Resumo dos cantos
Estes quatro cantos fazem a mesma pergunta em duas escalas: quem vê o que vem, e o que se faz com o que se vê. Na escala de um homem, Cacciaguida lê na vista eterna a vida do neto e lhe diz que vai deixar Florença, que o pão alheio terá gosto de sal e que o primeiro abrigo virá de uma casa que traz uma ave santa sobre uma escada. Depois lhe dá uma ordem: dizer tudo, sem poupar ninguém, ainda que a voz seja molesta ao primeiro gosto. Na escala do mundo, as almas dos justos desenham em Júpiter uma frase de aviso aos que julgam a terra e se juntam numa águia que fala por todas em primeira pessoa do singular, e essa Águia ensina o que parece o contrário: o olho humano não alcança o fundo da justiça de Deus, e quem se senta para julgar de longe, com a vista curta de um palmo, mede mal. A parte não concilia as duas vozes. Deixa lado a lado a ordem de falar e o aviso de que a última palavra sobre quem se salva não é de quem fala. Um fio liga a profecia à Águia: no XVII o nome conhecido é o que faz o exemplo valer, e no XX o céu mostra duas almas que o mundo não esperaria ali, Rifeu e, na leitura corrente, Trajano.
Canto XVII: Cacciaguida e o exílio
Resumo do canto
Dante está diante de Cacciaguida, no céu de Marte, e sente-se como Faetonte quando foi a Climene, sua mãe, para ter certeza do que ouvira contra si. O que o inquieta são as palavras graves que lhe disseram, ao longo da viagem, sobre a sua vida futura, como as de Farinata no canto X do Inferno e as de Brunetto no canto XV. Ele quer saber que golpe lhe vem, porque a seta prevista chega mais lenta. Beatriz o manda pôr a sede para fora, não para que ela saiba mais, e sim para que ele se habitue a dizer a sede e alguém lhe sirva a bebida. Dante chama Cacciaguida de raiz querida, que vê o contingente no ponto em que todos os tempos são presentes, e lhe pede a sorte que o espera. O trisavô responde sem as ambiguidades em que a gente louca se enredava antes de o Cordeiro ser morto, em palavras claras e de latim preciso, e começa pelo que o futuro é antes de dizer o que traz:
Análise
«La contingenza, che fuor del quaderno / de la vostra matera non si stende, / tutta è dipinta nel cospetto etterno; / necessità però quindi non prende / se non come dal viso in che si specchia / nave che per torrente giù discende.
, a contingência, que não se estende para fora do caderno da vossa matéria, está toda pintada na vista eterna; mas daí não recebe necessidade, a não ser como a recebe, do olho em que se espelha, o navio que desce a corrente.
Cacciaguida responde primeiro à dúvida que a profecia vai despertar: se está pintado na vista eterna, está decidido? Não, porque ver não obriga, como o olho em que o navio se espelha não o faz descer a corrente. A resposta deixa a profecia dizer a verdade sem tirar a culpa de quem expulsa Dante nem a responsabilidade do que Dante fará com a notícia. O poema monta a defesa antes do golpe.
Assinatura
A análise completa de cada bloco de cantos de Paraíso está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Canto XVIII: As letras de Júpiter
Resumo do canto
Cacciaguida goza sozinho do seu verbo, e Dante saboreia o seu, temperando o amargo com o doce. Beatriz interrompe a ruminação com uma frase:
Análise
Canto XIX: A Águia e o homem do Indo
Resumo do canto
A imagem feita pelas almas aparece diante de Dante com as asas abertas, cada alma um rubi em que arde um raio de sol que se refrata nos olhos dele. O que ele vai contar, diz, nenhuma voz levou, nenhuma tinta escreveu, nenhuma fantasia compreendeu: viu e ouviu falar o bico:
Análise
Canto XX: Os olhos da Águia
Resumo do canto
Quando o sol se põe e o céu volta a aparecer por muitas luzes, em que uma só resplandece, Dante lembra esse ato do céu ao ver a Águia calar. Todas as luzes cantam, e esses cantos fogem da memória dele. Depois que as pedras preciosas do sexto céu põem silêncio nos toques angélicos, ele ouve um murmúrio de rio claro que desce de pedra em pedra:
Análise
Leitura do bloco de cantos
Análise