Clavis Libri

Tema em Macbeth

Culpa

A consciência da falta: remorso, culpa, vergonha interior, o peso do que se fez.

O tema na obra

A culpa entra na peça no minuto em que o crime acaba. Na cena 2 do Ato II, Macbeth volta do quarto do rei dizendo que não conseguiu pronunciar o amém e que uma voz anunciou que ele matou o Sono, e pergunta se um oceano inteiro lavaria o sangue das suas mãos. Lady Macbeth responde que um pouco d'água os limpará deste ato.

Macbeth: Pensei ter ouvido uma voz a gritar “Dormir, nunca mais! Macbeth é o assassino do Sono, do Sono inocente, do Sono que desenreda o novelo emaranhado das preocupações, do Sono que é a morte rotineira da vida de cada dia, o banho depois da árdua labuta, o bálsamo das mentes afligidas, o prato principal da grande mãe Natureza, o mais importante nutriente do banquete da Vida”. [...] “Dormir, nunca mais! Glamis matou o Sono, e, portanto, Cawdor não mais dormirá. Macbeth não mais dormirá.”
Macbeth

Na cena 2 do Ato III, já rei, Macbeth admite que só feriram a serpente e que prefere estar com os mortos a deitar com a tortura da mente, e Lady Macbeth diz que nada se ganha quando o desejo é satisfeito sem contentamento. Na cena 4 do Ato III, a culpa ganha corpo: Macbeth vê o fantasma de Banquo no seu lugar, que os convidados não veem, e Lady Macbeth tenta acobertar a cena e o repreende por covardia.

Macbeth: Faço um brinde à alegria geral de todos os aqui presentes e ao nosso querido amigo Banquo, de quem sentimos falta nesta mesa. [...] Vai-te embora daqui, desaparece de minha vista, deixa que a terra te cubra. Teus ossos carecem de medula, teu sangue está gelado. Não há perspicácia nesses olhos com que me fixas o olhar.
Macbeth

Na cena 1 do Ato V, a culpa que ela mandava deixar de lado volta como sintoma: sonâmbula, esfrega as mãos, fala de sangue, de Duncan, de Banquo e da mulher de Macduff, e o Médico conclui que o mal dela é do espírito e não do corpo.

Lady Macbeth: Mesmo assim, ainda há aqui uma mancha. [...] Sai, mancha maldita! Sai, estou dizendo. Um, dois... ora, mas então é este o momento de se fazer a coisa. O Inferno é tão escuro! Que vergonha, senhor meu marido! Que vergonha: um soldado, e com medo? Haveríamos de ter medo do quê?
Macbeth

A peça distribui a culpa em dois ritmos que se cruzam. Macbeth a sente primeiro, na cena 2 do Ato II, e a leva para o poder na forma de pesadelo e de visão. Lady Macbeth a recusa na cena 2 do Ato II e na cena 4 do Ato III, e a vive no Ato V, quando o sono desfaz a recusa. A frase dela na noite do crime, um pouco d'água, e a do sonambulismo, estas mãos nunca estarão limpas, são a mesma culpa em tempos diferentes.

Onde aparece

Passagens

A voz que condena Macbeth à insônia:

Macbeth: Pensei ter ouvido uma voz a gritar “Dormir, nunca mais! Macbeth é o assassino do Sono, do Sono inocente, do Sono que desenreda o novelo emaranhado das preocupações, do Sono que é a morte rotineira da vida de cada dia, o banho depois da árdua labuta, o bálsamo das mentes afligidas, o prato principal da grande mãe Natureza, o mais importante nutriente do banquete da Vida”. [...] “Dormir, nunca mais! Glamis matou o Sono, e, portanto, Cawdor não mais dormirá. Macbeth não mais dormirá.”
Macbeth

O oceano que não lava:

Macbeth: Nem todo o Oceano do grande Netuno será capaz de lavar definitivamente este sangue de minhas mãos? Não, pelo contrário: estas minhas mãos é que tingirão de encarnado os múltiplos mares, transformando em vermelho o que é verde.
Macbeth

O fantasma que só ele vê:

Macbeth: Faço um brinde à alegria geral de todos os aqui presentes e ao nosso querido amigo Banquo, de quem sentimos falta nesta mesa. [...] Vai-te embora daqui, desaparece de minha vista, deixa que a terra te cubra. Teus ossos carecem de medula, teu sangue está gelado. Não há perspicácia nesses olhos com que me fixas o olhar.
Macbeth

A mancha que não sai:

Lady Macbeth: Mesmo assim, ainda há aqui uma mancha. [...] Sai, mancha maldita! Sai, estou dizendo. Um, dois... ora, mas então é este o momento de se fazer a coisa. O Inferno é tão escuro! Que vergonha, senhor meu marido! Que vergonha: um soldado, e com medo? Haveríamos de ter medo do quê?
Macbeth