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Personagem

Banquo

Quem é

Companheiro de armas de Macbeth, general do rei Duncan e pai de Fleance. Ouve a mesma profecia que Macbeth, mas a ouve como aviso: desconfia de que os instrumentos do mal digam verdades pequenas para trair nas grandes. É o duplo de Macbeth, o homem que viu o mesmo e não agiu, e é por isso que sua descendência, prometida rei pelas bruxas, vira a obsessão do novo rei. Morre numa vala, a mando de Macbeth, depois de mandar o filho fugir, e continua na peça como fantasma e como linhagem.

Trajetória

Na cena 3 do Ato I, ele e Macbeth encontram as bruxas na charneca. Elas prometem a Macbeth os títulos de Glamis, de Cawdor e de rei, e a Banquo filhos reis, embora ele não o seja. Quando Ross e Angus confirmam a nomeação de Cawdor, Banquo desconfia da verdade parcial e diz que, para nos conduzir à destruição, os instrumentos do mal nos contam verdades. Vendo Macbeth absorto, comenta que honras novas aderem ao corpo à semelhança de roupas novas, por causa do uso e não do molde.

Banquo: Novíssimas honras caem sobre ele, à semelhança de nossas roupas novas: aderem ao corpo não por causa do molde, mas em função do uso.
Macbeth

Na cena 4 do Ato I, Duncan o recebe junto com Macbeth, com agradecimentos e promessas. Na cena 6 do Ato I, diante do castelo de Inverness, é ele quem nota as andorinhas que fazem ninho ali, sinal de ar delicado, num elogio a um lugar onde o rei vai ser assassinado.

Na cena 1 do Ato II, à meia-noite, sem sono, cruza com Macbeth no pátio e lhe conta que sonhou com as bruxas. Macbeth responde que nem pensa nelas e oferece honra em troca de seu apoio, e Banquo só aceita se não perder a honra ao buscar aumentá-la, se o coração continuar sem culpa e se permanecer um súdito leal. Na cena 3 do Ato II, descoberto o crime, propõe investigar a obra sangrenta e se coloca nas mãos de Deus contra as pretensões ainda não reveladas da traição.

Na cena 1 do Ato III, sozinho, nota que Macbeth tem agora tudo o que as bruxas prometeram e teme que ele tenha jogado sujo para chegar lá. E se pergunta, mesmo assim, se as bruxas, tendo acertado quanto a Macbeth, não podem ser oráculos dele também. Convidado para o banquete, avisa que cavalga com Fleance.

Na cena 3 do Ato III, chega a pé com o filho, que leva uma tocha, e comenta que vai chover. Os assassinos o atacam, e ele morre depois de mandar o filho fugir.

Foge, meu bom Fleance, foge, foge, foge! Poderás me vingar. (III.3)
Ato III: O rei dominado pelo medo

Na cena 4 do Ato III, o primeiro assassino avisa Macbeth à porta do salão de que ele está morto numa vala e de que Fleance escapou. De volta à mesa, Macbeth vê o fantasma de Banquo sentado em seu lugar, que os convidados não enxergam. Na cena 1 do Ato IV, entre as aparições das bruxas, vê oito reis passando, com Banquo ao fim, com um espelho na mão: a linhagem prometida na cena 3 do Ato I.

Temas que encarna

Banquo e Macbeth ouvem a mesma profecia e a leem em sentidos opostos. Banquo suspeita que o mal ofereça pequenas verdades para trair nas grandes, e diz isso em voz alta na cena 3 do Ato I, enquanto Macbeth completa por conta própria o que as bruxas não disseram. Os dois lados de um mesmo Destino e livre-arbítrio estão nessa cena.

O que torna Banquo perigoso para Macbeth é o próprio caráter. Na cena 1 do Ato III, Macbeth diz que o medo tem raízes em sua nobreza, e que ele só age em segurança. Ao mesmo tempo, a profecia dos filhos reis faz de Banquo o alvo da Violência que Macbeth passa a exercer por medo.

Banquo não é inocente de toda tentação. Na cena 1 do Ato III, sabe ou suspeita que o novo rei jogou sujo e, em vez de acusar, guarda a esperança de que a profecia sobre os filhos também se cumpra: usa o crime alheio para alimentar a própria espera. O que o separa de Macbeth é o gesto: o Sobrenatural oferece a ambos, e só um deles toma o atalho.

Morto, ele ocupa mais espaço do que vivo. O fantasma do banquete e o desfile de reis da cena 1 do Ato IV são o modo de a peça dizer que a Culpa de Macbeth tem um rosto, e o que ele quis impedir ao matar Banquo volta como imagem que ele não consegue deixar de olhar.

Relações