida no pátio, sorri de modo perdido e volta a subir. Diante de Iliá Pietróvitch, diz que foi ele quem matou a velha e Lisavieta com um machado, e roubou. A gente acorre, e ele repete o depoimento.

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