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Recurso literário

Dístico rimado

No teatro em verso, dois versos seguidos que rimam entre si, em geral no fim de uma cena ou de uma fala, como um fecho que se grava na memória.

Em Hamlet

Tenho dentro de mim o que vai além da aparência; / Estes são apenas os trapos e anúncios da decência

Os dois versos rimam em “aparência” e “decência” e fecham a fala de Hamlet com ar de sentença. A rima dá ênfase à distância entre o luto sentido, “dentro”, e o luto exibido.

Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Hamlet, a Gertrudes

Tempos fora do eixo. Oh, maldito fado, / Eu ter de corrigir o que está errado!

“Fado” rima com “errado”, e a rima de dois versos fecha o ato com ar de sentença: o dever de “corrigir o que está errado” soa como uma lei da qual Hamlet não escapa.

Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Hamlet

Com a peça revelarei / O segredo íntimo do rei

“Revelarei” rima com “rei” e fecha o ato num par de versos que resume o plano: usar a peça para flagrar o culpado. A rima dá ao projeto o ar de uma decisão já tomada.

Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Hamlet, sozinho