No teatro, fala de um personagem sozinho em cena, que pensa em voz alta e mostra ao público o que não diz aos outros.
Em Hamlet
Por Hécuba! O que Hécuba é para ele, ou ele para Hécuba, Que o faça chorar por ela? O que ele faria Se tivesse o motivo e a deixa para a fúria Que eu tenho?
Hamlet está só quando se compara ao ator, e por isso diz ao público o que não diria na corte: a vergonha de sentir menos por um pai assassinado do que o ator sente por Hécuba.
Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Hamlet, sozinho
O espectro que vi Pode ser o demônio. E o demo tem o poder De imitar um rosto querido [...] Terei provas Mais certas do que sua palavra.
Sozinho depois da saída dos atores, Hamlet raciocina em voz alta e mostra ao público a dúvida que não confessaria a ninguém: o espectro “pode ser o demônio”, e por isso ele quer “provas mais certas”.
Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Hamlet, sozinho
Com a peça revelarei / O segredo íntimo do rei
Hamlet fica só em cena e conta ao público o plano de usar a peça contra o rei, algo que não diz a mais ninguém. A fala funciona como confidência de um homem que já escolheu o método.
Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Hamlet, sozinho
Ser ou não ser, eis a questão.
Hamlet entra falando sozinho, sem saber que o escutam, e o público acompanha um pensamento íntimo dito em voz alta, a pergunta que ele faz a si mesmo sobre viver e morrer.
Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio, Hamlet, sozinho, no monólogo
Assim a consciência nos torna a todos covardes, / E assim a cor mais viva da decisão / É enfraquecida com a palidez do pensamento
Hamlet fecha o monólogo sozinho, e o que diz vale como diagnóstico de si mesmo: a consciência “nos torna a todos covardes”. Ele pensa em voz alta justamente o que o paralisa.
Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio, Hamlet, sozinho, no monólogo
Nenhum, pois ainda estou de posse Dos benefícios pelos quais matei… Minha coroa, minha própria ambição e minha rainha. Pode-se obter o perdão conservando os lucros da ofensa?
Cláudio fica só e admite o que não diria à corte: ainda conserva “coroa”, “ambição” e “rainha”. A fala é uma confissão feita ao público, sem ninguém para ouvir.
Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio, Cláudio, sozinho
Como fico eu, então, / Que tenho o pai assassinado, a mãe desonrada, / Fortes estímulos da razão e do sangue, / E deixo estar?
Hamlet fica só depois que os outros se afastam, e a fala deixa o público ver a vergonha que ele não mostra a ninguém em cena.