No teatro, fala de um personagem sozinho em cena, que pensa em voz alta e mostra ao público o que não diz aos outros.
Em Macbeth
Vinde vós, espíritos que sabem escutar os pensamentos mortais, liberai-me aqui de meu sexo e preenchei-me, da cabeça aos pés, com a mais medonha crueldade, até haver ela de mim tomado conta. [...] Vinde vós aos meus seios de mulher e sugai meu leite, que agora é fel, vós, espíritos servis e assassinos
A invocação é dita sozinha, sem ninguém em cena, e por isso o público ouve sem filtro o que ela deseja: ser esvaziada de piedade e tomada pela "mais medonha crueldade".
Ato I: A profecia e a tentação, Lady Macbeth
É isto uma adaga, que vejo diante de mim, o cabo voltado para minha mão? [...] Vejo-te ainda. E sobre tua lâmina, e sobre teu punho, gotas de sangue, o que antes não se enxergava.
Macbeth está sozinho no pátio quando fala com a visão. Ninguém o ouve, então o público acompanha a dúvida dele em voz alta: "É isto uma adaga" é uma pergunta que ele faz a si mesmo, sem plateia em cena.
Ato II: O assassinato de Duncan, Macbeth
Se assim for, pelos herdeiros de Banquo aviltei-me! Em prol da causa deles assassinei o nobre Duncan! Rancores derramei no cálice de minha paz, tão-somente por eles [...]
Sozinho em cena, Macbeth pensa em voz alta e diz ao público o que não diz a ninguém: "aviltei-me" pelos herdeiros de Banquo, e foi "por eles" que assassinou Duncan. O rancor aparece aqui sem disfarce.