Clavis Libri

Paraíso · Cantos V a VIII

Mercúrio e Vênus

Resumo dos cantos

Estes quatro cantos são feitos de longas falas, e quase nenhuma é de Dante. Beatriz fecha no V o que começou no IV, o valor de um voto e o que se pode pôr no lugar dele, e a subida a Mercúrio traz uma alma que se esconde ao responder. O VI é inteiro a voz de Justiniano, o imperador que conta a história da águia romana de Eneias a Carlos Magno e julga guelfos e gibelinos pela maneira como cada um trata o sinal. No VII Beatriz volta a falar, para explicar por que a cruz foi justa e por que Deus quis a redenção por esse modo. No VIII, em Vênus, um espírito que a tradição identifica com Carlos Martel responde a uma dúvida sobre como de bom pai nasce mau filho. A pergunta que atravessa a parte é como a justiça de Deus pesa o que os homens fazem: um voto (V), um império (VI), uma cruz (VII) e uma linhagem (VIII).

Canto V: O voto e a liberdade

Resumo do canto

Beatriz abre o canto avisando que, se brilha para Dante mais que o amor visto na terra, a ponto de vencer o poder dos olhos dele, não é motivo de espanto, porque o fogo vem do ver perfeito, que, assim como apreende o bem, move o pé para ele. Ela vê a luz eterna já resplandecer no intelecto de Dante, a única que, vista, acende sempre o amor, e o que mais seduz o amor dos homens é só um vestígio dela, mal conhecido. Lê também a pergunta que ele não fez: se com outro serviço se pode render o bastante pelo voto faltado, para que a alma fique segura de litígio. E fala sem parar.

Análise

Lo maggior don che Dio per sua larghezza / fesse creando, e a la sua bontate / più conformato, e quel ch’e’ più apprezza, / fu de la volontà la libertate; / di che le creature intelligenti, / e tutte e sole, fuoro e son dotate, o maior dom que Deus, por sua largueza, fez ao criar, e o mais conforme à sua bondade, e o que ele mais preza, foi a liberdade da vontade, de que as criaturas inteligentes, todas e só elas, foram e são dotadas.

Beatriz responde a uma pergunta sobre voto começando pela liberdade, e a ordem do argumento já diz o que está em jogo: o voto vale tanto porque o que se oferece nele é o maior dom, não um bem qualquer. A frase delimita também a quem a liberdade pertence: às criaturas inteligentes, todas e só elas.

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Canto VI: Justiniano e a águia

Resumo do canto

O canto inteiro é a fala de Justiniano, a alma que se escondera no próprio raio no fim do canto V. Ele começa pelo sinal, não por si (A águia de Justiça): depois que Constantino voltou a águia contra o curso do céu, que ela seguira atrás do antigo que tomou Lavínia, a ave de Deus ficou mais de duzentos anos no extremo da Europa, perto dos montes de onde saiu, e à sombra das penas sagradas o mundo foi governado de mão em mão, até chegar à dele.

Análise

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Canto VII: A redenção e a justiça

Resumo do canto

Terminada a fala sobre Romeu e a justiça de Deus, Justiniano canta um hino e se afasta dançando com as outras luzes, que somem da vista de Dante como faíscas velocíssimas na distância súbita:

Análise

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Canto VIII: Vênus e Carlos Martel

Resumo do canto

O canto abre por um erro antigo: o mundo costumava crer que a bela Ciprina irradiava o louco amor, volvida no terceiro epiciclo, e por isso as gentes antigas lhe davam sacrifício e honravam também Dione, como mãe dela, e Cupido, como filho, que diziam ter-se sentado no colo de Dido. Do nome dela tomaram o da estrela: o planeta herda o nome da deusa Vênus, e o poeta o conta como herança do antigo erro. Dante não percebeu a subida; é Beatriz, que ele vê mais bela, quem o assegura de estar dentro. Como numa chama se vê uma faísca, e numa voz se distingue outra voz quando uma fica firme e a outra vai e volta, ele vê nessa luz outras lâmpadas moverem-se em giro, mais e menos ligeiras, conforme a sua visão interna. Tão velozes vêm, deixando o giro começado entre os altos serafins, que nenhum vento de nuvem fria pareceria menos impedido, e dentro das que vêm à frente soa "Osanna" de um modo que Dante nunca mais deixou de desejar ouvir.

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Leitura do bloco de cantos

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