Quem é
Rei da Escócia, pai de Malcolm e de Donalbain, generoso com quem o serve e confiante a ponto de ser enganado por quem ele mesmo honrou. Honra Macbeth pela vitória sobre os rebeldes, promete cuidar do crescimento dele como quem planta, nomeia o filho herdeiro e escolhe passar a noite no castelo do homem que o vai matar. É o rei cujas virtudes o próprio assassino admite antes do crime, e cuja morte, fora de cena, rompe a ordem do reino e da natureza.
Trajetória
Na cena 2 do Ato I, no acampamento perto de Forres, ouve de um Capitão ferido que Macbeth e Banquo derrotaram os rebeldes e os noruegueses. Descobre que o Barão de Cawdor traiu o reino, condena-o à morte e dá o título a Macbeth.
Na cena 4 do Ato I, aprende que Cawdor morreu arrependido e diz que não existe arte pela qual se adivinhe o caráter de um homem observando-lhe o rosto: ele fora um cavalheiro em quem depositava absoluta confiança. Nesse instante entra Macbeth, a quem agradece com promessas, e a quem diz que começou o plantio e vai vê-lo crescer. Nomeia Malcolm Príncipe de Cumberland e anuncia que irá a Inverness.
Na cena 6 do Ato I, diante do castelo, elogia o lugar, e deixa-se conduzir por Lady Macbeth, que o recebe com palavras de humildade e serviço.
Este Castelo tem localização das mais aprazíveis. O ar daqui é revigorante e doce, atraente aos nossos sentidos humanos.(I.6)
Na cena 7 do Ato I, o próprio Macbeth lista o que o protege: Duncan é seu rei, seu parente e seu hóspede, e sempre vestiu o manto real com tanta humildade que as virtudes dele defenderiam como anjos contra o crime. Na cena 1 do Ato II, já se recolheu feliz, e mandou um brilhante à anfitriã. Na cena 2 do Ato II, é morto fora de cena, com as adagas dos camareiros, e na cena 3 do Ato II o corpo é descoberto por Macduff.
Na cena 4 do Ato II, Ross e um Velho comentam a noite fora do natural, o dia que parece noite, o falcão morto por uma coruja, os cavalos de Duncan que enlouqueceram e se devoraram. Na cena 2 do Ato III, Macbeth, já rei, diz que Duncan está em seu túmulo e que, depois da febre espasmódica da vida, dorme bem.
Temas que encarna
Duncan julga mal duas vezes seguidas e no mesmo ato. Na cena 4 do Ato I, diz que não se lê o caráter no rosto, a propósito do traidor Cawdor, e logo em seguida agradece a Macbeth, que acaba de ouvir as bruxas, e abraça Banquo. O hóspede que entra no castelo na cena 6 do Ato I elogiando o ar doce é o mesmo que, ali dentro, será morto.
O reino responde à morte dele. Na cena 3 do Ato II, Lennox fala de ventania, gritos no ar e terra febril, e na cena 4 do Ato II Ross e o Velho contam o dia escuro e os cavalos que se devoraram.
A ordem do rei, a dos homens e a dos animais estão ligadas, e quebrar a primeira rompe as outras.
O Poder de Duncan repousa na confiança, e é esse o seu limite: distribui títulos, promessas e agradecimentos e se deixa conduzir pelo anfitrião sem pergunta. A Violência que o mata aparece no mundo antes de aparecer em qualquer personagem, nos presságios da cena 4 do Ato II.
As virtudes de Duncan funcionam na peça como o freio que Macbeth reconhece e ainda assim derruba. Na cena 7 do Ato I, ele mesmo imagina as virtudes do rei como anjos com trombetas contra o crime, e só a Ambição sem esporas o empurra. Ser bom rei não bastou para protegê-lo.
Relações
- Macbeth: o general que ele honra e a quem confia o castelo, e que o mata dormindo na cena 2 do Ato II.
- Lady Macbeth: a anfitriã que o recebe na cena 6 do Ato I e a quem, dormindo, ele lembra o pai na cena 2 do Ato II.
- Malcolm: o filho que ele nomeia Príncipe de Cumberland na cena 4 do Ato I, o que acende em Macbeth a ideia do obstáculo.
- Banquo: o general que ele abraça ao lado de Macbeth na cena 4 do Ato I.
- Macduff: o barão que descobre o corpo na cena 3 do Ato II.