Clavis Libri

Paraíso · Cantos XIII a XVI

O Sol e Marte

Resumo dos cantos

Estes quatro cantos fecham o céu dos sábios e abrem o dos soldados, e nos dois a pergunta é a mesma: o que se vê e quem pode julgar. No Sol, Tomás de Aquino resolve uma dúvida sobre Salomão separando saber de prudência régia e termina com um aviso contra o juízo apressado, em que manda o peregrino pôr chumbo nos pés. Beatriz faz, no XIV, a pergunta que Dante não fez sobre a ressurreição dos corpos, e uma voz responde que a carne glorificada completa a visão em vez de ofuscá-la; em Marte, a cruz de luzes lampeja Cristo, e Dante se escusa por tê-la posto acima dos olhos dela. Nos dois cantos seguintes, o trisavô Cacciaguida recebe o neto com palavras em latim e descreve a Florença antiga por ausências e por nomes, até fazer da queda das casas um tema de soberba e de tempo. O centro da parte é o juízo: o que Tomás proíbe, o poeta faz a seguir pela boca de outro, e a pergunta é se o aviso do XIII e o catálogo do XVI cabem no mesmo poema.

Canto XIII: Tomás e a medida de Salomão

Resumo do canto

O canto abre com uma ordem ao leitor: quem quer entender o que Dante viu que imagine quinze estrelas, as mais claras do céu, mais as sete do Carro e as duas da boca do Corno da Ursa Menor, traçando dois sinais como a coroa de Ariadne, a filha de Minos, com as duas voltas girando em sentidos contrários. Isso será só a sombra da verdadeira constelação, tão além do costume quanto o céu mais veloz está além do movimento do Chiana, o rio que quase não corre. São as vinte e quatro luzes das duas coroas, e o que cantam é dito pela negativa:

Análise

Lì si cantò non Bacco, non Peana, / ma tre persone in divina natura, / e in una persona essa e l’umana, ali se cantou não Baco, não Peã, mas três pessoas em natureza divina, e numa pessoa a divina e a humana.

Dante diz o que a roda canta pelo que ela não canta: não os deuses do vinho e de Apolo que a poesia antiga hinava, e sim a Trindade e as duas naturezas de Cristo numa só pessoa. A negativa corrige o repertório que o poema usa em outros cantos e fixa o objeto do louvor. Duas leituras: correção do uso pagão, ou apenas a marca de que o ofício daquela roda é outro.

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Canto XIV: A ressurreição e a cruz de Marte

Resumo do canto

Como a água em um vaso redondo se move do centro à borda e da borda ao centro conforme é golpeada de fora ou de dentro, assim ocorreu na mente de Dante a semelhança entre a voz de Tomás, que acabara de calar, e a de Beatriz, que a continua do centro do círculo. Ela fala por ele, e sem que ele diga:

Análise

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Canto XV: Cacciaguida e a Florença antiga

Resumo do canto

A boa vontade em que sempre se liquefaz o amor que sopra reto, como a cobiça na iníqua, põe silêncio na doce lira e aquieta as santas cordas que a destra do céu afrouxa e estira. Dante conclui que as almas se calaram para lhe dar vontade de rogar, e acrescenta que é justo que se doa sem fim quem, por amor de coisa que não dura, se despoja do amor eterno. Então um astro corre do braço direito ao pé da cruz, como um fogo súbito num céu sereno, sem sair da fita luminosa e como fogo atrás de alabastro:

Análise

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Canto XVI: A velha Florença e as suas famílias

Resumo do canto

O canto abre com a vaidade de Dante, que diz não se espantar de que os homens se gloriem do sangue cá embaixo, porque ele mesmo, no céu, se gloriou dele:

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Leitura do bloco de cantos

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