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Personagem

As Bruxas

Quem é

As três bruxas da charneca, chamadas na peça de Estranhas Irmãs, e Hécate, a rainha delas, que aparece duas vezes: repreende-as na cena 5 do Ato III e aprova o caldeirão na cena 1 do Ato IV. Elas abrem a peça, falam de Macbeth antes de ele entrar e dão a ele e a Banquo as profecias que movem o enredo: a coroa para um, uma linhagem de reis para o outro. Nunca mandam matar ninguém e dizem a verdade em cada palavra, e é isso que as torna perigosas.

Trajetória

Na cena 1 do Ato I, em meio a trovões e relâmpagos, combinam o próximo encontro no pântano, depois da batalha e antes do pôr do sol, onde vão se deparar com Macbeth. Cada uma atende ao chamado de seu bicho, e a cena termina com um verso em coro que mistura o belo e o podre.

Todas as bruxas: O belo é podre, e o podre, belo sabe ser; / Ambos pairam na cerração e na imundície do ar.
Macbeth

Na cena 3 do Ato I, na charneca, falam de vinganças miúdas até que um tambor anuncia Macbeth e Banquo. Saúdam Macbeth como Barão de Glamis, de Cawdor e futuro rei, prometem a Banquo filhos reis e somem no ar. Ross e Angus chegam e nomeiam Macbeth Cawdor, o que confirma a segunda saudação. Macbeth gostaria que elas tivessem ficado, e Banquo se pergunta se comeram a raiz que prende a razão.

Na cena 5 do Ato I, Lady Macbeth lê na carta do marido que as bruxas têm em si mais do que uma sabedoria mortal, e decide agir antes que a hesitação dele estrague a oportunidade. Na cena 1 do Ato II, Banquo conta a Macbeth que sonhou com elas, e Macbeth diz que nem pensa nelas.

Na cena 5 do Ato III, no pântano, Hécate as repreende por terem tratado com Macbeth sem a chamar, e por servirem alguém que ama os próprios fins e não elas. Manda que a encontrem ao amanhecer no Aqueronte, onde Macbeth virá, e promete preparar ilusões que o levem a desprezar o Destino e a confiar demais em si mesmo.

a excessiva confiança é o maior inimigo do homem (III.5)
Ato III: O rei dominado pelo medo

Na cena 1 do Ato IV, numa caverna do pântano, preparam o caldeirão, e Hécate aprova o trabalho. Quando Macbeth chega e exige respostas, surgem três aparições: uma cabeça armada, que o manda temer Macduff, uma criança ensanguentada, que diz que ninguém nascido de mulher o ferirá, e uma criança coroada com uma árvore na mão, que diz que ele só cairá quando Birnam marchar contra Dunsinane. Ele ainda vê oito reis, com Banquo ao fim.

Temas que encarna

O Sobrenatural da peça não manda: informa, e mistura verdade com engano. As aparições da cena 1 do Ato IV dizem a verdade, e é a leitura de Macbeth que as torna enganosas: ninguém nascido de mulher e um bosque em marcha soam a ele como impossibilidades, e por isso as recebe como garantia. Na cena 4 do Ato V e na cena 7 do Ato V, a promessa se cumpre pela letra, e por meios humanos.

Banquo e Macbeth ouvem a mesma profecia na cena 3 do Ato I e a leem de maneiras opostas. As bruxas não falam em matar: dizem o que será, e o raciocínio que liga a profecia ao crime é de Macbeth. É o ponto onde o Destino e livre-arbítrio se abre como pergunta.

As bruxas abrem a peça invertendo bem e mal, e essa inversão fica na estrutura. Na cena 1 do Ato I, o belo é podre e o podre é belo, e daí em diante é difícil saber, em cada cena, o que é condenação e o que é graça. Elas não aparecem depois da cena 1 do Ato IV, mas o que prometeram continua trabalhando em Macbeth até o fim.

Na cena 5 do Ato III, Hécate entrega o plano antes de ele ser executado, dizendo que a confiança excessiva é a maior inimiga do homem, e a cena seguinte das bruxas, a cena 1 do Ato IV, o monta: a cabeça armada que acende o medo, as crianças que dão a falsa segurança, os reis que mostram o preço. No Poder que a peça descreve, cada garantia é uma isca.

Relações