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Crime e Castigo · Quarta Parte

O cerco

Resumo da parte

A parte fecha duas frentes que já vinham se armando e abre uma terceira que domina o resto do romance. Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov entra em cena pessoalmente, oferecendo dinheiro e falando de fantasmas; Lújin é posto para fora por Dúnia, numa noite em que Raskólnikov entra na briga só para defender Sônia e acaba mandando Lújin sair; e Porfiri Pietróvitch começa, de fato, a cercá-lo, não com provas, mas com psicologia. No meio disso, Rodion Românovitch Raskólnikov rompe com a família e vai para o único lugar que lhe resta, o quarto de Sófia Semeónovna Marmieládova.

Capítulo I: A visita de Svidrigáilov

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov acorda e vê sentado diante dele o homem que o espiava: é Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov, que diz ter vindo conhecê-lo e pedir ajuda num assunto que toca a irmã dele, Avdótia Românovna Raskólnikova. Antes, defende-se do que ela sofreu em sua casa, onde era governanta, e apresenta a perseguição como paixão que ninguém escolhe. Raskólnikov o provoca com o boato de que ele também liquidou a mulher, Marfa Pietróvna; Svidrigáilov responde que o exame achou apoplexia, que bateu nela só duas vezes com o chicote e que a consciência dele está tranquila. Conta então que ela o visitou três vezes depois de morta e pergunta se Raskólnikov crê em fantasmas; este nega com raiva, e Svidrigáilov imagina a eternidade como um quartinho de aldeia sujo de fuligem, com aranhas em todos os cantos. Indo ao ponto, diz que Piotr Pietróvitch Lújin só trará prejuízo a Dúnia e pede um encontro com ela, com Raskólnikov presente, para lhe oferecer dez mil rublos que facilitem a ruptura. Raskólnikov se recusa a transmitir a proposta, e Svidrigáilov responde que a buscará por conta própria. Já de saída, avisa que Marfa Pietróvna deixou três mil rublos a Dúnia em testamento e esbarra na porta em Dmitri Prokófitch Razumíkhin.

Análise

Разум-то ведь страсти служит; я, пожалуй, себя еще больше губил, помилуйте!.., A razão, afinal, serve à paixão; talvez eu estivesse me arruinando ainda mais, ora essa!..

Svidrigáilov usa a frase para inverter os lugares: quem age por paixão é servo dela, não culpado, e quem se arruína por ela paga mais que a vítima. Raskólnikov não discute o argumento e responde que ele é simplesmente repugnante. Duas leituras: ironia de quem sabe que não convence, ou autoengano em que a razão, como ele diz, trabalha para o desejo.

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Capítulo II: A ruptura com Lújin

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov e Dmitri Prokófitch Razumíkhin saem às pressas para os aposentos de Bakaléiev, onde estão a mãe e a irmã de Raskólnikov, para chegar antes de Piotr Pietróvitch Lújin. Pelo caminho, Raskólnikov diz a Razumíkhin quem era o visitante e pede que proteja Avdótia Românovna Raskólnikova, porque teme esse homem sem saber explicar por quê, e logo duvida do que viu e pergunta se não terá sido uma aparição. Razumíkhin atribui a dúvida ao estado dele, conta que foi falar com Porfiri Pietróvitch e não soube começar, e conclui que, se o amigo não tem culpa, não vale a pena se esforçar por aquela gente.

Análise

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Capítulo III: O adeus de Raskólnikov

Resumo do capítulo

Na escada, Piotr Pietróvitch Lújin vai surpreso com a ruptura, porque contava até o fim com a dependência de Avdótia Românovna Raskólnikova e da mãe, por vaidade e apego ao dinheiro, e planeja consertar tudo no dia seguinte. No quarto, Dúnia e Pulkhéria Alieksándrovna Raskólnikova agradecem a Deus e riem, e só Rodion Românovitch Raskólnikov fica sombrio. Conta com secura a conversa com Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov, sem os fantasmas. Dmitri Prokófitch Razumíkhin propõe uma sociedade editorial com dinheiro do tio dele e dos três mil de Dúnia, e um apartamento na mesma casa para todos. Raskólnikov pede que o esqueçam, porque quer ficar só. No corredor, pede a Razumíkhin que fique com elas e nunca lhe pergunte nada; os dois se olham em silêncio, e Razumíkhin empalidece. Desde aquela noite passa a ser, junto delas, filho e irmão.

