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Recurso literário

Ironia dramática

O leitor ou o público sabe algo que o personagem ignora, e por isso as palavras e os atos do personagem ganham um sentido que ele mesmo não percebe.

Em Macbeth

Se um homem fosse Porteiro das Portas do Inferno, ele não faria outra coisa que não dar voltas à chave.

O Porteiro brinca que daria voltas à chave de tanta gente que chega às "Portas do Inferno", sem saber que o público acabou de ver o crime. Sem querer, ele acerta no que o castelo se tornou.

Ato II: O assassinato de Duncan, o Porteiro

Sempre, e de novo, contra a Natureza. Pródiga Ambição, que com voracidade consomes a tua própria fonte de vida.

Ross parece falar dos príncipes que fugiram, mas o público sabe que a ambição que devora a própria fonte de vida é a de Macbeth, que matou o rei que o honrava. A frase acusa o culpado sem Ross perceber.

Ato II: O assassinato de Duncan, Ross

Faço um brinde à alegria geral de todos os aqui presentes e ao nosso querido amigo Banquo, de quem sentimos falta nesta mesa. [...] Vai-te embora daqui, desaparece de minha vista, deixa que a terra te cubra. Teus ossos carecem de medula, teu sangue está gelado. Não há perspicácia nesses olhos com que me fixas o olhar.

Macbeth brinda a Banquo como "querido amigo" de quem "sentimos falta", e o público sabe que foi ele quem mandou matá-lo. Os convidados não entendem o peso da frase, e o fantasma no lugar do rei torna a hipocrisia visível.

Ato III: O rei dominado pelo medo, Macbeth

Que cada soldado derrube um galho e carregue-o à sua frente. Desse modo, estaremos camuflando, na sombra, o exato número de nosso contingente, e aqueles que levam ao inimigo notícias nossas terão errado em seus cálculos.

Malcolm dá uma ordem prática, "camuflando, na sombra" o número de soldados, sem pensar em profecia. O público percebe que ele está cumprindo a promessa feita a Macbeth, e o próprio Malcolm não sabe.

Ato V: Sonambulismo, Birnam e a queda, Malcolm