Resumo dos cantos
Os quatro cantos fazem a passagem do amor para o saber, e o que liga um céu ao outro é a fala de quem louva e acusa ao mesmo tempo. Em Vênus, o último céu que a sombra da terra alcança, as almas que amaram demais já não se arrependem: riem da potência que as ordenou, e a mesma boca que descreve o riso condena a flor de Florença e as Decretais que expulsaram o Evangelho. No Sol, os sábios giram em duas coroas, e quem fala de cada fundador é o membro da ordem rival: Tomás de Aquino, dominicano, gasta um canto louvando Francisco e termina denunciando os dominicanos, e Boaventura, franciscano, faz o espelho. O centro é a simetria desse elogio cruzado, e a pergunta que a parte deixa é por que o poema só deixa o santo ser louvado por quem não é dele, e o que isso diz da pobreza e do saber que ele quer juntar.
Canto IX: Cunizza, Folquet e Raab
Resumo do canto
Dante abre o canto falando a Clemência, que os comentadores tomam ora pela viúva, ora pela filha do príncipe do canto anterior, que a tradição identifica com Carlos Martel: Carlos lhe contou as fraudes que a descendência sofreria e pediu só que se calasse e deixasse correr os anos, de modo que o poeta pode dizer apenas que um pranto justo virá depois dos danos. Outro esplendor vem na direção dele, e o brilho que cresce mostra o desejo de agradar; os olhos de Beatriz, fixos nele como antes, dão o assentimento que certifica o seu querer. O peregrino pede à alma que o deixe refletir o que pensa, e ela responde descrevendo o lugar antes do nome: na parte corrompida da Itália, entre Rialto e as nascentes do Brenta e do Piave, ergue-se uma colina pouco alta, de onde desceu uma tocha que assaltou a região. Só então se diz:
Análise
D’una radice nacqui e io ed ella: / Cunizza fui chiamata, e qui refulgo / perché mi vinse il lume d’esta stella; / ma lietamente a me medesma indulgo / la cagion di mia sorte, e non mi noia; / che parria forse forte al vostro vulgo
, de uma só raiz nascemos eu e ela: fui chamada Cunizza, e aqui resplandeço porque me venceu a luz desta estrela; mas alegremente me perdoo a causa da minha sorte, e não me pesa, o que talvez pareça duro ao vosso vulgo.
Cunizza se apresenta pelo parentesco antes do nome: a tocha que assolou a Marca é o irmão, e ela nasceu da mesma raiz. O que a trouxe a Vênus cabe num verso, o astro a venceu, e o perdão que dá a si mesma não tem arrependimento nem pena. Duas leituras: a serenidade de quem entendeu de onde veio a inclinação, ou a antecipação do que Folquet vai dizer sobre a culpa que já não volta à mente.
Assinatura
A análise completa de cada bloco de cantos de Paraíso está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Canto X: A entrada no Sol e os doze sábios
Resumo do canto
O canto abre com a Trindade: o Valor primeiro e inefável, olhando o Filho com o Amor que os dois sopram para sempre, fez tudo o que se move na mente e no espaço com tanta ordem que não se pode vê-lo sem provar dele. Dante convida o leitor a levantar com ele a vista às rodas altas, ao ponto em que se cruzam o movimento do equador e o da eclíptica, e a admirar ali a arte do mestre que a ama por dentro, na qual se vê o círculo oblíquo que leva os planetas; se a rota deles não fosse torta, muita virtude do céu seria vã e quase toda potência aqui embaixo, morta. Depois muda de tom e entrega o livro ao leitor:
Análise
Canto XI: Francisco e a Pobreza
Resumo do canto
O canto abre com uma exclamação do poeta, e a lista que a segue é de ofícios: quem corria atrás de leis, quem de aforismos (a medicina), quem do sacerdócio, quem de reinar por força ou por sofismas, quem de roubar, quem dos negócios civis, quem se afundava no deleite da carne ou no ócio. Dante a escreve de cima, livre de tudo isso, recebido no céu com Beatriz:
Análise
Canto XII: Domingos e a segunda coroa
Resumo do canto
Mal Tomás acaba a última palavra, a santa roda recomeça a girar, e antes de completar a volta outra a cerca, movimento a movimento e canto a canto, num canto que vence o das nossas musas como o esplendor primeiro vence o reflexo. Dante o compara a dois arcos paralelos e da mesma cor que se formam na nuvem fina quando Juno manda a sua serva Íris, o de fora nascendo do de dentro como a fala da ninfa Eco, a quem o amor consumiu como o sol os vapores, e que fazem os homens crer, pelo pacto de Deus com Noé, que o mundo não será mais alagado. Assim as duas guirlandas giram em torno de Dante e de Beatriz, e a de fora responde à de dentro. Param juntas, como olhos que se fecham e abrem ao mesmo prazer, e de uma das luzes novas sai uma voz que faz o peregrino voltar-se para ela como a agulha à estrela. É Boaventura, franciscano, que só se nomeará no fim e que responde ao dominicano: o amor que a faz bela o leva a falar do outro duque, porque onde se leva um deve-se levar o outro, e a glória dos dois brilha junta. O exército de Cristo, que custou tão caro rearmar, ia atrás da insígnia lento, desconfiado e escasso, quando o Imperador que sempre reina o socorreu com dois campeões, só por graça e não por merecimento. Boaventura descreve primeiro o berço do segundo: a afortunada Calaruega, na Espanha, sob a proteção do grande escudo de Castela, em que o leão se submete e subjuga:
Análise
Leitura do bloco de cantos
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