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Capítulo IV: A leitura de Lázaro

Resumo do capítulo

Rodion Românovitch Raskólnikov vai à casa de Sófia Semeónovna Marmieládova, à beira do canal, à noite, e diz que veio pela última vez e que tem uma palavra a dizer. Examina o quarto, grande, baixo e torto, e pergunta pelos donos da casa. Sônia defende Catierina Ivánovna Marmieládova, que é como criança e perdeu o juízo de dor. Ele pergunta o que será de todos se Catierina morrer ou se Sônia adoecer, insiste até ela repetir que Deus não permitirá tal horror e responde que talvez nem haja Deus. Depois se curva até o chão e beija o pé dela: não é diante dela, diz, mas diante de todo o sofrimento humano. Chama-a de grande pecadora, por ter se perdido à toa, e pergunta o que a sustenta; ela pergunta o que seria dela sem Deus, e ele a chama de iuródiva. Sobre a cômoda está o Novo Testamento que Lisavieta Ivánovna trouxe, e ele pede que ela leia a ressurreição de Lázaro. Sônia lê, tremendo, e fecha o livro. Raskólnikov diz então que largou a mãe e a irmã, que só lhe resta ela e que devem ir juntos, malditos, por um só caminho até uma só meta, que é a liberdade e o poder. Promete que no dia seguinte dirá quem matou Lisavieta e sai sem estender a mão. Sônia passa a noite em febre. Na sala vazia ao lado, Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov ouviu a conversa inteira atrás da porta e leva uma cadeira para ouvir sentado nos dias seguintes.

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Capítulo V: A mariposa e a vela

Resumo do capítulo

No dia seguinte, às onze em ponto, Rodion Românovitch Raskólnikov chega à delegacia para ver Porfiri Pietróvitch. Espera dez minutos, repara que ninguém o vigia e conclui que o homem de ontem, que surgiu como que do chão, ou nada disse ou nada sabe. Ao ser chamado, percebe que treme, irrita-se por tremer diante do odiado Porfiri e entra decidido a ficar quieto, frio e atento. Porfiri o recebe com as duas mãos estendidas e enche a conversa de futilidades, da casa em reforma às hemorroidas. Raskólnikov não resiste e ironiza o método do juiz de instrução, que começa por assuntos distantes para atordoar o interrogado. Porfiri ri até ficar vermelho, e Raskólnikov, cheio de ódio, percebe que talvez tenha caído numa armadilha; cobra um interrogatório formal ou a liberdade.

Porfiri muda de tom: não se prende cedo o suspeito, porque a prisão lhe daria apoio moral; as provas cortam dos dois lados, e a que ele quer parece dois e dois são quatro. O culpado deixado à solta gira em torno do juiz como a mariposa em torno da vela, até voar-lhe na boca. Raskólnikov se endireita e diz que vê que o juiz o suspeita do assassinato da velha e de Lisavieta Ivánovna, que exige processo ou prisão e que não suportará zombaria; bate na mesa e grita que não permitirá. Porfiri abre a janela, oferece água e conta que Dmitri Prokófitch Razumíkhin esteve com ele; atribui ao estado doente a visita ao apartamento vazio e diz que quem tivesse algo na consciência alegaria delírio. Raskólnikov exige saber se está livre de suspeita, sim ou não, e Porfiri não responde; detém-no à porta e fala de uma surpresinha atrás do tabique. Raskólnikov tenta abrir a porta, grita que ele só tem conjeturas e exige testemunhas. No corredor, ouve-se barulho.

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Capítulo VI: A confissão de Nikolai

Resumo do capítulo

Um prisioneiro irrompe no gabinete, cai de joelhos e grita que é o assassino. É o pintor Nikolai, que diz ter matado Aliena Ivánovna e a irmã dela, Lisavieta Ivánovna, com um machado. Porfiri Pietróvitch o interroga e conclui, com raiva, que as palavras não são dele; manda Rodion Românovitch Raskólnikov sair. Na escada, Raskólnikov zomba do ofício de quem atormentou o rapaz até a confissão. Em casa, vê que a mentira há de aparecer e decide ir ao repasto fúnebre de Marmieládov, mas a porta se abre sozinha e entra o homem de ontem, que se curva e pede perdão. É um peleiro que trabalha no prédio da velha: ofendido por tomarem Raskólnikov por bêbado, foi a Porfiri, que o escondeu atrás do tabique. Raskólnikov repete que tudo corta dos dois lados e desce com raiva de si mesmo.

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