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O sono

O que é

O sono inocente que Macbeth diz ter matado junto com Duncan. A peça o trata como a primeira coisa que o crime tira de quem o comete, e o faz voltar em quatro formas: o sono recusado antes do crime, o sono que não vem depois, os pesadelos do rei e o sonambulismo de Lady Macbeth.

Onde aparece

Na cena 1 do Ato II, antes do crime, Banquo diz que uma pesada pasmaceira o toma e que, mesmo assim, não quer dormir, por causa dos pensamentos amaldiçoados que a Natureza deixa passar no repouso, e estranha que Macbeth ainda esteja acordado. Macbeth lhe deseja boa noite de sono e, sozinho, diz que, sob os dosséis, sonhos pecaminosos fazem mal ao sono dos que dormem.

Na cena 2 do Ato II, o sono é nomeado e condenado: Macbeth diz ter ouvido uma voz que gritava para a casa toda que ele matou o Sono, que Glamis matou o Sono e que, portanto, Cawdor não mais dormirá.

Macbeth: Pensei ter ouvido uma voz a gritar “Dormir, nunca mais! Macbeth é o assassino do Sono, do Sono inocente, do Sono que desenreda o novelo emaranhado das preocupações, do Sono que é a morte rotineira da vida de cada dia, o banho depois da árdua labuta, o bálsamo das mentes afligidas, o prato principal da grande mãe Natureza, o mais importante nutriente do banquete da Vida”. [...] “Dormir, nunca mais! Glamis matou o Sono, e, portanto, Cawdor não mais dormirá. Macbeth não mais dormirá.”
Macbeth

Na cena 2 do Ato III, já rei, Macbeth diz que prefere ver o universo desconjuntado a continuar comendo com medo e dormindo com a aflição dos sonhos terríveis que o fazem tremer toda noite. Duncan, no túmulo, dorme um bom sono.

Macbeth: O que fizemos foi cortar talhos na serpente; não a matamos. [...] Melhor seria estar com os mortos a quem nós, sequiosos de uma paz nossa, mandamos para a paz eterna, do que deitar com essa tortura da mente, num êxtase inquieto.
Macbeth

Na cena 4 do Ato III, ao fim do banquete, Lady Macbeth diz ao marido que lhe falta o que preserva as criaturas, o sono. Na cena 1 do Ato IV, depois da promessa da segunda aparição, ele diz que poderá conciliar o sono a despeito dos trovões.

Na cena 1 do Ato V, o sono é o lugar onde a culpa de Lady Macbeth fala: ela caminha dormindo (a Dama conta que, noutras noites, escreve, lê e lacra uma carta) e confessa dormindo o que não diz acordada. O Médico observa que é uma grande perturbação receber ao mesmo tempo o benefício do sono e agir como quem está em vigília.

O que significa

O sono é o primeiro preço visível do crime. Ele aparece como o que se perde primeiro, o descanso e o banho depois da labuta que Macbeth enumera na cena 2 do Ato II, e some quando o crime se acumula: na cena 2 do Ato III já é pesadelo, na cena 4 do Ato III é a falta que a mulher aponta, e na cena 1 do Ato V é a forma que a culpa dela encontra de falar.

A voz da cena 2 do Ato II diz que Macbeth não mais dormirá, e a peça cumpre isso de dois modos: nele, como insônia e pesadelo, e nela, como o sono que vira sintoma. A falta que Lady Macbeth aponta no marido na cena 4 do Ato III é a que volta, trocada em sonambulismo, no Ato V.

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