Paraíso
Personagens
Dante, o peregrino
Dante é o peregrino que, no alto da montanha do Purgatório, já lavado e purificado, sobe pelos nove céus guiado por Beatriz e termina diante da luz que o poema não consegue dizer. Na terceira cântica a viagem muda de natureza. No Inferno ele aprendia a olhar...
Beatriz
Beatriz é, no Paraíso, a guia que ensina e depois se afasta. Dos primeiros versos ao canto XXXI ela lê o rosto de Dante, responde a dúvidas que ele ainda não formulou, corrige o que ele imagina e o leva de céu em céu pelo simples gesto de olhar para cima. No...
Piccarda Donati
Piccarda é a primeira alma que Dante encontra no Paraíso, no céu da Lua, o mais baixo e o mais lento. Aparece como uma face tênue, quase um reflexo em vidro limpo, e é por tomá-la por reflexo que o peregrino vira os olhos para trás à procura de quem seria a...
Constança
Constança é a luz à direita de Piccarda Donati, acesa com todo o clarão da esfera da Lua, que quer dizer de si o que Piccarda disse de si: foi também irmã, e também lhe tiraram da cabeça a sombra das sagradas faixas. Não fala: quem fala por ela é a...
Justiniano
Justiniano é a alma que se esconde dentro do próprio raio no céu de Mercúrio e fala o canto VI inteiro sem interrupção de Dante, de Beatriz ou de qualquer outra alma. Apresenta-se com dois tempos de verbo: foi César, é Justiniano. O título ficou no passado, e...
Carlos Martel
Carlos Martel é o espírito que, no céu de Vênus, vem sozinho na direção de Dante e se apresenta citando-o. A alegria que o irradia o esconde como a seda esconde o bicho que a fia, e é por isso que o peregrino não o reconhece. O poema não diz o sobrenome: o...
Cunizza da Romano
Cunizza é a alma de Vênus que se apresenta a Dante descrevendo o lugar antes do nome: na parte corrompida da Itália, entre Rialto e as nascentes do Brenta e do Piave, ergue-se uma colina pouco alta, de onde desceu uma tocha que assaltou a região. A tocha é o...
Folquet de Marselha
Folquet é a alma de Vênus a quem Cunizza da Romano aponta como a joia mais próxima, de cuja fama ainda se falará por cinco séculos, e que Dante interpela com dois verbos que ele mesmo inventa, intuarsi e inmiarsi, entrar no outro como o outro entra nele....
Tomás de Aquino
Tomás de Aquino é, no Sol, a voz que nomeia e descreve os doze sábios da primeira coroa. Apresenta-se como cordeiro do rebanho que Domingos guia, e nomeia ou descreve, em ordem, quem o acompanha: Santo Alberto Magno, seu mestre; Graciano; Pedro, que a leitura...
Boaventura
Boaventura é a voz que, no canto XII, responde ao dominicano Tomás de Aquino, do segundo círculo de sábios do Sol, e só se nomeia no fim do canto. Fala de uma das luzes novas, e o peregrino se volta para ela como a agulha à estrela. Franciscano, usa o amor...
Cacciaguida
Cacciaguida é o trisavô de Dante que o recebe em Marte, no braço da cruz de luzes, e ocupa quatro cantos, do XV ao XVIII, o encontro individual mais longo da cântica. O poema só diz o nome no fim do canto XV, depois de uma relação: Dante é a fronde, ele foi a...
São Pedro
Pedro é o apóstolo que examina Dante sobre a fé nas estrelas fixas e que, no Primeiro Móvel, muda de cor para acusar quem lhe usurpa o lugar em Roma. O poema o chama de primeiro vigário de Cristo e ele aparece como o fogo mais precioso entre as luzes que...
Adão
Adão é a quarta luz que aparece entre as três dos apóstolos nas estrelas fixas, quando Beatriz diz que dentro daqueles raios a alma primeira, a que a primeira virtude criou, contempla o seu fazedor. O poema nunca lhe diz o nome: Dante o chama de fruto que...
Virgem Maria
Maria é, no Paraíso, a rainha do céu que o poema mostra pouco e por efeitos. Não fala em nenhum canto. Aparece nomeada pelos outros, descrita pelo que causa e invocada por quem reza, e sua única resposta é um gesto dos olhos. No canto II do Inferno já era...
São Bernardo
Bernardo é o velho vestido com a gente gloriosa, de ar benigno como convém a um pai terno, que Dante encontra no Empíreo no lugar de Beatriz. Diz o nome só no canto XXXI, ao se apresentar como o fiel de Maria, de quem arde todo de amor. O peregrino vem de se...
Outros personagens
- Raab: a prostituta de Jericó que escondeu os espiões de Josué, a primeira alma assunta no triunfo de Cristo, posta no último céu que a sombra da Terra alcança (canto IX)
- Sigieri de Brabante: o adversário de Tomás, que ensinava na Rua da Palha e entra na coroa como luz eterna, silogizando verdades que despertaram inveja (canto X)
- Salomão: a quinta luz do Sol, de cujo saber se diz que ninguém surgiu para ver tanto, e que Tomás distingue como prudência régia (canto X, canto XIII)
- Romeu: o peregrino que fez rainhas as quatro filhas do conde e partiu pobre e velho, mendigando a vida a bocado a bocado (canto VI)
- Pedro Damião: o eremita do Catria que diz que o motivo da sua escolha está fechado a toda vista criada e satiriza os prelados que cobrem de manto até o cavalo (canto XXI)
- Bento: o patriarca que fundou o mosteiro de Cassino e vê as abadias virarem covas e as cogulas, sacos de farinha ruim (canto XXII)
- Trajano: o imperador pagão que consolou a viúva e, na sobrancelha da Águia, sabe quanto custa não seguir Cristo (canto XX)
- Rifeu: o troiano da Eneida, a quinta luz do olho da Águia, salvo por um batismo anterior ao batismo (canto XX)
- Tiago: o apóstolo de Compostela que examina Dante sobre a esperança (canto XXV)
- João: o apóstolo que se deitou sobre o peito do pelicano e corrige a crença de que o seu corpo subiu ao céu (canto XXV)
- Gabriel: o anjo que, na leitura corrente, gira em coroa em torno de Maria e se define como amor angélico (canto XXIII, canto XXXII)
- Henrique VII: o alto Arrigo, para quem a rosa guarda um assento que a Itália não estava disposta a lhe dar (canto XXX)
- Eva: a que abriu a chaga que Maria fechou, sentada aos pés de Maria na rosa (canto XXXII)