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Recurso literário

Repetição

Voltar à mesma palavra, à mesma frase ou à mesma construção, no começo de versos ou de frases seguidas (anáfora) ou ao longo do texto, para dar ritmo, ênfase ou insistência.

Em Macbeth

Foge, meu bom Fleance, foge, foge, foge! Poderás me vingar.

O verbo "foge" aparece três vezes em seguida, na pressa de quem tem um instante para falar. A repetição dá ao grito de Banquo a urgência de uma ordem dita no escuro, a um passo da morte.

Ato III: O rei dominado pelo medo, Banquo

Macbeth, Macbeth, Macbeth! Acautele-se contra Macduff, acautele-se contra o Barão de Fife.

O nome "Macbeth" é dito três vezes seguidas, como um chamado que prende a atenção dele antes do aviso. A repetição dá solenidade à voz da aparição e faz o nome de Macduff cair com mais peso.

Ato IV: Profecias enganosas e massacre, a primeira aparição, uma cabeça armada

Ele não tem filhos. – Todos os meus lindos rebentos? Disseste “todos”? – Ah, que abutre, que demônio, que ave de rapina! – Todos? Mas como pode ser? Todos os meus mimosos filhotinhos? E a fêmea-mãe, todos com uma única e cruel arremetida?

Macduff volta à palavra "todos" várias vezes, como em "Disseste 'todos'?" e "Todos? Mas como pode ser?", como quem tenta aceitar uma perda total. A repetição quebra a fala em pedaços e mostra um choque que não cabe em frases inteiras.

Ato IV: Profecias enganosas e massacre, Macduff

Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. [...] A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco – faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado.

"Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã" repete a palavra para que o leitor sinta os dias se arrastando, todos iguais. O ritmo monótono do trecho imita a repetição vazia de que Macbeth fala.

Ato V: Sonambulismo, Birnam e a queda, Macbeth