Referência breve, sem explicação, a uma pessoa, um texto, um mito ou um fato conhecido fora da obra, que traz consigo o sentido daquela outra história.
Em Hamlet
Por Hécuba! O que Hécuba é para ele, ou ele para Hécuba, Que o faça chorar por ela? O que ele faria Se tivesse o motivo e a deixa para a fúria Que eu tenho?
“Hécuba”, a rainha que chora na queda de Troia, vem de outra história, e os atores acabaram de evocá-la. Hamlet a toma como medida: o ator chora por quem nada é para ele, e o príncipe, com um pai assassinado, continua parado.
Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Hamlet, sozinho
Bem, Deus vos pague! Dizem que a coruja era filha do padeiro. Senhor, sabemos o que somos, mas não o que podemos ser.
“A coruja era filha do padeiro” remete a uma história conhecida, contada sem explicação. A referência solta, no meio da conversa com o rei, combina com o modo desconexo de Ofélia falar.
Ato IV: Exílio, loucura e armadilha, Ofélia, enlouquecida, a Cláudio
Há um toque da Providência na queda de um pardal [...] Estar pronto é a única solução. Seja o que for!
A “queda de um pardal” remete a um dito do Evangelho, e a referência breve, sem explicação, traz o sentido de uma Providência que cuida até das coisas pequenas. Hamlet apoia nela a sua calma.