O tema na obra
O poder na peça tem duas faces: o que se recebe e o que se toma. Na cena 4 do Ato I, Duncan nomeia o filho Malcolm Príncipe de Cumberland e estabelece o seu Estado nos braços do primogênito, e é essa linha de sucessão que Macbeth lê como obstáculo. Na cena 4 do Ato II, depois do assassinato, ele é eleito e parte para Scone para ser coroado.
Na cena 1 do Ato III, já rei, Macbeth diz que carregar a coroa não é nada e que o importante é carregá-la em segurança, e a profecia sobre os filhos de Banquo o corrói. Na cena 2 do Ato III, Lady Macbeth diz, sozinha, que nada se ganha quando o desejo é satisfeito sem contentamento.
Lady Macbeth:Nada se ganha, e tudo se perde, quando nosso desejo fica satisfeito sem contentamento. Mais seguro é ser o objeto que destruímos, mais seguro do que habitar uma alegria duvidosa, construída pela destruição.
O poder tomado perde a substância. Na cena 2 do Ato V, Angus, entre os nobres que esperam o exército de Malcolm, diz que Macbeth sente o seu título pender frouxo, como o manto de um gigante sobre um ladrão nanico, e na cena 3 do Ato V ele mesmo diz que o que deveria acompanhar a velhice, o respeito, o amor, a obediência e os amigos, lhe é vetado desejar. Na cena 5 do Ato V, ao saber da morte da rainha, responde com o discurso sobre o amanhã.
E o que deveria acompanhar a velhice, coisas tais como o respeito, o amor, a obediência, o grande número de amigos, a mim é vetado desejar(V.3)
Na cena 3 do Ato IV, a peça põe ao lado do tirano o rei legítimo: Malcolm testa a lealdade de Macduff e um Médico fala do dom de curar do rei inglês Eduardo. E na cena 7 do Ato V, Malcolm é saudado como rei e dá aos barões os primeiros títulos de Conde que a Escócia nomeia.
O Ato V contrapõe os dois tipos de poder com a mesma cena: de um lado Macbeth, sozinho em Dunsinane, obedecido por medo; de outro Malcolm, que premia os barões e promete chamar de volta os exilados. O discurso do amanhã é o fim lógico do poder que se toma: conquista tudo e não tem mais o que fazer com o que conquistou.
Onde aparece
- Cena 4 do Ato I: Malcolm é nomeado herdeiro, e o poder aparece como linha de sucessão.
- Cena 4 do Ato II: Macbeth é eleito rei depois do assassinato e parte para Scone.
- Cena 1 do Ato III: o rei que não tem segurança e a profecia sobre os filhos de Banquo.
- Cena 2 do Ato III: o desejo satisfeito sem contentamento.
- Cena 3 do Ato IV: o rei inglês que cura e o teste de Malcolm a Macduff.
- Cena 2 do Ato V: o título que pende frouxo, como o manto de um gigante sobre um ladrão.
- Cena 3 do Ato V: a velhice sem respeito, amor, obediência nem amigos.
- Cena 5 do Ato V: o discurso do amanhã diante da rainha morta.
- Cena 7 do Ato V: Malcolm é saudado como rei e dá aos barões os títulos de Conde.
Passagens
Lady Macbeth diz o que o desejo satisfeito não dá:
Lady Macbeth:Nada se ganha, e tudo se perde, quando nosso desejo fica satisfeito sem contentamento. Mais seguro é ser o objeto que destruímos, mais seguro do que habitar uma alegria duvidosa, construída pela destruição.
Angus descreve o título de Macbeth:
ele começa a sentir que seu título pende, frouxo, sobre sua pessoa, como o manto de um gigante sobre um ladrão nanico(V.2)
Macbeth enumera o que a coroa não lhe deu:
E o que deveria acompanhar a velhice, coisas tais como o respeito, o amor, a obediência, o grande número de amigos, a mim é vetado desejar(V.3)
O discurso do amanhã:
Macbeth:Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. [...] A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco – faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado.