Clavis Libri

Paraíso

Discussões

Perguntas abertas que a cântica deixa, para levar à aula, ao grupo de leitura ou para pensar sozinho.

Cantos I a IV: A Lua

Beatriz explica a subida de Dante como o curso natural de uma criatura que se move ao porto que lhe cabe, e diz que o desvio vem de falso prazer. Em que ponto dessa explicação entra a escolha de quem sobe?

Dante responde a Beatriz que as manchas da Lua vêm de corpos ralos e densos, e ela o refuta com um argumento e uma experiência. Que passos do raciocínio dela dependem do que se vê e quais dependem de um princípio que não se vê?

Piccarda e Constança foram tiradas do claustro por homens, e Piccarda diz que as duas estão na esfera mais lenta porque negligenciaram os votos. O que o canto mostra de cada uma que ajuda a pesar essa causa?

Beatriz distingue a vontade absoluta, que não consente no dano, da que consente por medo de um mal maior, e diz que Piccarda falava da primeira e ela da segunda. O que, nessa distinção, sustenta que as almas ainda assim ocupam o degrau mais baixo?

Cantos V a VIII: Mercúrio e Vênus

Beatriz diz que o voto faz da liberdade da vontade uma vítima, e que toda troca é tola se a coisa deixada não estiver contida na tomada como o quatro no seis. O que, nesse argumento, torna a troca possível e o que a torna insuficiente?

Justiniano conta a história da águia para julgar quem se apropria do sinal e quem se opõe a ele, e termina com um peregrino mal pago. O que a lista de feitos prova, e o que o texto deixa por provar sobre quem tem razão?

Beatriz diz que, para reparar o homem, Deus podia perdoar sozinho ou deixar que ele satisfizesse por si, e que a encarnação foi mais larga do que o perdão sozinho. Que passos do argumento mostram por que uma e outra via, tomadas à parte, faltariam?

O espírito diz que a natureza imprime em todos como um selo e que a providência vence a geração, e dá os pares Sólon e Xerxes, Esaú e Jacó, Quirino e o pai vil. O que esses pares mostram sobre a relação entre linhagem e vocação?

Cantos IX a XII: Vênus e o Sol

Cunizza se perdoa alegremente e Folquet diz que ali ninguém se arrepende, mas ri. O que as duas falas dizem que mudou na relação dessas almas com o amor que as marcou na terra?

Folquet fala do amor que o queimou e, logo depois, da flor maldita que desviou as ovelhas. Que relação o canto sugere entre as duas coisas?

Tomás nomeia as luzes da coroa e dá a cada uma uma só marca: o tesouro oferecido, o saber sem segundo, o corpo em Cieldauro, as verdades que despertaram inveja. O que o canto escolhe contar de cada sábio, e o que deixa de lado?

Dante esquece Beatriz ao agradecer a Deus e ela sorri. Que papel o canto dá a quem guia, se Beatriz se alegra com o esquecimento?

Tomás conta a vida de Francisco como um casamento com a Pobreza e termina denunciando o próprio rebanho. Que relação o canto estabelece entre amar a Pobreza e permanecer perto do pastor?

O canto começa chamando de defeituosos os silogismos dos mortais e termina com Tomás dizendo que a sua ordem se afasta. O que uma coisa diz sobre a outra?

Tomás louvou Francisco e criticou os dominicanos, e Boaventura louva Domingos e critica os franciscanos. O que a simetria dos dois cantos faz com cada acusação?

Boaventura diz que a ordem de Francisco ficou mofo onde havia crosta e aponta dois extremos, um que foge da regra e outro que a aperta. Que lugar o canto dá à regra na descrição do fundador?

Cantos XIII a XVI: O Sol e Marte

Tomás explica por que Salomão é sem par distinguindo saber de prudência régia. O que a distinção resolve na dúvida de Dante, e o que deixa sem resolver?

O canto termina avisando contra o julgamento precipitado, e o poema inteiro está cheio de sentenças sobre pessoas. O que o canto diz sobre quem pode julgar, e o que deixa sem dizer?

Beatriz pergunta por Dante o que ele ainda não formulou, e a luz que a tradição lê como Salomão responde com uma imagem de brasa. O que cada uma dessas duas falas supõe sobre o que seja ver, e sobre o que o corpo acrescenta à visão?

Dante diz que a cruz lampejava Cristo e que, por ela, deixou de olhar Beatriz. O que o canto diz sobre a relação entre o que é visto e quem guia a vista?

Cacciaguida descreve a Florença antiga por ausências: sem colar, sem coroa, sem casas vazias. O que o canto escolhe mostrar para dizer que ali se vivia em paz?

Cacciaguida diz que a Florença antiga estava em paz e que ele veio do martírio à paz do céu. O que a mesma palavra liga nas duas descrições?

Dante se gloria do sangue no céu e logo compara a nobreza a um manto que encurta. O que o canto sugere que se deve acrescentar ao sangue, e o que o resto da fala mostra que fez as casas perderem?

Cacciaguida lamenta a mistura das gentes e logo diz que as cidades e as linhagens morrem. Como as duas partes da fala se relacionam, e o que o canto deixa sem resolver entre elas?

Cantos XVII a XX: A profecia e a Águia

Cacciaguida diz a Dante que o futuro está pintado na vista eterna sem por isso ser necessário. O que essa distinção muda no sentido do exílio anunciado, para quem vai vivê-lo e para quem o provoca?

Dante teme perder a vida entre os que chamarão antigo este tempo se for amigo tímido da verdade, e Cacciaguida responde com a ordem de manifestar toda a visão. O que cada um põe no peso de calar e no de falar?

As almas de Júpiter escrevem primeiro letras soltas, D, I, L, e só depois a frase inteira. O que o canto ganha ao fazer o leitor esperar a frase junto com Dante?

A frase desenhada pelas almas se dirige a quem julga a terra, e a invectiva que vem depois fala do comércio dentro do templo. Que ligação o canto faz entre a justiça escrita no céu e a corrupção na terra?

A Águia fala com "eu" e "meu" e é feita de muitas almas. O que esse sujeito singular, feito de plural, muda no que ela diz sobre a justiça?

Dante pergunta pelo homem do Indo e a Águia responde com perguntas sobre o lugar de quem julga. O que a resposta explica, e o que deixa sem explicar?

O canto põe um troiano pagão entre os salvos, e a Águia diz que o mundo errante não o esperaria ali. O que a surpresa do mundo, usada como argumento, ensina sobre julgar?

A Águia diz que o reino dos céus sofre violência do amor ardente e da esperança viva, que vencem porque a vontade divina quer ser vencida. Que tipo de poder é esse, e que lugar sobra nele para o mérito de quem vence?

Cantos XXI a XXIV: Saturno e as estrelas fixas

Beatriz não ri porque o riso reduziria Dante a cinza, e os santos não cantam porque ele não suportaria o canto. O que o silêncio de Saturno diz da relação entre a graça do céu e a medida de quem a recebe?

Pedro Damião diz que nem o serafim mais perto de Deus saberia dizer por que ele foi o escolhido, e manda Dante levar isso ao mundo. O que o canto faz com a pergunta sobre a predestinação, e o que pede ao mundo mortal?

Bento diz que a escada vai até a última esfera e que ninguém mais tira os pés da terra para subi-la. O que a imagem diz sobre a regra dele e sobre o estado das abadias?

Dante olha a Terra de cima, sorri do seu vil aspecto e logo aprova quem a tem por menos. O que essa vista faz com o apego do poeta à sua cidade e ao seu canteiro?

Beatriz diz a Dante, no XXI, que o riso dela o reduziria a cinza, e no XXIII o convida a abrir os olhos porque agora pode suportá-lo. O que ele viu entre os dois cantos que o fez capaz?

A confissão de que o poema precisa saltar vem no meio do canto, entre a visão do sol e a da rosa. Que efeito o lugar da confissão tem sobre o que o leitor entende do triunfo?

Pedro objeta que as obras que provam a fé são garantidas pelo próprio texto que se quer provar, e Dante responde com um argumento sobre a conversão do mundo. O que essa resposta pressupõe, e o que deixa sem provar?

Dante define a fé como substância das coisas esperadas e argumento das não aparentes, e explica por que as duas palavras cabem. O que cada palavra faz, e por que Pedro aprova a resposta antes de pedir a moeda na bolsa?

Cantos XXV a XXVIII: As três virtudes e o Primeiro Móvel

Dante define a esperança como um esperar certo e a apoia em duas fontes, o salmista e a epístola. Que diferença o poema faz ao chamar de certo o que costuma ser incerto?

João corrige a crença de que o corpo dele subiu ao céu e manda Dante levar a correção ao mundo. Por que o poema liga essa correção à cegueira de Dante ao olhar para ele?

No começo do canto, Dante diz que voltará poeta à pia do seu batismo. Que relação o poema estabelece entre o louro prometido e a fé examinada nos cantos anteriores?

João pede a Dante que diga quem dirigiu o arco dele ao alvo e depois com quantos dentes o amor o morde. O que cada pergunta faz Dante mostrar que a anterior não mostrou?

Adão diz que a língua dele estava extinta antes da obra de Nemrod. O que muda na leitura de Babel, e na do canto XXXI do Inferno, com essa informação?

Adão afirma que a causa do exílio foi o transpor do sinal, e não o provar do lenho. Que diferença o poema faz entre as duas descrições da queda?

Pedro avisa que vai mudar de cor, e o céu todo muda com ele. O que o poema ganha ao mostrar a ira como um fenômeno do céu, e não apenas como fala de um santo?

Dante, do alto, vê o passo de Ulisses e a praia de Europa, e não comenta. Que relação o poema estabelece entre a viagem dele e a de Ulisses, no canto XXVI do Inferno?

Beatriz diz que a cupidigia afunda os mortais e logo explica a desorientação humana dizendo que na terra não há quem governe. Que ligação ela faz entre o desejo dos homens e a falta de governo?

Dante vê o ponto de luz primeiro refletido nos olhos de Beatriz e só depois se vira para ele. O que a ordem da cena diz sobre o lugar de Beatriz entre Dante e o que ele vê?

Dante estranha que os círculos mais perto do ponto sejam os mais rápidos, o contrário do que se vê no mundo sensível. Como Beatriz resolve a objeção, e o que ela diz que Dante media de errado?

Beatriz conta que Gregório riu de si mesmo ao ver os coros como eram. Que efeito o poema obtém ao corrigir, pela boca dela, um dos maiores doutores da Igreja?

Cantos XXIX a XXXIII: O Empíreo

Beatriz diz que Deus criou não para adquirir bem, mas para que o seu esplendor pudesse dizer subsisto. O que essa razão exclui, e o que ela afirma sobre a relação entre quem cria e o que é criado?

Na acusação aos pregadores, Beatriz diz que as ovelhas voltam do pasto fartas de vento e que não ver o dano não as desculpa. Que parte da culpa o poema põe nos ouvintes?

Beatriz diz que a queda dos anjos foi mais rápida que contar até vinte e nomeia o orgulho de Lúcifer. Que ligação o poema faz entre essa origem e o Lúcifer do fundo do Inferno?

Dante diz que até agora seguir a beleza de Beatriz em verso nunca lhe foi cortado e que agora desiste. O que muda no poema com essa desistência anunciada antes da visão final?

Beatriz diz que o rio de luz e os topázios são prefácios sombreados da verdade e que o defeito está nos olhos de Dante. O que a passagem diz sobre a relação entre o que o peregrino vê e o que ele é capaz de ver?

Beatriz mostra um trono vazio para Henrique VII e culpa a cupidigia pelo fracasso da Itália. Que lugar a política contemporânea ocupa no meio da descrição da rosa?

Ao ver o velho no lugar de Beatriz, Dante grita onde ela está, e Bernardo responde que ela o moveu de seu lugar para terminar o desejo dele. O que a ordem do diálogo mostra sobre quem decide a troca de guia?

Beatriz responde à oração de Dante com um sorriso e um olhar, e volta à fonte eterna. O que a ausência de fala faz com a despedida dela?

Dante olha Bernardo como o peregrino que vê a Verônica e se pergunta se era assim o semblante de Cristo. O que essa comparação diz sobre o que ele espera de quem contempla?

Bernardo põe Eva aos pés de Maria e a descreve como quem abriu e picou a chaga que Maria fechou. O que a posição diz sobre a relação entre a queda e a sua reparação?

Bernardo diz que as crianças se sentam por mérito alheio e, logo depois, que no reino nada acontece por acaso. Como a segunda afirmação responde à dúvida levantada pela primeira?

Bernardo avisa que Dante pode retroceder batendo as próprias asas e manda pedir graça a Maria. O que o aviso diz sobre o último passo da viagem?

Bernardo reza a Maria para que dissipe as nuvens da mortalidade de Dante e, depois, para que lhe conserve sãos os afetos depois de tanto ver. Por que Bernardo já pede, antes da visão, o que só valerá depois dela?

Dante diz que o seu ver foi maior do que o falar mostra e que a memória cede ao excesso. O que o poema espera de quem lê um relato que se declara incompleto?

O último verso fecha em estrelas, como as outras cânticas, e o seu verbo já aparece no primeiro verso do Paraíso. Que relação o poema sugere entre o fim desta cântica e o seu começo?

A obra inteira

Piccarda diz que desejar mais alto seria discordar da vontade que a faz feliz (canto III), Justiniano chama de harmonia a diferença de assento (canto VI) e Bernardo diz que as crianças se sentam por mérito alheio e que no reino nada acontece por acaso (canto XXXII). A paz que o poema descreve é a de quem não deseja mais, ou a de quem foi ensinado a não perguntar?

Tomás manda pôr chumbo nos pés e adverte contra estimar a seara antes de madura (canto XIII), a Águia pergunta a Dante quem é ele para julgar de mil milhas com a vista de um palmo (canto XIX) e o poema inteiro está cheio de sentenças sobre pessoas e cidades. Quem pode julgar, e o que o Paraíso dá a Dante para fazê-lo?

O homem do Indo é descrito sem pecado e sem fé, e a Águia responde com outra pergunta (canto XIX); Rifeu e a luz que a leitura corrente lê como Trajano, dois pagãos, aparecem nos olhos dela (canto XX). O que a salvação deles explica, e o que ela deixa aberto para quem não tem um caso assim?

Cacciaguida manda Dante dizer tudo, ainda que a voz seja molesta ao primeiro gosto (canto XVII), e Beatriz, adiante, acusa os pregadores que gritam fábulas do púlpito (canto XXIX). O que o poema ganha por pôr a crítica na boca dos mortos, e o que perde?

Tomás de Aquino louva Francisco e termina denunciando o rebanho de Domingos (canto XI); Boaventura louva Domingos e termina condenando os extremos da própria ordem (canto XII). A simetria prova que o louvor é livre, ou arma uma defesa contra quem desconfie da boca que louva?

O poema confessa que a memória não acompanha (canto I), que precisa saltar (canto XXIII), que a pena salta (canto XXIV) e que o ver foi maior do que o falar (canto XXXIII). A confissão repetida é humildade, retórica ou o único modo de dizer a visão?

Pedro muda a cor do céu e chama de cloaca o cemitério onde está enterrado (canto XXVII); Beatriz reserva um trono vazio ao alto Arrigo, que a tradição lê como Henrique VII, e culpa a cupidigia (canto XXX). A política cabe no Empíreo, ou destoa dele?

Beatriz guia do primeiro canto ao XXXI, responde com um sorriso e volta à fonte (canto XXXI), e Bernardo conclui pedindo a Maria o que Dante não alcança sozinho (canto XXXII, canto XXXIII). O que a troca de guia diz sobre o fim do caminho, e por que a pergunta sobre Virgílio, que não está entre os bem-aventurados, fica sem resposta?