Clavis Libri

Paraíso · Cantos XXI a XXIV

Saturno e as estrelas fixas

Resumo dos cantos

Estes quatro cantos sobem um degrau de cada vez, e em cada um o que fica para trás é matéria do poema. No XXI, Beatriz não ri e a sinfonia do céu cala, porque o ouvido mortal de Dante não suportaria, e Pedro Damião diz que o motivo de sua escolha está fechado a toda vista criada. No XXII, Bento diz que a escada vai até a última esfera e que ninguém mais tira os pés da terra para subi-la, e Dante olha para baixo e vê a Terra como um canteiro pequeno. No XXIII o poeta admite que o poema tem de saltar, e no XXIV a subida vira exame: Pedro pergunta o que é a fé e a resposta de Dante é um silogismo. A escada é a imagem que costura a parte: no XVII o exílio era descer e subir pelas escadas dos outros, e aqui a escada é a que Jacó viu, que só os contemplativos sobem. O canto que não se escreve é o segundo fio: o grito dos santos, o riso de Beatriz, a música de Pedro. O que o poeta não pode contar é tão parte da matéria quanto o que conta.

Canto XXI: A escada de Saturno e Pedro Damião

Resumo do canto

Dante tem os olhos de novo no rosto de Beatriz, e ela não ri. Explica por quê: se risse, a beleza dela, que cresce a cada degrau da subida, o deixaria como Sêmele quando virou cinza.

Análise

E quella non ridea; ma «S’io ridessi», / mi cominciò, «tu ti faresti quale / fu Semelè quando di cener fessi, e ela não ria; mas se eu risse, começou ela, tu te farias como foi Sêmele quando se desfez em cinza.

Beatriz explica o próprio rosto sério: a beleza dela se acende mais a cada degrau do palácio eterno, e o poder mortal de Dante, ao fulgor, seria ramo que o trovão racha. Sêmele viu Zeus em glória e virou cinza, e a comparação dá ao riso de Beatriz o peso de uma teofania. O sorriso que no canto XVIII consolava vira aqui perigo, e a graça se mede pela capacidade de quem a recebe.

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Canto XXII: Bento e a vista da Terra

Resumo do canto

Dante, oprimido de estupor pelo grito, volta-se para Beatriz como o menino que corre para onde mais confia, e ela, como mãe que socorre de pronto o filho pálido e ofegante, lembra-lhe que está no céu, que é todo santo e onde tudo se faz por bom zelo. Acrescenta que o canto o teria transformado, e ela rindo, e que, se ele tivesse entendido as preces do grito, já conheceria a vingança que verá antes de morrer:

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Canto XXIII: O triunfo de Cristo e Maria

Resumo do canto

Beatriz está de pé e atenta, voltada para a região do céu em que o sol mostra menos pressa, como a ave que, sobre o ramo aberto, espera o alvorecer para ver os filhos. Dante a vê suspensa e ávida e faz-se como quem, desejando outra coisa, se contenta esperando:

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Canto XXIV: Pedro examina a fé

Resumo do canto

Beatriz pede aos eleitos da grande ceia do Cordeiro que orvalhem um pouco Dante, que prova do que cai da mesa deles antes que a morte lhe marque o tempo, porque eles bebem sempre da fonte de onde vem o que ele pensa. As almas se fazem esferas sobre pólos fixos, flamejando como cometas, e giram em danças de ritmos diferentes, como as rodas de um relógio, em que a primeira parece quieta e a última voa. Da mais preciosa sai um fogo tão feliz que nenhum fica mais claro, e ele gira três vezes em torno de Beatriz com um canto tão divino que a fantasia de Dante não o devolve:

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Leitura do bloco de cantos

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