Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Hamlet
Tenho dentro de mim o que vai além da aparência; / Estes são apenas os trapos e anúncios da decência
Opõe “dentro de mim” a “aparência”, o sentimento escondido ao sinal exibido. O contraste separa o luto verdadeiro do luto de fachada e deixa claro de que lado Hamlet se coloca.
Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Hamlet, a Gertrudes
Sou o espírito de teu pai, Condenado por certo prazo a vagar pela noite, E durante o dia confinado ao jejum das labaredas, Até os crimes que cometi durante minha vida Serem queimados e purgados.
A pena é repartida entre “noite” e “dia”: de noite o Espectro vaga, de dia fica preso às labaredas. O par de opostos desenha um tormento que não dá descanso em hora nenhuma.
Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, O Espectro, a Hamlet
Ser ou não ser, eis a questão.
“Ser” e “não ser” põem em lados opostos viver e morrer e, mais fundo, agir e não agir. O choque dos dois termos numa frase curta reduz toda a dúvida a uma escolha entre extremos.
Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio, Hamlet, sozinho, no monólogo
Ele é amado pelas ingênuas multidões, / Cujo afeto não obedece ao juízo, e sim aos olhos
“Juízo” e “olhos” são postos como opostos: o povo ama pelo que vê, não pelo que pensa. O contraste revela o cálculo de Cláudio, que se apoia na aparência para disfarçar o que pretende.
Ato IV: Exílio, loucura e armadilha, Cláudio, aos conselheiros
Bem, Deus vos pague! Dizem que a coruja era filha do padeiro. Senhor, sabemos o que somos, mas não o que podemos ser.
“O que somos” e “o que podemos ser” se opõem na mesma frase: o presente conhecido contra um futuro incerto. O contraste dá à fala de Ofélia a forma de uma máxima.
Ato IV: Exílio, loucura e armadilha, Ofélia, enlouquecida, a Cláudio