Clavis Libri Entrar

Recurso literário

Metáfora

Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.

Em Hamlet

Tenho dentro de mim o que vai além da aparência; / Estes são apenas os trapos e anúncios da decência

A decência vira “trapos e anúncios”: roupa e cartaz que cobrem e anunciam o luto sem serem o luto. A imagem desvaloriza o que se vê e guarda o valor verdadeiro para o que está “dentro”.

Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Hamlet, a Gertrudes

Há algo de podre no reino da Dinamarca

“Podre” transforma o estado político da Dinamarca em um corpo que apodrece. A imagem dá nome a um mal ainda sem causa conhecida e abre uma série de imagens de doença e mato ruim.

Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Marcelo

Tempos fora do eixo. Oh, maldito fado, / Eu ter de corrigir o que está errado!

O tempo aparece como uma peça que saiu do eixo, imagem que resume de uma vez o rei assassinado, o usurpador no trono e a mãe casada às pressas. O mundo inteiro está desencaixado.

Ato I: O Espectro e a ordem de vingança, Hamlet

Vedes como, com a isca da mentira, / Pescastes o peixe da verdade?

A pesca é a imagem do método de Polônio: a “mentira” é a isca e a “verdade” é o peixe. A imagem faz da investigação uma armadilha paciente em que o outro se denuncia sozinho.

Ato II: A loucura fingida e a armadilha do teatro, Polônio, a Reinaldo

Assim a consciência nos torna a todos covardes, / E assim a cor mais viva da decisão / É enfraquecida com a palidez do pensamento

A decisão é uma cor viva que a “palidez” do pensamento enfraquece. A imagem faz sentir como pensar demais tira a força de uma resolução que começou firme.

Ato III: A Ratoeira e a morte de Polônio, Hamlet, sozinho, no monólogo

Aquilo que desejamos fazer, / Devemos fazer na hora da vontade, pois ela flutua

A vontade “flutua”, como coisa que não fica no lugar. A imagem diz que o desejo de vingar passa se não for usado na hora, e serve a Cláudio para empurrar Laertes à ação.

Ato IV: Exílio, loucura e armadilha, Cláudio, a Laertes